Alguns minutos com tua mãe obrigado



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O HINO DE ISABEL

Por ocasião da Visitação, o canto que Isabel entoa como canto de boas-vindas à Virgem Maria conhece três tempos fortes: o da bênção à mãe e ao filho; o da primeira profissão de fé cristã, Jesus reconhecido como Senhor, - “meu Senhor”; e aquele da bem-aventurança que encerra o canto. Esse hino nos faz remontar ao tempo dos inícios: escutamos a primeira bem-aventurança dos evangelhos, o primeiro reconhecimento da grandeza do menino e de sua mãe, e a primeira e mais importante das bem-aventuranças, a da fé.


São três os tempos fortes do hino, três as pessoas que intervêm no canto: O Espírito Santo que transforma esse hino em palavra de Deus e lhe imprime sua garantia; Isabel que se deixa encher o coração e a boca da inspiração de Deus, e o evangelista que escreve o hino para que sua Igreja possa lê-lo e cantá-lo.
O Espírito pousa sobre Isabel, sobre o evangelista e sobre sua Igreja. Será sempre Ele o sopro a fazer cantar a Igreja ao longo dos séculos. É Ele que dá força a essas palavras; é Ele que reveste essas palavras de fé e amor; para todos os discípulos de Jesus, Ele põe vida e luz nas palavras. É ainda Ele a criar em torno da Virgem Maria uma auréola de santidade, de veneração e de afeição; Ele faz de Maria um ícone todo vestido de luz.
Mas os testemunhos de Isabel e do evangelista, ainda que se expressem com os mesmos termos, vêm carregados de conteúdos diferentes. Isabel vive e canta acontecimentos que estão a produzir-se; suas palavras estão plenas de realidades presentes; ela canta o presente: Maria que está diante dela e seu Filho. O evangelista e a Igreja cantam observando os acontecimentos passados; entre esses e os escritos de Lucas há um lapso de tempo de mais ou menos cinquenta anos; e nesse intervalo há a luz da ressurreição, a manifestação de Pentecostes, as missões em todas as partes do império romano e mesmo além. Estamos diante de dois tipos diferentes de fé, mas fé em continuidade e uma nutrindo a outra: Isabel encontra-se no presente da salvação que começa; Lucas está no presente da salvação acontecida, no presente da missão.
Isabel fala diretamente a Maria e lhe dá elogios; alegra-se com a maternidade dela, glorifica a grandeza de seu Filho e admira a audácia de sua fé. Ela faz uma releitura do dia da Anunciação: nesse dia Maria foi abençoada, nesse dia começou a ser a Mãe do Senhor, nesse dia demonstrou uma fé extraordinária; mergulhou na aventura de Deus que deseja ser homem entre os homens. Sua jovem prima se encontra no solar da casa; Maria acaba de saudá-la e o menino exultou no seio de Isabel. Seu hino é repassado da alegria que ela experimenta ao acolher Maria em sua casa. Isabel descreve a jovem Maria tal como a percebe, ao entrar em sua casa: mulher bendita, jovem mãe do Senhor, forte na fé. E em tudo isso, Maria é sua prima, sua jovem prima. Os olhares das duas mulheres se cruzam, suas vozes se misturam, elas compreendem o segredo que as habita. Depois de abraçar Maria, Isabel pôde perguntar: “Como é possível que me venhas visitar? Quem te contou que eu esperava um filho, eu que, durante seis meses, guardei segredo?” Maria lhe fala de sua experiência de Deus, das palavras de Gabriel e do Filho que ela traz consigo e que todos os dias lhe arrebata o coração. Aqui, na aurora da salvação, explode a alegria de duas mães. Isabel não faz teologia, ela vive, ela acolhe Maria, sua colega na salvação que sobrevém. Deixemos a essas duas mamães a alegria de se encontrarem, de se maravilharem, de ambas serem portadoras da vida, de se reconhecerem alvos de um amor especial de Deus. Respeitemos esse momento de alegria!
Passemos a Lucas, àquele que escreve e que tem uma longa experiência de Igreja, participando das viagens de Paulo, procurando testemunhas para escrever seu evangelho. Nos Atos dos Apóstolos, no dia de Pentecostes, ele faz o levantamento do novo império da Palavra que chegou até os Medas, os Partos, os Elamitas, o povo da Capadócia, de Cirene e mesmo de Roma. Sua visão das coisas é diferente daquela de Isabel. Ele compreende o fato da Visitação com um recuo no tempo, com a reflexão que a jovem Igreja teve que fazer, ajudada pelo Ressuscitado e pelo Espírito que conduz à toda verdade. Ele emprega as mesmas palavras que Isabel, porque é ele que escreve, mas o conteúdo é diferente. Passamos da alegria das duas mães a percepções teológicas: Maria não é apenas abençoada aos olhos de Isabel; ela é agora a mulher bendita por toda a Igreja e por todos os tempos; é uma verdade da fé. Jesus não é mais e apenas o Senhor de Isabel; ele é o SENHOR de todos os cristãos. Tudo o que diz Isabel faz parte, agora, do depósito da fé de todos os discípulos de Cristo. A Igreja vai fazer ressoar o hino de Isabel por todos os séculos, em todas as culturas, levando a mesma alegria, a mesma necessidade de dizer a Maria; “Tu és bendita entre todas as mulheres e teu filho é bendito... Tu és a Mãe de nosso Senhor, tu és a Mãe de Deus; para todos nós, és modelo por tua fé audaciosa”. Passamos da transitoriedade do presente, em que estava Isabel, para um presente que não tem fim. Com Lucas, nesse hino nos localizamos na fé da jovem Igreja, uma fé consolidada, que pinta de Maria um quadro definitivo. Onde Maria expressava sua alegria e sua fé, nós, hoje, afirmamos nossa fé e nossa alegria, fé e alegria que trilham, com a Igreja, as estradas do tempo.
Há também uma nuance entre o singular e o plural, entre o que posso viver em minha relação com Maria, e o que a Igreja pode viver como povo de Deus. Quando estou sozinho, revivo os sentimentos e as emoções de Isabel. Quando esse ritmo se torna liturgia, encontro-me entre o povo de Deus, fazendo profissão de fé, profissão que pode ser oração extremamente jubilosa.
Portanto, podemos compreender quanto o singular e o plural se compenetram; quanto o singular prepara o plural e o plural reforça o singular. É o Espírito que faz passar o canto de Isabel para a fé da Igreja; é ele que unifica o singular e o plural. Ele faz de Isabel uma cristã que já canta a fé da Igreja, enquanto a Igreja vai dar durabilidade ao canto de Isabel. O Espírito afina as vozes numerosas; com Ele, Isabel e Lucas encontram lugar em nosso coração; então nosso acolhimento à Mãe e a seu Filho será completo.



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