Alguns minutos com tua mãe obrigado


FELIZ O VENTRE QUE TE TROUXE



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FELIZ O VENTRE QUE TE TROUXE (Lc 11, 27)


Enquanto Jesus assim falava, uma mulher levantou a voz no meio da multidão e lhe disse: “Feliz o ventre que te trouxe e os seios que te amamentaram!”
Trata-se de um grito que nasce no meio da multidão, gente simples, leigos, diríamos hoje, e ainda mais é de uma mulher. Jesus está falando e suas palavras são únicas, carregadas de força e de vida. Fala como alguém que tem autoridade. Suas palavras seduzem. Compreende-se a reação dessa mulher. Ela admira a grandeza desse homem e, como mulher, imagina a glória da mãe de tão grande profeta. Como o fizera Isabel, ela percebe juntos o Filho e a mãe, surpreendida na mesma admiração, no mesmo louvor.
O breve comentário do livrinho “Prions en Eglise” (Rezemos como Igreja), de 8 de outubro de 2011, diz: “Como essa mulher deveria estar atenta ao ensinamento de Jesus! Da boca de Jesus saíam palavras cheias de sentido e de promessas. Mas, suas palavras - Jesus parece dizer – é preciso não apenas escutá-las, mas é preciso vivê-las como ele mesmo vive o que ensina. Ele fala de seu Pai e cumpre sua vontade…”
Se fizermos nosso o grito dessa mulher, será preciso observar toda a pessoa de Maria, em suas relações com Jesus, e depois, dizer-nos como podemos aplicar isso em nossa vida.
Os laços de Maria com Jesus são ao mesmo tempo físicos, psicológicos e espirituais. Em sua maternidade, Maria compromete todo seu corpo ao tornar-se templo do menino. Eis que da carne de Maria é formada a carne do Verbo: “E o Verbo se fez carne!” (Jo 1,14). O sangue da mãe, pouco a pouco, se torna o sangue do Verbo. Mais tarde, Jesus poderá dizer: “Tomai e bebei, isto é o meu sangue.” O sangue do Filho corre nas artérias dos filhos e das filhas de Deus. É maravilhoso que de matéria tão bruta como é nosso corpo nasçam maravilhas para a eternidade.
Na jovem que se torna mãe, muda toda a psicologia. Numa jovem mamãe floresce uma nova primavera de emoções, de sentimentos, palavras, gestos de atenção e de afeição. Um amor antes desconhecido nasce no coração da mãe, enquanto o filho nela se forma. Maria – como toda jovem mãe – se concentra no filho, vive para ele; sua alegria, seus sonhos, seus temores se originam do filho. No entanto, aqui os laços se formam entre uma mãe e o Filho de Deus, entre “a cheia de graça” (Lc 1, 28) e aquele que é por natureza “cheio de graça e de verdade” (Jo 1, 14). Fiquemos no plano humano: é extraordinário – Deus se aniquila, desce à nossa carne, e Maria é elevada, acolhe em seu corpo, em seu tempo, em seus pensamentos, em suas preocupações, o Verbo pelo qual e para o qual existem todas as coisas. Maria acolhe esse filho com toda sua inteligência, toda sua atenção, com essa arte de entreter e de educar a vida, que as mulheres têm como por instinto.
Isso se passou entre uma criatura e Deus. Foi possível pela “ação do Espírito Santo” e porque Deus cumulara Maria de graça. Em nível espiritual Maria fora preparada. Quando Gabriel saúda Maria: « Alegra-te, cheia de graça, o Senhor está contigo” e ainda: “Não temas, Maria, achaste graça diante de Deus”, Gabriel constata uma situação que perdurava no tempo - “O Senhor está contigo, Maria, desde sempre; desde sempre, achaste graça”. O arcanjo revela claramente a Maria o amor que Deus lhe tem. Maria vive no mundo do amor de Deus, abrangendo seu coração e sua alma. A mensagem completa da Anunciação diz a Maria: o Pai está contigo, o Filho está em ti, o Espírito está sobre ti: Deus te reveste com vestimentas de salvação; diz-se de ti que és “a mulher vestida de sol” (Ap 12, 1).
A esse nível da alma e do coração, Maria responde no tom do serviço, da humildade, da fé, da gratidão: “Eu sou a serva do Senhor; faça-se em mim segundo a tua palavra” (Lc 1, 38). É verdadeiramente a copa vazia que se deixa encher de Deus. Entretanto, Maria não esquece de responder também no registro do amor. A fórmula «Eu sou a serva… » era uma fórmula de matrimônio empregada por Rut quando passa sua primeira noite com Booz: “Eu sou Rut, tua serva… estende sobre a tua serva a barra do teu manto” (Rt 3, 9). Abigail, pedida em casamento por Davi, respondeu: « Tua serva é como uma escrava para lavar os pés dos servidores do meu senhor” (1Sm 25, 41).
No grito da mulher que admira Jesus, há toda essa densidade da mãe: feliz em seu corpo, feliz em seu espírito, feliz em sua alma. Como diz a antífona das missas da Virgem Maria: “Bem-aventurada és tu, Virgem Maria: tu trouxeste o Criador do universo, colocaste no mundo aquele que te fez, e permaneces sempre virgem”. A Igreja conserva a aclamação da mulher maravilhada e torna-a sua.

Jesus, no entanto, é rápido em meter no plural o que essa mulher havia dito no singular. Ela exclamara: “Feliz a mãe que te trouxe…”; ele acrescenta imediatamente: “Antes, felizes aqueles que ouvem a palavra de Deus e a observam”. Jesus nos abre totalmente as portas da salvação e diz: “O que minha mãe fez, vós podeis fazê-lo”. Mas precisamos captar que “guardar a Palavra” implica no engajamento de nosso corpo, de nosso espírito e de nosso coração. Em nós também a Palavra deve penetrar todo o nosso ser.


O comentário de « Prions en Eglise” de 8 de outubro de 2011, dizia assim: “Maria faz parte desses bem-aventurados reconhecidos por Jesus, por que a partir da Anunciação, até a tarde de uma certa sexta-feira, ela foi a discípula que escutou Deus lhe falar; e ela aceitou que lhe fosse feito segundo essa palavra. Bem-aventurada Virgem Maria, mostra-me o caminho da verdadeira felicidade.”
Essa beatitude acompanhou Maria por toda sua vida: era a mulher que tudo conservava amorosamente em seu coração. Como Deus é o Deus fiel assim Maria foi a serva fiel.



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