Alguns minutos com tua mãe obrigado


A BEM-AVENTURADA VIRGEM MARIA



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A BEM-AVENTURADA VIRGEM MARIA

Entre os títulos mais populares dados à Mãe de Jesus, seja pela gente simples, seja pela liturgia, há aquele que a proclama “bem-aventurada”. É uma bem-aventurança toda especial e revela aquela que carregou em seu seio o Filho de Deus. Podemos quase falar de uma bem-aventurança no superlativo porque floresce em todos os tempos, em todos os povos que foram tocados pela Palavra de Deus. É como se a jovem Maria vivesse já todas as bem-aventuranças que Jesus iria proclamar no seu discurso sobre a montanha: Maria já é a filha da nova lei (do Filho). Sua bem-aventurança precede e prepara as outras.


Três vezes ela é proclamada bem-aventurada: Isabel, admirando a fé da jovem Maria, diz: “Bem-aventurada aquela que acreditou...”. Essa bem-aventurança retorna sobre os lábios de Maria no seu Magnificat: “Doravante todas as gerações me chamarão “bem-aventurada”. Segue-se o grito entusiasta da mulher cheia de admiração por Jesus: “Feliz o ventre que te carregou; feliz aquela que te amamentou”. Excetuando o Filho, nenhuma outra pessoa, no Novo Testamento, foi tantas vezes proclamada “bem- aventurada”.
A bem-aventurança que repousa sobre a jovem Maria não vem de uma atitude espiritual, como a pobreza em espírito, a doçura, a misericórdia, a pureza de coração, a arte de construir a paz... Sua bem-aventurança provém de uma fonte que contém todas as outras bem-aventuranças; ela brota do próprio Filho, do vínculo que há entre o Filho e a Mãe. Entre as bem-aventuranças, esta goza de uma certa primazia; ela precede e permite as outras.
Já Isabel se havia encaminhado para essa primazia. Seus louvores a Maria conhecem um crescendo que vão da bênção “Você é bendita, entre as mulheres, e é bendito o fruto do seu ventre” (Lc 1, 42), ao maior título que se possa dar a Maria: “a Mãe do meu Senhor” (Lc 1, 43), para terminar na bem-aventurança da fé: “Bem-aventurada aquela que acreditou, pois o que lhe foi dito da parte do Senhor será cumprido” (Lc 1, 45). Dela será também a última das bem-aventuranças: “Felizes os que acreditaram sem ter visto” (Jo 20, 29). Maria vive a primeira e a última das bem-aventuranças: sua fé antecipou os acontecimentos. É também a bem-aventurança de base; todas as outras supõem a fé. Caminhando pela via mestra da fé, carregando em si o Filho de Deus, pondo a seu serviço todas as faculdades de sua pessoa, Maria abre espaço em si para todas as bem-aventuranças que seu Filho proclamará no Discurso sobre a Montanha.
Mas a bem-aventurança mais surpreendente e mais universal é aquela que brota de seus lábios de Mãe: “Sim! Doravante as gerações todas me chamarão bem-aventurada” (Lc 1, 48). É uma bem-aventurança única em seu gênero e apenas uma vez expressa nas Escrituras. A fonte dessa bem-aventurança está totalmente no fato de “Deus olhar para a humilhação de sua serva... E fez nela grandes obras”. Aqui, a bem-aventurança não nasce em Maria, mas vem sobre ela. Maria como que faz eco àquilo que Gabriel lhe havia dito: “O Senhor está com você... você encontrou graça diante de Deus”. É a iniciativa de Deus que torna Maria feliz: Deus vive com Maria uma relação especial; e essa relação chama-se Jesus. É a grandeza desse dom que constitui toda a alegria de Maria, sua chance espiritual.
E nós, nós somos testemunhas de que essa profecia da jovem Maria se realizou no tempo, de geração em geração, em todos os povos aos quais seu Filho foi anunciado como o único Salvador. Essa bem-aventurança é a mais fundamental, a mais fácil de medir, a mais frequentemente verificada, e por nós renovada, em nosso louvor à Mãe do Senhor.
Uma mulher está na origem da terceira proclamação da bem-aventurança de Maria. Perante Jesus, compreendendo a beleza de suas palavras, vendo o poder de seus atos, certa mulher, quase com sadia inveja, grita: “Felizes as entranhas que te trouxeram e os seios que te amamentaram!” (Lc 11, 27). Essa bem-aventurança é motivada pela grandeza do Filho, pela admiração que ele suscita. É proclamada por uma mulher. As mulheres sabem que a grandeza lhes vem de seus filhos. Essa mulher intui toda a honra que reflui sobre a mãe de tal profeta: ele é grande, e ela nisso é glorificada. No grito da mulher tocamos o gênio feminino, sua capacidade de intuição. Aqui também a fonte da bem-aventurança é o Filho; é uma bem-aventurança direcionada às bem-aventuranças do Discurso sobre a Montanha. E, ao mesmo tempo, o grito entusiasta dessa mulher constitui a primeira realização da profecia da Virgem Maria: “Todas as gerações me chamarão bem-aventurada”.
Mas a essa bem-aventurança da Mãe nós não somos estranhos. Ouvindo o grito da mulher, Jesus passa logo do singular “Felizes as entranhas que te trouxeram”, ao plural e escancara as portas da bem-aventurança, que parecia uma prerrogativa da mãe: “Mais felizes são aqueles que ouvem a palavra de Deus e a põem em prática” (Lc 11, 28). Jesus nos deixa adivinhar outra fonte da bem-aventurança de sua Mãe: a capacidade de escutar a Palavra, de guardá-la e encarná-la. Mas Jesus, falando no plural, diz que isso também está ao nosso alcance.
Não somos estranhos à bem-aventurança de Maria por duas outras razões: O mesmo amor que atingiu Maria, também nos alcança: “Deus amou de tal forma o mundo, que entregou seu Filho único... para que o mundo fosse salvo” (Jo 3, 16). Maria foi precedida pelo amor de Deus; assim também acontece conosco. A segunda razão é que a bem-aventurança de Maria nos diz respeito: o Filho que lhe é dado, é dado também a nós; a humanidade da mãe e nossa humanidade são unificadas pelo Filho que “se faz carne”; “nascido de mulher, na plenitude dos tempos”, nasce Irmão de cada um de nós.
Depois há a oração àquela que é bem-aventurada, a oração nos faz entrar na bem-aventurança de Maria. Ela nos familiariza com esse Deus que alcança nossos caminhos, que se faz nosso e se faz criança entre nós. Nós a louvamos porque o aquele que a torna “feliz”, também torna felizes a nós. É um louvor alegre que sobe a Maria, com a consciência de que somos da mesma família; e que ela é nossa mãe.




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