Alguns minutos com tua mãe obrigado



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ESTRANHAS COINCIDÊNCIAS

Os evangelhos apresentam, por vezes, estranhas coincidências a respeito da Mãe de Jesus. Elas não parecem ter as mesmas polarizações e, no entanto, finalmente conseguem se harmonizar, a propor uma mensagem unificada. São as passagens em que Maria, sempre nomeada como “a Mãe de Jesus”, é citada com os irmãos de Jesus. Outra coincidência encontramos no modo pelo qual Marcos apresenta Maria, em 3, 31-35 e Jo 19, 25-30): usam o mesmo procedimento literário. Duas circunstâncias como opostas e que, no entanto, criam um olhar favorável para com a Mãe do Senhor.


Três vezes o Novo Testamento apresenta Maria e os irmãos de Jesus juntos, Maria sempre encabeçando o grupo e sempre citada como “a mãe de Jesus”. Os evangelistas insistem sobre esse laço único que a liga com seu Filho e é para eles o que tem mais importância.
O binômio mãe - irmãos aparece pela primeira vez em Jo 2, 12, após o primeiro sinal em Caná. Maria tem uma presença muito positiva neste primeiro sinal: ela se dá conta de que o vinho estava para acabar, que a festa do amor poderia decair; ela faz quase uma violência a seu Filho para que controle a situação. As consequências da iniciativa da mãe são numerosas: as jarras vazias se enchem de água (o batismo), a água trazida se torna vinho (Eucaristia), o Senhor manifesta sua glória, os discípulos veem e creem; começam a partilhar a fé que Maria já vivia; a fé de Maria os influenciou e eles se tornam verdadeiros discípulos. Esse sinal se conclui com a decisão de Jesus de ir para Cafarnaum. Ele rompe com Nazaré, onde ele era o filho de Maria, onde vivia na família patriarcal com muitos primos. Cafarnaum para Jesus significa ser profeta, o homem para todos, sair do quadro limitado de sua família de sangue, abrir as portas à família de Deus que não conhece fronteiras de tempo, de cultura, de nação; família universal, como o coração de Deus, universal.
Neste versículo 2, 12 de João, encontramos pela primeira vez o binômio da mãe e dos irmãos que seguem Jesus e se tornam seus discípulos. Podemos dizer que a iniciativa de a mãe dizer a Jesus que não havia mais vinho tocou também os membros da família de Jesus; a mãe converteu o olhar e o coração dos irmãos de Jesus. Nos comentários sobre o sinal de Caná sublinha-se pouco o impacto que Maria teve sobre os membros da própria família: eles também viram, creram e começaram a seguir a Jesus. A presença de Maria em Caná é toda favorável ao seu Filho, aos discípulos e irmãos. Ela, por sua insistência, constrange Jesus a sair do círculo de Nazaré, a tornar-se homem de Cafarnaum, o homem para todos.
Encontramos, uma segunda vez, Maria com os irmãos de Jesus em Mc 3, 20-21, depois em 3, 31-35. Aqui a compreensão é ambígua, dependendo do acento dado à primeira passagem, 3, 20-21 ou à segunda, 31-35. Os primeiros versículos, 3,20-21, apresentam a família hostil a Jesus. Dentro da família, alguns pensam “que ele perdeu a cabeça” e, por isso, decidem de trazê-lo à força para casa. É uma família que demonstra uma total incompreensão do ministério de Jesus. Marcos a coloca entre aqueles que se opõem ao Senhor, como os fariseus e os escribas de Jerusalém que concluem que Jesus está possesso e em combina com Beelzebu, o chefe dos demônios. Mas nesses versículos, Marcos não nomeia Maria.
Ao contrário, se acentuarmos os versículos 3, 31-35, encontramos uma família que se dirige a Jesus, se põe na estrada para encontrá-lo, e essa família é guiada por Maria, a mãe. Pode-se perceber ali uma mudança de estratégia, como se a mãe dissesse: “Vamos ver e reencontrar Jesus; é o único modo de saber exatamente o que se passa. Quando ele nos desconcerta é o momento de ir encontrá-lo”. Guiados pela mãe, encontramos uma família que caminha para Jesus. Aparentemente, nada de especial; a família permanece fora da casa em que está Jesus. Na realidade, esse procedimento cria a ocasião para Jesus de falar da família espiritual, aquela que não conhece barreiras, a família universal da qual fazemos parte.

O segredo para entrar é “escutar e conservar a palavra: fazer a vontade de Deus”. Maria já possuía essa chave: a Jesus abrira o coração e o seio para acolher, guardar e gerar a Palavra. Eis que agora essa graça particular da Mãe é colocada à disposição de todos. Passamos da família que nasce de Maria para a família que nasce da Palavra; em ambos os casos o Espírito se faz presente.


Maria é ainda nomeada com os irmãos de Jesus na oração do Cenáculo, na espera do Espírito. O primeiro grupo de discípulos se reúne na oração, oração que pede a vinda do Espírito psra que eles todos se tornem testemunhas da ressurreição do Senhor. Aqui os irmãos de Jesus estão totalmente voltados à causa do ressuscitado. No entanto, eles são citados depois da mãe, como se ela os tivesse atraído para seu Filho. Encontramos um grupo unido, que reza junto, esperando o Espírito, na disposição de serem verdadeiras testemunhas do Senhor. Frequentemente observamos essa Igreja muito jovem recolhida em torno da mãe de Jesus. Ela era certamente quem conhecia melhor e em maior profundidade o próprio Filho; ela o tinha seguido muito antes dos apóstolos. Sobre ela já viera o Espírito, no Pentecostes da Anunciação.
Assim encontramos Maria três vezes com os irmãos de Jesus. Duas vezes, em Caná e no dia de Pentecostes, como um membro muito atuante em favor do Filho. Isso nos convida a ler a passagem ambígua de Marcos 3,20-21 e 3,31-35, de modo favorável a Maria, como aquela que reorienta uma família desamparada para aquele que é o Caminho, a Verdade e a Vida.
Outro ponto de contato encontramos no estilo literário de Marcos 3,31-35 e de João 19, 25-30. Essa aproximação surpreende e, no entanto, é iluminadora porque nos encontramos como em dois polos opostos. Marcos e João se valem do mesmo procedimento literário que consiste em fazer da mãe a personagem de inclusão. Em Mc 3, 31-35, a mãe é citada quatro vezes em primeiro lugar: a mãe e os irmãos; ... mas, no fim é nomeada por último: minhas irmãs, meus irmãos e minha mãe. João 19, 26-30 cria uma situação análoga. Maria é nomeada em primeiro lugar e depois por último: “Perto da cruz de Jesus estava sua mãe, ... depois ele disse ao discípulo: “Eis tua mãe! E desde essa hora o discípulo a levou para sua casa.” Temos aqui a criação da primeira célula da Igreja: mãe e filho, sobre eles Jesus vai enviar seu Espírito. Maria e o discípulo amado são os primeiros a entrar na família espiritual de Jesus, anunciada em Mc 3, 31-35. É evidente que Jesus vê em sua mãe e no discípulo amado os modelos perfeitos e modelos a imitar, sobre os quais repousa o Espírito do Senhor que morre. Desse modo, o que une Marcos e João é a família espiritual, anunciada por Marcos e realizada primeiramente em João.

Esquematizando os dois textos – Marcos 3,31-35 e João 19, 25-30 – obtemos:


Marcos 3, 31-35 João 19, 25-30




Sua mãe e seus irmãos Perto da cruz estava sua mãe, sua irmã,…
Sua mãe, seus irmãos, suas irmãs vendo sua mãe e o discípulo amado,






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