Alguns minutos com tua mãe obrigado



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29- CAMINHAMOS PARA TI

Lourdes, 1º, 2 e 3 de agosto de 2011, na grande extensão da esplanada do Santuário, uma multidão incalculável : mulhes e homens, doentes e sadios, jovens e menos jovens, famílias, casais jovens, religiosos, religiosas, padres e bispos. Em toda parte um vaivém tranquilo de pessoas, nas fontes de água, diante da gruta, na piscina. Nas basílicas, sucessivas missas são celebradas em línguas variadas, segundo horários e lugares.


Todo o povo de Deus,especialmente o povo simples, acorre aos santuários da Mãe do Senhor. A missa internacional, na basílica subterrânea de S. Pio X, era participada por perto de 20.000 pessoas com numerosos sacerdotes e um bom número de bispos. A sonorização era perfeita, as leituras em diversas línguas e o coral interpretando os cantos com perfeição : quanta alegria em rezar com essa multidão e sentir-se participante dessas belas liturgias !
Minha atenção era atraída pelo imenso número de fiéis sem títulos e pela espontaneidade de suas orações, de seus gestos : beber da água de Lourdes, tocar o rochedo da gruta, ser mergulhado nas piscinas, acender velas, tomar parte na procissão do SS. Sacramento junto com os doentes, recitar o rosário com vela acesa na mão, por ocasião da procissão noturna, longos períodos de adoração diante do SS. exposto. A fé desse povo simples despertava a minha, e fazia brotar a oração como de uma fonte renovada e generosa.
Esses cristãos, provenientes de toda parte, conhecem pouco os meandros da teologia, ignoram as sutilezas da exegese, mas têm o sentido da fé e são expontaneamente polarizados pela Mãe do Senhor.

Não há sublimes reflexões, mas gestos moderados e grande atenção aos outros, sobretudo aos doentes. Eles não se perguntam se Maria é seu modelo; sabem-no e sabem que ela é sua mãe ; com ela sentem-se renovados por dentro, mais humanos e mais perto de Jesus. As vezes, nós religiosos, sacerdotes inclusive, temos a tendência de dizer que Maria é particularmente nosso modelo ; tendo-se consagrado totalmente a seu Filho é, por título particular, a mãe dos sacerdotes, ela a mãe do Grande Sacerdote, e terminamos por confiscá-la para nós, deixando os simples fiéis de mãos vazias.



Extraio estas linhas de uma revista religiosa : « Se em virtude de sua união com Cristo e de sua total disponibilidade ao Espírito, Maria precede os estados de vida ou vocações, então ela é, junto com seu Filho, o protótipo seja da vida ordinária no mundo (enquanto esposa de José e mãe na família de Nazaré), seja da vida consagrada ao seguimento de Cristo. Mas é preciso acrescentar, segundo Hans Urs von Balthasar, que a Virgem passou do primeiro estado de esposa e mãe de família ao segundo estado de ‘consagrada num seguimento radical’, e este último terminou por prevalecer sobre o primeiro. A Mãe vive, como o Filho, a passagem do primeiro ao segundo estado quando, no começo, ela é orientada, pela lei do Antigo Testamento, para a comunidade de vida natural com José, depois, no mistério de Cristo crucificado, ela se encaminha para a comunidade sobrenatural de eleição com João. » Em Maria, refletem-se, pois e com certeza, todos os estados de vida possíveis para um batizado; mas no interior desse conjunto, o chamado à consagração total à obra do Filho torna-se, com o passar do tempo, mais legível. » ( La Madonnina di Civitavecchia, julho e agosto de 2011, p. 11).
Uma tal reflexão tende a fazer do povo de Deus uma categoria de cristãos de segunda classe; afirma que Maria é o modelo, especialmente daqueles que se consagram a Cristo, quer dizer, dos religiosos e dos sacerdotes. Os simples cristãos estariam eles na impossibilidade de uma consagração total a Cristo ?
A verdadeira virgindade, a verdadeira consagração a Cristo, está na qualidade do amor que cultivamos para com ele, e antes ainda, na qualidade do acolhimento que lhe reservamos. Esse acolhimento e esse amor não conhecem as barreiras dos estados de vida. As pessoas casadas podem viver seu gênero de virgindade, cultivando por Cristo uma união extremamente forte. Os simples cristãos dizem-no enchendo os santuários, ocupando-se dos doentes, vivendo uma generosidade que ultrapassa os limites do razoável, vivendo o sentido da compreensão e da misericórdia. Em sua simplicidade e espontaneidade, convidam os religiosos e os sacerdotes a terem, também eles, uma fé e oração mais espontânea, menos prisioneira do raciocínio.
Há também o perigo de, em Maria, separar a esposa, a mãe e a mulher consagrada. Essa cisão na pessoa não é sadia : Maria ama Jesus com todo seu ser; quando ela ama José, ainda ama Jesus; quando pergunta : « Por que procedeste assim conosco ? » ela ama como mãe o filho que entra na adolescência. Quando Jesus morre na cruz, Maria está ali fiel, verdadeira discípula; no entanto, Jesus a chama de « mulher » e « mãe ».
Maria não é, num primeiro momento, o modelo dos discípulos sem título, depois o modelo daqueles que vivem o sacerdócio ou a vida consagrada; ela permanece sempre o modelo de todos os cristãos. O povo de Deus, que disso tem a intuição, muitas vezes precede os religiosos e os sacerdotes. Muitas devoções e festas mariais nascem entre o povo simples e, depois, são oficializadas pelas autoridades da Igreja.
O povo de Deus permanece, sob a ação do Espírito, o grande reservatório da fé, da esperança, da caridade e da devoção para com a Mãe do Senhor. É nossa convição, Maria não faltará em seu amor para com nenhum de seus filhos, amá-los-á segundo suas necessidades. Nós também vamos a Ela despojados de nossos títulos, simplesmente como seus filhos.



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