Alguns minutos com tua mãe obrigado



Baixar 152.63 Kb.
Página21/34
Encontro08.02.2022
Tamanho152.63 Kb.
#21498
1   ...   17   18   19   20   21   22   23   24   ...   34
OS DOIS MAGNIFICAT

O título desta reflexão pode surpreender, pois a palavra “Magnificat” parece reservada ao canto da Virgem, no limiar da casa de Isabel, depois que esta a abençoou , louvou e declarou bem-aventurada. Como então falar de Magnificat no plural?


Muitos teólogos do Novo Testamento chamam de Magnificat de Jesus àquela forte emoção que lhe saiu do coração quando louva o Pai: “Eu te louvo, ó Pai, Senhor do céu e da terra, porque ocultaste estas coisas aos sábios e doutores e as revelaste aos pequeninos. Sim Pai, porque assim foi do teu agrado. Tudo me foi entregue por meu Pai, e ninguém conhece o Filho senão o Pai, e ninguém conhece o Pai senão o Filho e aquele a quem o Filho o quiser revelar. Vinde a mim todos os que estais cansados sob o jugo do vosso fardo e eu vos darei descanso. Tomai sobre vós o meu jugo e aprendei de mim, porque sou manso e humilde de coração, e encontrareis descanso para vossas almas, pois o meu jugo é suave e o meu fardo é leve” (Mt 11, 25-30).
Há muitos pontos de contato entre o poema da Virgem e esse hino magnífico do Filho ao Pai. Comecemos com a palavra de abertura. No canto de Maria, como no louvor do Filho, encontramos o mesmo verbo grego: “egalliasto” (magnifica), em Maria, e “egalliassen” (te louvo), nas palavras de Jesus. É essa semelhança que induziu os teólogos a falar do Magnificat do Filho.
Mas o paralelo no conteúdo dos dois cantos é muito evidente: aos soberbos, poderosos e ricos de Maria se emparelham os sábios e doutores de Jesus. Aos humildes e aos famintos no Magnificat de Maria se emparelham os pequeninos que Jesus menciona. A escolha do Pai é também a mesma: a recusa do primeiro grupo, a acolhida do segundo: Deus exalta os humildes, os pequeninos. No Magnificat a misericórdia de Deus envolve todas as gerações; na oração de Jesus, a benevolência do Pai opta por revelar-se aos pequenos. Sempre se permanece no âmbito do amor de Deus, da sua lógica em favor dos anawîm.
Esse ar de família, entre os dois cantos, se revela ainda mais forte se olhamos as duas pessoas que cantam; Maria se reconhece ‘humilde serva’, e Deus se inclina sobre ela, a pequena. Jesus se apresenta a nós como a pessoa ‘mansa e humilde de coração’, aquele que leva ao cumprimento total o ideal dos Anawîm. Para Maria, Deus é fiel, misericordioso e tem a iniciativa da salvação ao chamar Abraão, e fazendo com que se cumpram nela as promessas feitas a Abraão. Jesus mesmo é esse Deus capaz de dar conforto aos que estão cansados e oprimidos, aliás é o Deus manso, humilde de coração.
Intuímos que é o mesmo Espírito que plasma o coração da Mãe segundo o coração do Filho: Têm o mesmo louvor, fazem as mesmas escolhas. A Mãe anuncia as bem-aventuranças do Filho: bem-aventurados os pobres em espírito, os mansos, os famintos de justiça, os obreiros da paz. Ambos escrevem o mesmo programa de salvação.
A Igreja, como também nós, devemos colocar-nos no lado dos pequenos, dos humildes, fazer como Deus, para que a história se torne mais humana. Promover os últimos, na história da humanidade, significa também martírio, perseguições, como para Jesus que acabou na cruz. Os dois Magnificat não são somente entusiasmo e canto; são também luta e sangue, porque os poderosos, os soberbos, os ricos, não têm vocação para ser cordeiros. Há uma violência a ser feita sobre eles, uma violência que os obrigue a ser mais humanos.
Quando Jesus morre sobre a cruz, nasce dele uma humanidade nova, mais humana, mais justa, que abre espaço aos pequenos. A mudança passa pelo sangue derramado.





  1. Baixar 152.63 Kb.

    Compartilhe com seus amigos:
1   ...   17   18   19   20   21   22   23   24   ...   34




©historiapt.info 2022
enviar mensagem

    Página principal