Alguns minutos com tua mãe obrigado


MARIA COMO PERSPECTIVA GLOBAL



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MARIA COMO PERSPECTIVA GLOBAL

O título não nos deve induzir em erro. Ele não diz que Maria é o centro, mas que encontrando-a nas Escrituras, podemos olhar para Jesus, para a Trindade, para a Igreja, descobrir a natureza do homem, da mulher, da salvação. Maria situa-se sempre dentro de um contexto; a Mariologia, que se fixasse apenas em Maria, seria susceptível de ser um trabalho distorcido e inútil.


Maria é pessoa de relações, manter-se em sua companhia é, com certeza, a oportunidade de encontrar-se com o seu Filho, o projeto da salvação de Deus; a Igreja que a contempla, apresenta-a nas Escrituras, o homem nos seus amores, nas suas necessidades, na sua longa história. É impossível olhar para a Virgem Maria e aprofundar uma reflexão sobre ela sem que ela se colore de cristologia, eclesiologia, antropologia, e seja encontrada na malha das Escrituras. O olhar sobre Maria não isola; pelo contrário, é uma pessoa à moda de encruzilhada, onde convergem as avenidas da vida.
Andar com Maria não é necessariamente fazer dela o primeiro personagem ou o centro dos personagens. Acontece muitas vezes que, privilegiando a sua companhia, Jesus nos pareça mais real, mais próximo e surpreendente nas relações que cria com ela e conosco. Num clima em que é possível desenvolver uma profunda reflexão antropológica, descobrimos a importância que temos aos olhos de Deus, posto que uma das nossas mulheres, na sua liberdade, possa ter tecido laços de maternidade, de vida, de amor por Ele. Deus quer tudo isso. Na liberdade da jovem Maria, descobrimos as audácias de nossa própria liberdade; na graça que é oferecida à mãe, lemos o plano de Deus sobre cada um de nós. Exatamente quando Maria pede para falar com Jesus, Ele responde: "Quem é minha mãe...? Todos aqueles que fazem a vontade de meu Pai são, para mim, irmãos, irmãs e mães!" O privilégio da mãe está disponível para todos; a sua prerrogativa torna-se nossa prerrogativa; aos olhos de Deus somos para ele irmãos, irmãs, mães. Em Maria lemos a grandeza do ser humano.
Maria é uma mulher, nela se manifesta a grande riqueza da natureza feminina: a capacidade de inteligência, de liberdade, de aventura face à descoberta, capacidade de fazer nascer e defender a vida, de envolvê-la de amor, fidelidade e responsabilidade. Todas as mulheres, tal como Maria, podem dizer de seus filhos: "Tu és osso dos meus ossos e carne da minha carne." Todas as mulheres compartilham com Maria a "espada" que paira sobre o filho e também trespassa a mãe. Fidelidade da mulher quando o destino é contra: “Perto da cruz de Jesus estavam sua mãe, a irmã de sua mãe, Maria, mulher de Cléofas e Maria Madalena" O evangelista só nomeia mulheres quando a tragédia do Filho chega ao paroxismo. Jesus chama sua mãe de "mulher", que foi o primeiro nome que Adão deu a Eva. Maria é o espelho da rica natureza feminina: ela é virgem, esposa, mãe, membro da família, humilde serva que todas as gerações proclamarão bem-aventurada. A aventura humana é um constante diálogo entre o homem e a mulher. A História é sempre masculina e feminina, desde que Deus criou o homem e a mulher à Sua imagem e semelhança. Em Jesus resplandece a verdadeira imagem de Deus; em Maria, a sua semelhança. Toda a história se centra de novo em Jesus e Maria, o homem novo, e a mulher nova.
A Igreja também diz que se reencontra na Virgem Maria; nela a Igreja reconhece-se como esposa, mãe, missionária. A Igreja, desde que nasceu, encontrou-se sempre ao pé da cruz: as perseguições e os mártires nunca lhe faltaram. As alegrias e as dores de Maria são também as alegrias e as dores da Igreja; as graças da mãe do Senhor derramam-se sobre a Igreja. Como o orgulho da Virgem está todo no Seu Filho, assim a Igreja tem orgulho no seu Senhor. A Igreja está orgulhosa de seu Senhor, alegre com o nascimento de seus filhos, gloriosa em seus santos, entristecida pelos nossos pecados, muitas vezes desprezada ao anunciar o Senhor. A Igreja implora Maria, canta os seus louvores, e reflete-se nela como num espelho. Um fiel familiarizado com a Virgem Maria conhece melhor a Igreja e ama-a mais.
Maria é particularmente indicada para conhecermos o seu Filho. Em sua companhia olhamos para Ele com olhos de mãe, aprendemos a acolhê-lo com um coração materno. Com Maria, tornamo-nos atentos aos títulos que são dados ao menino e que nos mostram as facetas da sua identidade. No dia da Anunciação, o anjo fez o seguinte retrato da criança cujo nome é Jesus: "Ele será grande, Filho do Altíssimo, filho de Davi, Rei, e Rei para sempre, santo, Filho de Deus". Maria recebe a mensagem, uma palavra cheia da identidade do menino. Ela e nós, tornamo-nos os servos da Palavra. Maria, em seguida, sai com a criança que nela se forma; é a primeira vez que Jesus é levado pelas estradas dos homens, a primeira missão cristã. No grande encontro da Visitação, o filho de Maria recebeu o título de Senhor, com este adjetivo amoroso e possessivo "meu Senhor". No dia de Natal, Jesus é o primogênito, o Salvador, Cristo, Senhor, alegria para muitos, glória de Deus e paz para nós, homens. Na Apresentação no Templo, e enquanto ele está nos braços de sua mãe, o menino é adornado com os títulos de maior prestígio: ele é o filho, o primogênito, a salvação preparada perante as nações, o Messias do Senhor, a luz das nações, a glória de Israel, o sinal de contradição. Quando estudamos as passagens dos Evangelhos onde Maria está presente, como sempre, encontramos o Filho, mas a mãe está presente por causa do Filho. Considerando o seu relacionamento com sua mãe, entendemos o relacionamento que Jesus quer ter conosco. Maria e Jesus são duas pessoas que se olham e que se refletem mutuamente.
Maria é uma pessoa de muitas ligações e de muitos amores. Nela se descobre Deus, a Santíssima Trindade, Jesus, o Senhor, a Igreja, o homem, a mulher, a família, seu marido José. Ela é a mulher cujo coração é o santuário da palavra, lugar de meditação: as Escrituras são acolhidas, cumpridas; ela nos dá o seu afeto materno para entender o que é a Redenção. O Magnificat de Maria Virgem enraíza-nos na misericórdia de Deus, que envolve todas as gerações de seu povo, a partir de Abraão, e ela anuncia as bem-aventuranças do Filho. Nela vive o passado, o presente e o futuro da filha de Israel; nela começa a nova família de Jesus, a Igreja. Maria é uma perspectiva global, e o que nós contemplamos a partir dela é também exaltado. Ela é, simultaneamente, "a serva do Senhor", a mãe-serva da Igreja, a mãe-serva de toda a humanidade, nossa mãe.




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