Alguns minutos com tua mãe obrigado


E VOCÊ LHE DARÁ O NOME DE JESUS



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E VOCÊ LHE DARÁ O NOME DE JESUS

Mt 1, 21 e Lc 1, 31
E você lhe dará nome de Jesus.” Eis o que o anjo disse, igualmente, a José e a Maria; são eles que devem dar o nome à criança.

Somente podem dar nome a um filho aqueles que têm com ele uma relação de vida, uma relação tão profunda que faça depender deles, de seu amor e de sua dedicação, a vida do nascituro. O vínculo é a vida, colorida de amor e de responsabilidade. Dar o nome é um direito e dever para que o menino encontre na sociedade um espaço oficial. O nome indica uma pessoa; dizer o nome é chamar uma pessoa a uma relação, a um encontro; é o ponto de partida de um diálogo, é fazer entrar o menino na aventura humana. O nome faz existir e distingue uma pessoa. O nome é uma palavra mágica. Depois, tudo depende do tom de voz; pela voz passam todas as nuanças dos nossos sentimentos humanos, desde os mais suaves até os mais ferozes. Chamando Jesus pelo nome, Maria começa um processo de humanização do Filho de Deus; nela se forma o corpo, mas também a pessoa de Jesus.


O fato de o anjo dizer a Maria e a José que deem o nome ao menino, ilumina esse vínculo especial que existe entre a mãe, o pai e o menino. O seu vínculo com ele precede todos os outros vínculos que o povo terá com Jesus; é um vínculo de vida, de amor, de responsabilidade, que percorre toda a existência de Maria, de José e de Jesus. O nome abre o espaço à convivência, à vida em família, à vida na célula mais íntima da sociedade, em que o menino pode crescer sadio: “em sabedoria, estatura e graça, diante de Deus e dos homens” (Lc 2, 52). Chamado pelo nome, o menino lentamente cria seu espaço no coração do pai, da mãe, na família e na sociedade. Através do nome passa a construção básica da pessoa. Cada vez que o menino ouve seu nome, cada vez que Maria chama Jesus, cada vez que José lhe fala, ele cresce, ele entra nas palavras humanas, ele descobre os sentimentos que se movem no coração da mãe, do pai, das pessoas. Chamado, o menino entra lentamente no universo humano e compõe sua personalidade.
É importante que o nome seja confiado ao pai e particularmente à mãe. Esta tem nove meses para tecer, com o fruto de seu seio, relações humanas particulares nas quais predomina o afeto, a espera, a curiosidade de saber quem será a criança e qual seu rosto. Ora, Gabriel anuncia a Maria o nome do menino precisamente no início de sua aventura humana. Quando “a Palavra se faz homem” (Jo 1,14), um nome é semeado no coração da mãe, um nome que diz a identidade e a missão do menino, um nome que brilha como um sol no horizonte da vida. Maria dispõe de nove meses para repetir esse nome, para chamar ‘Jesus’, o fruto do seu ventre, para transmitir a Jesus o seu afeto, para criar um clima de serenidade para o filho. Nas profundezas da aventura humana de Jesus há esta relação profunda da mãe e do filho; cada vez que Maria o chama pelo nome, cada vez que diz ‘Jesus’, lentamente emerge na consciência dele que alguém na humanidade o ama, lhe dá um nome, o seu nome: ‘Jesus’ - “Deus salva”! (cf. Mt 1, 21).
Chamar pelo nome é também possuir. “Chamei-te pelo nome, e tu és meu”, disse Deus a Israel. Deus que criou as estrelas pode também chamar cada uma pelo nome. Dizer o nome é também exprimir poder sobre outrem: “Lázaro, venha para fora!”, diz Jesus, “e o morto saiu. Tinha os braços e as pernas amarrados com panos” (Jo 11, 43-44). Dizer o nome é fazer passar do esquecimento à lembrança, do não-ser ao ser, da morte à vida. Basta que Jesus pronuncie o nome de Madalena, ‘Maria!’, para que ela passe da aflição à vida, do pranto à alegria. Quando Jesus pronuncia o nome, Maria entra na ressurreição do seu Rabuni, torna-se partícipe da ressurreição do seu Senhor, ela também ressuscita.
Dar o nome é também abrir a porta à invocação do nome, à invocação do poder do nome: “Jesus, lembra-te de mim, quando vieres em teu Reino”. Jesus respondeu: “Eu lhe garanto: hoje mesmo você estará comigo no Paraíso” (Lc 23, 42-43). Os Atos dos Apóstolos e Paulo recordam o poder absoluto do nome de Jesus: “Não existe salvação em nenhum outro, pois debaixo do céu não existe outro nome dado aos homens, pelo qual possamos ser salvos” (At 4, 12). Na carta aos Filipenses, Paulo escreve: “Ao nome de Jesus, se dobre todo joelho no céu, na terra e sob a terra; e toda língua confesse que Jesus Cristo é o Senhor, para a glória de Deus Pai” (Fl 2, 10-11). O nome de Deus “YHWH”, que escapava ao poder do homem, agora é dado em Jesus como nome a ser invocado, como nome no qual se entrelaça o amor de Deus e do homem.
O início da ciência encontra sua primeira fonte quando o homem, Adão, dá um nome às coisas; dar um nome é o início da ordem que cada ciência quer descobrir ou criar. Sem nome não há ordem, sem ordem não há ciência, sem ciência o homem não pode ser o rei da criação. Isso também é verdadeiro para o Filho de Deus: quando recebe um nome, ele entra na ordem humana. Semelhantemente, cada vez que Maria, a mãe, chama Jesus pelo nome, convida-o entrar na vida, ou seja, num mundo de relações.
Quando Adão se encontra pela primeira vez diante de Eva, floresce o primeiro hino ao amor:

“Esta sim

é osso dos meus ossos

e carne da minha carne!

Ela se chamará mulher,

porque foi tirada do homem!”(Gn 2, 23).


O nome “mulher” exprime a alegre descoberta do amor. De fato, os versículos que seguem aludem ao matrimônio: “Por isso, um homem deixa seu pai e sua mãe, se une à sua mulher, e eles dois se tornam uma só carne” (Gn 2, 23).
Esse amor das origens se renova de algum modo entre a mãe, Maria, e o seu filho; também ela, com razão, pode dizer:

“Este menino

é osso dos meus ossos

e carne da minha carne:

chamar-se-á Jesus!”.
Jesus é de fato o novo Adão, e sua Mãe, a nova Eva. E como não recordar que o nome Jesus desceu do céu, a iniciativa da salvação vem do alto! Zacarias viu Jesus como “o sol que nasce do alto” (Lc 1, 78).
Há muito amor entre Maria e o seu filho, entre José e o pequeno Jesus. Entretanto, esse amor humano amadureceu primeiramente no céu: “No sexto mês, o anjo Gabriel foi enviado por Deus ...” (Lc 1, 26).
Chamar Jesus pelo nome, com toda a tessitura humana que envolve, é também dado a cada um de nós. A graça oferecida a Maria e a José está disponível; cada discípulo é convidado a trilhar com Jesus a aventura do amor.


  1. O SINAL

Nos dois primeiros capítulos do Evangelho de Lucas, os sinais são numerosos; acompanham a vinda de Jesus. Zacarias recebe seu sinal: “Ficarás mudo!”; Maria ouve o anjo a dizer: “E eis que tua prima Isabel está grávida e este é o sexto mês daquela que era chamada estéril, pois para Deus nada é impossível” (Lc 1, 37). Também aos pastores é dado um sinal: “Encontrareis um recém-nascido, envolto em faixas”. Em Mateus, é José que recebe o grande sinal “da virgem que dará à luz um filho” (cf. Mt 1, 23), no anúncio de Isaías. Os magos, em sua longa viagem, seguem o sinal da estrela que os orienta até o menino com sua mãe.


O sinal é dado como uma força de atração, como uma graça que faz caminhar até um lugar de salvação, e anuncia um encontro com Deus; ele pode ser visto como uma ponte entre duas teofanias. Os pastores correm à procura do menino, os magos vêm de longe, chegam a Jerusalém e perguntam pelo rei que acaba de nascer; o velho Simeão vai ao Templo, a profetisa Ana corre feliz e anuncia o menino que será a “libertação de Jerusalém”. Entre as duas teofanias, a segunda é, em geral, mais rica do que a primeira. No evangelho de João os sinais também contêm uma revelação sobre Jesus, seguida de longa reflexão onde a revelação se desenvolve e se esclarece: o pão é multiplicado, mas o verdadeiro milagre é o Pão da vida; o cego é curado e, finalmente, ele se prosterna diante daquele que ele reconhece como seu Senhor.
O sinal é um apelo, um encontro. Maria parte, apressada, para a casa de Zacarias e isso se torna uma primavera de salvação. Sua viagem, trazendo o menino consigo, será a primeira missão cristã; pela primeira vez, Jesus é levado pelos caminhos dos homens. Na casa de Isabel ouviremos a primeira profissão de fé cristã, quando a mãe do pequeno João reconhece a jovem Maria como “a mãe do meu Senhor”. Todo cristão fala de modo possessivo do filho de Maria: “Tu és meu Senhor” e reconhece Maria como a Mãe do meu Senhor. Nesse contexto, é cantado para Maria o primeiro hino nascido do Espírito: “Bendita és tu, mãe de meu Senhor, tu és bem-aventurada”. No lugar indicado pelo sinal, Maria canta o Magnificat, primeiro grande louvor dirigido a Deus, no evangelho, e síntese da salvação. Seguir o sinal não significa apenas cantos e hinos, mas também grande alegria, partilha de graças, acolhimento à vida e às crianças. Os sinais nos convidam ao movimento: Maria, os pastores, os magos, Simeão, Ana a profetisa são pessoas em movimento porque Deus convoca e envia em missão.
O sinal, quando é seguido, como no caso da Visitação, torna-se palavra de Deus a iluminar Maria e a família de Zacarias e será sempre luz para aqueles que vêm encontrar essa palavra, na oração. Hoje, somos esclarecidos, confortados, despertados pelas palavras da Visitação.
Nos Evangelhos, Maria é a primeira a meter-se a caminho por causa de um sinal. Seu consentimento a Deus é seguido de uma partida. Os passos de Maria, pela estrada que conduz à casa de Isabel, conferem ao ‘sim’ um primeiro aspecto concreto: o ‘sim’ que foi acolhida torna-se, agora, missão.
Maria vai receber outro sinal, o da espada, profecia probatória e dolorosa, sinal precedido de uma bênção especial: « Simeão os abençoa e depois diz à Mãe: « Este menino será causa de queda e de reerguimento para muitos em Israel. Ele será um sinal de contradição e uma espada traspassará tua alma” (Lc 2, 34-35). Espada que convida a mãe à fidelidade, especialmente quando muitos serão contra seu Filho e vão querer sua morte; fidelidade quando a família pensa que Jesus perdeu a cabeça. Depois, a cruz, plantada como um espada sobre o Calvário, também atravessa o coração da mãe. A fidelidade ao sinal, aqui, conduz Maria a uma nova maternidade, a maternidade da espada, incluindo a cada um de nós: “Mulher, eis o teu filho”.
Assim, seguir o sinal não é desconfiança que procura verificar se é verdade o que Deus disse, mas significa crer, confiar em Deus, obedecer-lhe. Há uma diferença entre os que pedem um sinal e aqueles

que recebem um sinal. Aqueles que pedem um sinal muitas vezes colocam Deus à prova: “Esta geração perversa pede sinais. Não lhe será dado nenhum sinal a não ser o sinal de Jonas.” Para aqueles, ao invés, aos quais é dado um sinal, este se torna porta aberta a um futuro cheio de graças. Francisco de Assis vê em sonhos uma igreja que desmorona; ele compreende que deve reconstruir a Igreja. Para Teresa de Calcutá os pobres que morrem nas ruas são um sinal; ele vai colocar toda sua vida, toda sua energia, para tirá-los da miséria. São Marcelino Champagnat assiste o jovem Montagne, um rapaz agonizante que não sabe nada de Deus; isso revolve seu coração e funda os Pequenos Irmãos de Maria com a missão de “tornar Jesus Cristo conhecido e amado”. Ao obedecerem a esses três sinais, São Francisco, S. Marcelino e a Madre Teresa deram origem a fontes de graças inumeráveis. Quem pode calcular os frutos de um sinal acolhido? Ele põe em comunhão com a inextinguível fecundidade de Deus.


Deus, constantemente, envia sinais:

« Sinais aos milhares, traços de sua glória;

Sinais aos milhares, Deus em nossa história ».
Eles germinam na complexidade de nosso mundo. Às vezes estão bem próximos; para Marcelino e para Madre Teresa os sinais estavam no contexto de suas vidas. Nossa família religiosa, durante o Capítulo geral de 2009, leu, através do que se passava nos encontros, o sinal da “terra nova”, ou melhor, “a necessidade de partir depressa, com Maria, para uma nova terra”; e nós nos movemos, como diz a carta aos Hebreus, “sem saber aonde íamos”. No entanto, sabemos que seguir o sinal equivale a acolher o plano de Deus, ou seja, um futuro rico de vida.




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