Alguns minutos com tua mãe obrigado



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28 - A FÉ DE UMA PEREGRINA



Somos um povo peregrino rumo à pátria; é a fé que nos anima e nos torna insatisfeitos com a nossa terra – por bela que seja – e com a nossa vida aqui na terra, muito embora cheia de momentos de alegria. Abraão é a cabeça dessa humanidade em marcha, dessa humanidade que não se contenta com uma vida mortal. O capítulo XI da Carta aos Hebreus centra-se sobre a fé dos nossos antepassados, povo de caminhantes em direção a uma pátria estável. "Pela fé, respondendo ao chamamento, Abraão obedeceu e foi para um país que ele devia receber em herança, e partiu sem saber para onde ia "(Hb 11,8).

Bem no centro desse povo em marcha, juntando aos nossos os seus passos, está Maria, a Mãe de Deus, a Mãe de todos os discípulos. O Concílio Vaticano II, na Constituição dogmática Lumen Gentium, 8, 58, escreve: "Assim, a bem-aventurada Virgem Maria avançou na sua peregrinação de fé". Os padres do Concílio veem Maria em marcha, nessa peregrinação especial que é a peregrinação da fé. Será que os padres do Concílio queriam dizer que Maria também teve momentos de hesitação, de fraqueza, dos quais teve de se arrepender? Não! Mas eles reconhecem que Maria, ao longo da sua vida, passou por desafios, e a sua fé como que se renovava. Maria não viveu de uma fé estagnada, mas de uma fé que corria límpida e que crescia à medida que se aproximava do Calvário. Ela não viveu uma fé fácil, porque ela se deparou com incógnitas e com realidades dolorosas. Os imprevistos - todos por causa do menino que ela tinha recebido e ao qual se devotou completamente - foram muito numerosos, a começar pela própria Anunciação que não constava da sua agenda. Maria permaneceu aberta às surpresas de Deus e cada uma delas constituía um desafio à sua fé: o nascimento do menino numa gruta, a espada que iria perfurar o seu coração, a fuga para o Egito, a perda do menino Jesus no Templo, a crescente hostilidade na família e especialmente entre os chefes do povo e depois a caminhada para a catástrofe do Calvário. A vida da jovem Maria foi um amontoado de obstáculos, mas ela permaneceu fiel. João, em Caná como arquétipo, apresenta Maria como o modelo da fé. Mas, permanecer de pé junto à cruz do Filho revela uma fé muito maior: a lealdade da Mãe, que acredita na bondade e no incrível poder de seu Filho; ela acredita no meio da debandada geral; ela crê no Filho humilhado, espancado, morto, e tem a intuição de que a salvação passa pela morte. É um momento de imensa dor, mas ela fica junto à cruz, ela permanece e é um com o Filho; ela é atravessada pelo sofrimento do Filho.

O que Maria precisa viver exige uma fé mais forte do que a nossa, uma fé que penetre no mistério. É verdade que Deus se lhe tinha manifestado de uma forma única; e única foi a sua experiência de Deus: Deus com ela, Deus sobre ela, Deus nela, - ela, "a cheia de graça". Seu Filho dirá: "muito será pedido a quem muito recebeu!" E Maria recebeu bem mais do que todos nós; é por isso que os caminhos da fé e do amor, por ela percorridos, também são muito mais árduos; no entanto, ela os percorreu.

A canção que segue - “Peregrina na fé”, de Amelio Cimini, pincel de Maria, é um ícone que narra todo o mistério dessa mulher iluminada pelo amor de Deus e é nossa companheira na peregrinação da fé.


Ave, Maria,

lâmpada luminosíssima,


em Ti permanece
a eterna Sabedoria;
mulher forte, nova Eva
amada e conquistada pelo amor.

Ave, Maria,


pequena entre os pequenos,
Deus Te escolheu
para confundir os fortes;
ternura do Senhor,
Tu és o esplendor, Tu és a testemunha do Eterno.

Ave, Maria,


primeira entre os discípulos,
nos caminhos do tempo
Tu és uma mulher a caminho,
na fé, nos acompanhas,
mãe verdadeira, ao reino da luz.

As últimas linhas são inspiradas: "Nos caminhos do tempo, Tu és uma mulher a caminho e nos acompanhas na fé, como uma mãe real, para o reino da luz. "Somos um povo peregrino, mas Maria caminha ao nosso lado e, nos caminhos da nossa vida, ela acompanha a nossa fé. Ela também teve de viver da fé; a sua vida não foi fácil, nem ficou ao abrigo dos riscos, nem livre da dor. Pelo contrário, o povo de Deus chama-a de "Nossa Senhora das dores". Hoje ela é a Mãe que guia os nossos passos em direção ao Reino da luz. Ela, a amada, toda conquistada pelo Amor, é para nós "ternura de Deus,

esplendor e testemunha do Eterno".

Maria, peregrina da fé e nossa mãe, roga por nós!




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