Alguns minutos com tua mãe obrigado


NO MAGNIFICAT, MARIA PENSOU EM NÓS



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NO MAGNIFICAT, MARIA PENSOU EM NÓS

A estrutura do Magnificat é extremamente simples: uma pessoa, o povo, uma pessoa ou, mais precisamente, Maria, as gerações de Israel ao longo dos séculos, Abraão. O canto se desenrola a partir daquela, na qual se cumprem as promessas, para aquele ao qual foram feitas; vai da foz à fonte.


O fio condutor do Magnificat são as promessas de Deus carregadas de bênçãos. A promessa é feita a Abraão, é uma promessa cheia de vida: a sua descendência será como as estrelas do céu, “em ti serão abençoadas muitas nações”. Essa promessa carregada do amor de Deus corre de geração em geração. Deus permanece fiel a si mesmo e a seu povo. No menino que Maria carrega no seu seio, que é a sua alegria, alegria que explode em canto, as promessas se cumprem, a VIDA é dada; em Jesus “todas as promessas de Deus encontram o seu sim” (2Cor 1, 20).
Abraão inspira o Magnificat muito mais do que pensamos. Nele está a fonte, mas a água escorre dele para todas as gerações seguintes. De fato, Deus tem uma linguagem precisa quando se empenha na sua promessa com Abraão: “Quanto a mim, eis a minha aliança contigo: serás pai de uma multidão de nações... Estabelecerei minha aliança entre mim e ti, e tua raça depois de ti, de geração em geração...” (Gn 17, 4-8). Como no Magnificat, também nessa passagem encontramos Abraão e as gerações com a promessa divina de permanecer fiel ao pai do povo de Israel e a toda a sua descendência.
O movimento do Magnificat e aquele da promessa feita a Abraão se apresentam assim:
Magnificat Gênesis
Maria Abraão

↓ ↓


As gerações As gerações

↓ ↓


Abraão Maria

E nós, como achamos lugar no Magnificat?


Na primeira promessa, Abraão se tornará pai “de uma multidão de nações” (Gn 17, 4), portanto, não só pai do povo de Israel. Deus abraça na sua promessa toda a humanidade. A essa multidão de nações Deus é fiel de geração em geração; Deus é fiel a cada povo, em cada povo; somos todos filhos seus.
Isso se torna ainda mais evidente em Maria. No seu canto diz: “Sua misericórdia perdura de geração em geração para aqueles que o temem” (Lc 1, 50). “Aqueles que o temem” é uma categoria aberta, universal, como o são também todas as seguintes: os soberbos, os poderosos, os ricos, os humildes, os famintos, presentes em todas as culturas, em todas as nações, em todos os povos. Israel é aqui, ao mesmo tempo, realidade e símbolo: Israel é ele e todos os outros povos. Lucas, que nos transmite esse canto, de fato não é Judeu, mas alguém “que teme a Deus”, um prosélito de origem pagã. Quando Caifás pede a morte de Jesus: “É de vosso interesse que um só morra pelo povo e não pereça a nação toda”, João comenta: “Não dizia isso por si mesmo mas, sendo Sumo Sacerdote naquele ano, profetizou que Jesus iria morrer pela nação – e não só pela nação, mas também para congregar na unidade todos os filhos de Deus dispersos” (Jo 11, 50-52).

O menino que Maria carrega no seio é a verdadeira bênção sobre todas as nações: “Depois disso, eis que vi uma grande multidão, que ninguém podia contar, de todas as nações, tribos, povos e línguas” (Ap 7, 9). Paulo, o apóstolo das nações, proclama muitas vezes a universalidade da salvação: “Há um só Corpo e um só Espírito, assim como é uma só a esperança da vocação a que fostes chamados; há um só Senhor, uma só fé, um só batismo; há um só Deus e Pai de todos, que é sobre todos, por meio de todos e em todos” (Ef 4, 4-6).


Esse menino que Maria carrega, cria com afeto e educa, acaba o seu percurso profético sobre a Cruz. Antes de morrer promove sua Mãe a uma maternidade extensiva a todos os seus discípulos: “Eis a tua mãe!” (Jo 19, 26). Já quando Maria tinha no seio Jesus, nele estávamos todos à espera.
Creio nesta constante:

O amor de Deus é universal em Abraão: uma multidão de nações está à espera nele.

O amor de Deus permanece fiel, de geração em geração, nessas nações das quais Israel é o protótipo.

O amor de Deus é universal em Jesus, em Maria, mãe dos discípulos.

Em cada um desses casos nós nos encontramos incluídos, envolvidos pelo amor de Deus, caminhamos no amor do Deus de Abraão até Maria, caminhamos com todas as gerações, com a nossa geração de hoje.
Maria jubilosa, a Mãe de Jesus, canta uma salvação universal, nela há um lugar para nós.





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