Alexandre Herculano (1810-1877) foi um escritor português muito conceituado, sendo



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Alexandre Herculano (1810-1877) foi um 

escritor português muito conceituado, sendo 

hoje considerado o criador do romance histórico 

português. Para além de escritor, foi também 

historiador e ensaísta. Na área da Literatura, 

Alexandre Herculano dedicou-se à poesia e 

ao romance. Em grande parte das suas obras, 

o tema é a história de Portugal, que o autor 

trabalhou de maneira diferente, utilizando vários 

recursos que transformam a simples sucessão de 

acontecimentos numa história, tornando-a mais 

apelativa, como verifiquei no livro A Abóbada. 

 

Esta obra fala-nos do trabalho de dois 



grandes arquitetos envolvidos no projeto e 

construção da abóbada do Mosteiro da Batalha: 

o mestre Afonso Domingues, português, e o 

mestre Ouguet, irlandês. Para compreendermos 

melhor o livro temos de, primeiro, recuar no 

tempo para nos enquadrarmos com a escassez 

de recursos técnicos na altura e, por isso, com a 

dificuldade em fazer uma obra destas. Naquela 

época, demorava-se décadas, às vezes séculos, 

a fazer obras desta dimensão, as quais exigiam 

muitos e muitos homens para a sua construção, 

pelo que constituíam sempre um grande feito. 

A pessoa que a projetasse, caso tivesse sucesso, 

tinha reforçado o orgulho pessoal e conquistado 

o reconhecimento, a admiração e a glória. Hoje 

em dia, muitos dos problemas que se colocavam 

outrora estão ultrapassados, devido aos sucessivos 

avanços  tecnológicos,  entretanto  verificados, 

que tornariam aquele trabalho menos difícil de 

realizar. Porém, em cada momento da História 

o Homem enfrenta dificuldades face aos novos 

desafios que constantemente aceita, na ânsia de 

ir mais longe e de permanentemente se superar.

 

Segundo a narrativa, já Afonso Domingues 



havia terminado o projeto, quando em 1401 fica 

cego numa batalha ao serviço do rei D. João I. 

Após o grave acontecimento, o rei duvida que 

o mestre consiga terminar a obra, tendo então 

contratado Ouguet. Este altera o plano da 

construção da abóbada de Afonso e constrói-a 

segundo o seu próprio plano. Aquando da sua 

apresentação e enquanto Ouguet foi chamar o 

rei, a abóbada desabou. Depois do incidente, D. 

João I lamenta ter duvidado do mestre Afonso 

Domingues e, após uma longa conversa com o 

intuito de o convencer a voltar a erguer a abóbada, 

este aceita. E o Mestre tinha razão! Volvidos 

mais de cinco séculos a abóbada continua lá. Se 

ele pudesse ver…

 

Mais do que o episódio central da abóbada, 



a leitura do livro remete-nos para o significado 

de três palavras que estão implícitas na obra: 

desejo, ambição e eternidade. O desejo e a 

ambição do ser humano de querer sempre mais, 

que nos tornou o que somos hoje, que definiu e 

define o nosso percurso civilizacional. O mesmo 

desejo e ambição que, neste momento, nos faz 

pensar em chegar a Marte, tal como, no passado, 

nos fez aspirar a construirmos grandes obras 

como o Mosteiro da Batalha. Eternidade pelo 

testemunho que a história mantém vivo sobre 

os autores de obras que se tornaram grandiosas. 

Se  fizermos  uma  breve  reflexão,  constatamos 

que ainda hoje o nome de Afonso Domingues 

é evocado. Relembrá-lo quer dizer torná-lo 

presente pela memória e, num certo sentido, é 

uma forma de eternidade. Não apenas como 

uma pessoa que viveu, mas como a pessoa que 

projetou o célebre Mosteiro da Batalha, algo que 

nem uma catástrofe poderá abalar.

 

A ação do rei em contratar outro arquiteto 



depois de observar o mestre Afonso afetado pela 

cegueira, mas mesmo assim mais experiente, 

permite-nos também estabelecer um certo 

paralelismo com as nossas ações. Por exemplo, 

quando pomos em causa alguma coisa que 

pessoas mais velhas, como os nossos professores 

ou os nossos pais, tenham dito, mesmo sabendo 

que eles têm mais experiência e sabedoria. E 

o que acabamos por verificar é que, tal como 

Afonso Domingues na obra, eles quase sempre 

têm razão.




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