Alguns minutos com tua mãe obrigado



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NOVE MESES NO SEIO

Como todos nós, Jesus se formou no seio da Virgem Maria, durante nove meses. Muito brevemente, Paulo e João aludem a essa fase. Paulo escreve aos Gálatas: “Mas quando chegou a plenitude dos tempos, Deus enviou seu Filho, nascido de mulher” (Gal 4, 4). Também João nos recorda esse período, de passagem: “E o Verbo se fez carne e veio morar no meio de nós” (Jo 1, 14).


Está presente, por tempo mais longo e mais rico, nos Evangelhos de Mateus e de Lucas. Quando Maria está grávida, Mateus se demora nos problemas de José, o justo, sobre o sonho que convida José a acolher Maria e a criança que está nela, obra do Espírito Santo. Tudo se encerra com a profecia de Isaías: “Eis que a jovem conceberá e dará à luz um filho e lhe porá o nome de Emanuel” (Is 7,14). Profecia que muito provavelmente tinha amadurecido no inconsciente de José e o tinha orientado a compreender a situação de Maria; vislumbre do inconsciente que, no sono, tornar-se-á palavra do anjo e luz, no coração de José, a iluminar o mistério que está vivendo a jovem Maria. Quando o nascimento encerrar esse tempo da criança no seio da mãe, José dará ao filho o nome que o anjo lhe revelara.

Lucas dá lugar a mais eventos, durante esse período da gravidez da Madona: a Visitação cheia de alegria, de cantos, e que dura três meses; depois, com José deixa Nazaré, vai a Belém e encontra refúgio nesse lugar, onde o mistério do Verbo, feito homem, será cercado de mais tranquilidade, de menos curiosidade.


No todo, pouco é dito sobre esse tempo em que Jesus se forma no seio de sua mãe. É coisa muito normal porque, então, muito pouco se sabia sobre as influências psicológicas recíprocas, entre a mãe e a criança. Sabia-se que o corpo se formava no seio materno e isso era expresso pelo termo “encarnação”; mas, fugia o aspecto da “humanização” da criança ainda no seio.

Sabemos, agora, da quantidade infinita de influências e trocas entre a mãe e a criança, e também entre o pai e a criança, se o pai vive momentos de intimidade com o filho que espera. Descobrimos que “a humanização” acompanha ‘pari passu’ a encarnação da criança. A mãe e o pai fazem-na entrar em seus afetos e, enquanto cresce seu corpo, nela desperta também a consciência de ser alguém, de receber muito, e também de ter poder sobre o coração, sobre a mente da mãe e do pai.


Quando a mãe a chama, quando estabelece com ela os diálogos repletos de amor, que todas as mães mantêm com o fruto de seu seio, quando coloca suas mãos sobre o ventre para acariciar o nenê, sabe que nela se forma uma pessoa, uma pessoa única: ela entra no universo das vozes, das palavras, dos sentimentos, dos valores. Esse período de nove meses é um tempo único para o desabrochar da personalidade do filho. Nesses meses, já se forma o seu caráter, segundo as relações que os pais têm com ele: paz, serenidade, afeto, preparam o filho a ter fé na vida; enquanto as angústias da mãe, do pai ou do casal terão influências negativas sobre o caráter da criança que herdará insegurança pessoal. A mãe exerce uma importância capital na humanização e na futura personalidade da criança. Isso mesmo se pode afirmar para as relações entre Maria e Jesus. Dizíamos que a encarnação e a humanização caminham ‘pari passu’.
Por sua vez, a criança, mesmo no seio, já tem um grande poder sobre a mãe e a transforma. Há diferença entre uma jovem celibatária e uma jovem que espera uma criança. Não é apenas o corpo que se transforma; o coração e a mente recebem um centro novo, com mil sentimentos e emoções nunca antes experimentados. A jovem que espera uma criança vive um período de grande maturidade humana, é mais responsável, mais desapegada de si, centrada na criança; percebe que sua vocação de mulher atinge sua plenitude. Nesse período, a criança torna-se um tanto a timoneira da mãe. Sob certo aspecto, a mãe traz no ventre a criança, e esta, por sua vez, plasma a personalidade da mãe.
Pensar assim de Jesus e de Maria não é apenas lícito, mas é muito humano; é belo, é verdadeiro e nos faz descobrir que ligações nosso Deus tem com a jovem Maria e que ligações quer estabelecer conosco. É um Deus que não somente atrai nosso amor, mas nos dá o seu; dirige nossa pessoa para maior maturidade e faz-nos viver uma aventura de amor; em seu seio, começamos nossa vida eterna. A encarnação e a humanização de Jesus tornam-se ícone de nossa própria aventura espiritual: Deus nos traz em seu seio e lentamente nos diviniza.




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