Alguns minutos com tua mãe obrigado



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MARIA, A VIRGEM

Durante uma refeição, chegamos a falar sobre o estilo de vida de Maria e José. A senhora que nos tinha convidado, surpreendida e incrédula, disse: "Como é, eles estavam casados, viviam sob o mesmo teto e nunca dormiram juntos? É incrível!" Foi esta a reação espontânea de uma senhora que era uma boa católica. Isso mostra como é difícil entender a virgindade perpétua de Maria, ou seja, que se manteve virgem toda a vida.


Aceitamos que Maria seja virgem na concepção de Jesus, pelo testemunho dos Evangelhos de Mateus, Lucas e provavelmente João. Mateus afirma que Maria teve o filho, antes de viver com José; nesta fase do casamento judaico, em que os dois jovens permaneciam no seio das suas famílias, as relações sexuais eram proibidas. A perícope que conta a concepção de Jesus tem o seu ápice quando o anjo diz a José que "a criança que Maria tem no seu ventre é obra do Espírito Santo", conforme anunciado pelo profeta Isaías: "Eis que a virgem conceberá e dará à luz um filho e será chamado Emanuel" (Mt 1, 18-23). Também Lucas diz que Gabriel é enviado a uma virgem, chamada Maria (Lc 1, 26-38). Para alguém que tem fé, a virgindade de Maria na concepção de Jesus não é problema.
Lemos várias vezes nos Evangelhos que Jesus tinha irmãos e irmãs; isso pode-se explicar pelo termo judeu "Ah" que quer dizer "irmão e irmã". Essa palavra sempre teve um valor polissêmico, abrangendo relações familiares como "irmãos de sangue, meio-irmãos, primos, parentes distantes e até mesmo amigos." As famílias do tempo de Jesus tinham formato patriarcal. Muitos dos primos viviam juntos, e a gente chamava-os irmãos e irmãs. Assim ocorre também na África, em Madagascar e em muitas sociedades asiáticas.
Se compararmos Maria e José conosco, não compreendemos a sua virgindade, não encontramos padrão referencial para avaliar a decisão de Maria e José; eles não se encaixam no esquema de amor recorrente entre homem e mulher. O mundo em que vivemos também não nos ajuda, pois ele conhece uma explosão sexual, talvez, nunca vista na história. Pode perturbar a nossa visão sobre o amor de Maria e de José.
Para entender o coração de Maria e de José e sua relação de marido e mulher, é preciso remontar até a origem do amor, ao Deus de amor. O Amor de Deus é universal, eterno, ama todas as criaturas e de todas se preocupa. Esse amor é como uma semente lançada no coração e no seio da jovem Maria, e a esse amor é convidado também o jovem José: "José, filho de David, não temas receber Maria como tua esposa, porque O que nela foi gerado vem do Espírito Santo..." (Mt 1, 20). Maria e José foram invadidos pelo amor de Deus; experimentam um amor sem fronteiras. Eles entram no extraordinário amor do Filho; como Ele, eles amam sem fronteiras e o seu amor chega até nós, hoje. Nós somos amados por eles, porque o seu amor é virginal, universal. No seu projeto de amor mútuo, belíssimo, entrou o amor de Deus, abrindo-o ao infinito.
Eles não deixaram de se amar, mas amavam de outra maneira, totalmente, sem nenhum resquício de egoísmo; eles tinham outra forma de amar. O amor entre eles parte de Jesus, que com eles partilha o Seu amor. Os judeus chamavam esse amor de "HESED", isto é, essência de Deus: amor fiel, amor de ternura, amor de misericórdia, amor de bondade, amor de iniciativa, que nos antecede e acompanha. Maria e José ultrapassaram as nossas canções de amor, por magníficas que sejam. Eles entraram na polifonia do poderoso amor de Deus. Sim, apenas à luz de Deus se pode ter uma ideia do amor de Maria e de José.
Estamos perante um caso único? Em cada pessoa vibra a voz de um amor sem limites de tempo e de espaço. Mas essa voz, muitas vezes mal se percebe. No entanto, Paulo escreve aos Gálatas: "Já não há judeu nem grego, não há escravo nem livre, não há mais homem nem mulher, porque todos vocês são um em Cristo Jesus "(Gl 3, 28). Toda a pessoa tem consciência de uma dimensão horizontal em direção à terra e em direção aos homens, e de uma dimensão vertical em direção a Deus e em direção aos homens. Em Maria e José prevaleceu a dimensão vertical que reforçou a dimensão horizontal; com efeito, em seu amor, encontramos o nosso lugar. Ir para Deus é acolher no coração todos os homens.
O amor de Maria e José é assimilado pela aventura humana de Jesus, "iniciada antes da criação do mundo", atravessa os séculos e penetra na eternidade. Estamos diante de um amor universal, um amor virginal. Mas longe de nós, imaginar que o amor de pessoas casadas não é bom, não é santo. Todos nós nascemos desse amor, fomos como que tecidos interiormente pelo amor de nossa mãe e de nosso pai, como também pelo seu mútuo amor.
Maria e José foram convidados a participar do amor de Jesus. Ele escolheu o amor difícil da Cruz, o único amor que O torna irmão universal. Nesse contexto se ilumina a virgindade perpétua de Maria. Ela encontra seu fundamento no Filho que foi dado a Maria e a José. Os padres do Concílio Vaticano II permitem avaliar como essa fé está presente na Igreja. O Capítulo VIII da Lumen Gentium, totalmente dedicado a Maria, repete à saciedade a expressão “a bem-aventurada Virgem Maria”.





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