Alguns minutos com tua mãe obrigado


- CAMINHAR COM OS IMPREVISTOS DE DEUS



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27- CAMINHAR COM OS IMPREVISTOS DE DEUS
Maria experimentou na sua vida uma sucessão de imprevistos que a confrontaram com o projeto de salvação de Deus, projeto escondido desde sempre. Cada imprevisto colocava-a diante de um rumo inesperado e muitas vezes doloroso na sua vida. No inesperado havia sempre um apelo a uma vida de horizontes mais vastos. Ela sabe que é amada por Deus e chamada a fazer-Lhe confiança. Mas também vemos Maria lançar mão das suas qualidades humanas e espirituais para responder às surpresas de Deus. Nesse ponto, ela está perto de nós; a nossa vida também está cheia de incógnitas e surpresas no mundo do trabalho, da saúde, dos laços familiares; essas incógnitas podem tornar-se vias de ressurreição.
Todas as contingências da vida da Virgem Maria provêm de Jesus. Ela tinha um projeto de vida normal, de seu amor humano com o jovem José. Já é sua mulher quando recebe a visita de Gabriel. Estava longe de esperar a mensagem que vem do céu e de adivinhar aquele filho como nenhum, que lhe era oferecido como dom. As primeiras palavras do Gabriel: "Alegra-te, cheia de graça, o Senhor está contigo," perturbam a jovem Maria, ela adivinha que a salvação está cheia de incógnitas e essas incógnitas exigem reorientar a sua vida para um futuro envolto em mistério. Mesmo depois de dizer: "Eis a serva do Senhor", ela depara-se com situações incertas, "Como vai reagir José? Como é que vai reagir a sua família? Como é que vai olhar para ela a gente de Nazaré?"
Além disso, ela nunca pensou ter de partir imediatamente para Belém: assim o quer o imperador Augusto, mas também José, e principalmente Deus. É certo que Maria, uma jovem mãe, sonhava com um parto em condições para o seu filho, mas ele vai nascer numa gruta, será visitado por pastores pobres, e por sábios vindos de longe e deixando após si o perfume do Oriente. Se em Jerusalém Herodes ficou perturbado, em Belém, a jovem Maria ficou também completamente surpreendida.
Vem depois a subida ao Templo para apresentar o seu filho "primogênito". Começa tudo muito bem. O velho Simeão tece louvores ao Menino com títulos de prestígio: o Messias, a salvação preparada diante das nações, a luz para todos os povos, a glória de Israel. Os olhos de Maria estão em cima de Simeão, densamente habitado pelo Espírito. De repente, tudo escureceu: a criança vai ser um sinal de contradição, será escândalo para muitos, e à mãe é anunciada uma espada, uma espada que lhe trespassará o coração!
Terminada a apresentação da criança, Maria, a jovem camponesa de Nazaré, ouve José que lhe diz: "Herodes quer matar a criança. Temos que fugir para o Egito”. É um grande imprevisto para essa pequena família: ter de fugir pelas estradas do exílio com tudo o quem isso implica de pressa, de ansiedade e de vida difícil. É o menino que está na origem de tudo isso, é por ele que eles vivem! Ele tinha encantado e enchido a alma deles a partir da Anunciação: ele tornou-se o tesouro de sua vida. Mas desde aquele anúncio, Maria ficou sabendo que Deus é imprevisível e teve de saltar de surpresa em surpresa. No entanto, ela tinha a certeza de que Deus a amava.

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Depois de voltar do Egito, seguiram-se dias tranquilos; o menino crescia forte e saudável. Com os seus doze anos, chegou a hora de sua primeira peregrinação a Jerusalém, por ocasião da Páscoa. A Sagrada Família passou uma semana de alegria na cidade santa, cantando no templo salmos ancestrais, salmos de louvor, entre nuvens de incenso. De regresso dão-se conta de que Jesus não está com eles, nem tampouco com os parentes. De alma esmagada pela angústia, começam a procurá-lo. Como é que Maria poderia ter imaginado uma coisa assim? Ela sente que a espada penetra, impiedosa; ela se acha responsável, ela é a mãe que perdeu seu filho, e que Filho! Maria e José vivem a Paixão antes de todos os cristãos: três dias sem o seu Senhor, três dias sem seu filho, três dias em Jerusalém, e exatamente no tempo da Páscoa. E quando o encontram já não é seu filho, mas o Filho do Eterno Pai: "Não sabiam que eu tenho de estar com as coisas de meu Pai?” O menino Jesus começa a distanciar-se da sua família da terra. Trata-se de uma verdadeira revolução no coração da mãe, ela adivinha que ele se afastará um dia para ser o profeta, o irmão de todos numa família universal. No entanto, o adolescente desce com eles para Nazaré. Seguem-se longos anos de paz. Maria vê crescer o profeta. As suas palavras são únicas, brilhantes, e para com sua mãe tem sentimentos profundamente humanos. Ela tem a intuição que ele vai seduzir as multidões, e que muitos o vão aclamar, e muitos outros virão ter com ele expondo-lhe as suas feridas, e será suficiente tocar a orla do seu manto para ser curado no corpo e receber uma alma que cante o Magnificat.
É isso mesmo o que vai acontecer e, no entanto, tudo vai acabar no Calvário: ele na cruz, nu, pregado, escarnecido, morrendo, com o grito misterioso, "Meu Deus, meu Deus por que me abandonaste?". E ele morreu, enquanto ela continua o salmo apenas iniciado. Além disso, exatamente antes, ele havia derramado no seu coração uma maternidade sem fronteiras em favor de todos os seus discípulos, uma maternidade à altura do inesperado de Deus: "Mulher, eis aí o teu filho! "Quem teria pensado que o dia luminoso da Anunciação, que a luz do mundo atingisse o Calvário e a maternidade de Maria extravasasse do Filho aos filhos?
Não é fácil caminhar com esse Deus imprevisível. É preciso ter um coração completamente despojado, imensamente confiante na vontade do Pai. Não é um Deus distante, Ele faz escolhas muito contrárias à nossa natureza: Ele também está no seu Filho, pregado, indefeso; Ele também optou por se deixar submergir pela maldade do homem para nos envolver a todos no perdão da sua misericórdia. Ele é o Deus do inesperado, Ele conduz os seus por caminhos impensáveis. Ele bem tinha dito que se vai a Ele por caminhos estreitos.
Maria caminhou através de todas essas contingências. Sem dúvida, ela ouviu Gabriel dizer-lhe duas vezes: "O Senhor está contigo. Não tenhas medo, Maria. "Ela entendeu perfeitamente que a saudação do anjo era antes de tudo amor, depois força, depois fidelidade: Deus estava com ela, por sobre ela, nela. Ela deu uma resposta de amor ao amor de Deus: "Eu sou a serva do Senhor". Mas na sua resposta, que durou uma vida inteira, também encontramos qualidades tipicamente humanas. O primeiro é sua necessidade de compreender, um esforço de inteligência para ver claro: entender a saudação de Gabriel; depois, tudo o que é dito sobre o menino, em seguida, guardar no coração o que não se entendeu de imediato. Maria é uma mulher inteligente. Ao mesmo tempo ela é uma mulher de interioridade, de reflexão, de maturidade; ela vive muito no santuário do coração, onde nasce a luz, onde a lealdade se torna um hábito. Maria é também uma mulher que de imediato afinou pelo diapasão de Deus. O Magnificat revela uma mulher que logo alinhou pelas preferências do Filho: os humildes, os famintos. Ela também está no mesmo comprimento de onda das nossas necessidades humanas; ela alerta o Filho, quando o vinho se esgota na festa do amor.
Nós também respondemos ao inesperado com tudo o que somos, com as qualidades que estão em nós, com a profundidade humana que levamos dentro de nós. Maria não evitou o inesperado, ela enfrentou-o, primeiro porque o seu coração estava inundado pelo Filho; é o amor que faz andar por caminhos difíceis. Nós também enfrentamos os desafios da vida ao ritmo das pulsações do coração dentro do nosso peito. As escolhas de Maria abriram muitas vezes o caminho do Filho. Com ele, ela caminhou de inesperado em inesperado, rumo à ressurreição, dia imprevisível e, no entanto, anunciado.


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