Alemanha secreta



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Friedrich  der  Zweite.  O  mais  recente  biógrafo  de  Kantorowicz,  o  medievalista  Alain 
Boureau,  compartilha  as  informações  de  Grünewald.  Não  é  possível  portanto,  saber  ao 
certo como se deu o encontro entre o jovem estudante e o experiente poeta.  
 
 
  
Com o afastamento entre George e Gundolf, o poeta aproximou-se cada vez mais 
de Kantorowicz a partir da década de 1920. Quando observamos as correspondências entre 
Kantorowicz  e  George,  é  possível  afirmar  que  a  relação  entre  George  e  Kantorowicz 
estreitou-se após 1924. Quando visitava Heidelberg, no começo dos anos de 1920, George 
hospedava-se com frequência na casa de Kantorowicz, uma vez que o gradual afastamento 
de Gundolf não o permitia mais permanecer junto ao seu primeiro discípulo. Assim, não é 
exagero afirmar, que Kantorowicz, de alguma forma, substituiu a posição de Gundolf em 
Heidelberg. 
                                                      
217
Gertrud  Kantorowicz  nasceu  em  1876  em  Posen.  Estudou  história  da  arte,  filosofia  e  arqueologia  na 
Universidade  de  Zurique.  Em  uma  tentativa  de  fuga  da  Alemanha  nazista  em  1942,  foi  capturada  e  levada 
para o campo de concentração de Theresienstadt onde morreu de meningite em 1945.  
218
  Woldemar  Graf  Uxkull-Gyllenband  nasceu  no  berço de  uma  antiga  família  nobre,  em  1898,  em  Genua.  
Conheceu George a partir de Ernst Morwitz que o levou a Berlim para que se encontrasse com o poeta. Como 
Kantorowicz,  participou  da  Primeira  Guerra  e  posteriormente  também  juntou-se  aos  Freikorps.  Estudou 
História  em  Heidelberg.  Em  1925  doutorou-se  na  Universidade  de  Halle-Wittenberg  com  o  trabalho 
“Plutarch  und  die  griechische  Biographie”  (impossível  não  observar  uma  convergência  de  temas  entre  seu 
trabalho e o Círculo). Em 1925 foi nomeado professor em Halle e em 1930 em Tübingen. Morreu em 1939, 
devido  a  um  acidente  automobilístico.  A  amizade  entre  Graf  Uxkull-Gyllenband  e  Kantorowicz  iniciada 
durante os anos de estudos de ambos em Heidelberg perdurou por anos.  A amizade foi rompida devido ao 
sentimento anti-semita de Gyllenband. GRÜNEWALD, Op.cit.p.37-43. 


90 
 
 
Como  os  outros  jovens,  Kantorowicz  parece  ter  compreendido  seu  encontro  com 
George  como  fundamental,  um  divisor  de  águas  para  sua  vida  e  visão  de  mundo.
219
  As 
cartas
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  trocadas  entre  George  e  Kantorowicz  deixam  evidente  os  assuntos  discutidos 
entre ambos que variavam desde assuntos concernentes ao próprio Círculo até discussões 
acerca dos problemas da época, como a crise econômica e social vivenciados na República 
de Weimar. Além disso, discussões e planos acerca da carreira acadêmica. Assim como os 
outros  jovens,  Kantorowicz  tratava  George  por  “Liebster”  [querido]  ou  “  Geliebter 
Meister”  [amado  mestre].  A  correspondência  entre  George  e  Kantorowicz  evidenciam  o 
relacionamento  de  cunho  estritamente  emocional  bem  como  a  forma  como  George 
acompanhava de perto a vida pessoal e profissional de seus jovens. 
 
Durante  os  anos  que  estudou  em  Heidelberg,  outra  influência,  além  de  Stefan 
George,  foi  determinante  para  os  trabalhos  futuros  de  Kantorowicz:  Eberhard  Gothein 
(1853-1923). Gothein, historiador e economista, estudou também em Heidelberg, onde foi 
aluno de Dilthey. Após ser professor nas universidades de  Breslau, Estrasburgo, Karlsruhe 
e  Bonn,  foi  nomeado,  em  1905,  professor  de  Economia  Nacional  e  ciência  financeira 
[Finanzwissenschaft]  para  a  Universidade  de  Heidelberg,  no  tornou-se  professor  emérito 
em 1923. Para Grünewald, a aproximação com Gothein contribuiu para que Kantorowicz 
se  interessasse  cada  vez  mais  pelas  questões  de  cunho  histórico-culturais.
221
    Gothein  foi 
orientador  de  Kantorowicz  em  seu  doutoramento.
 
É  ainda  notável  a  proximidade  de 
George com Gothein cuja casa George frequentava, provavelmente desde 1910. Seu filho, 
Percy Gothein, foi próximo do poeta e participou de seu Círculo.  Foi  com  Gothein  que, 
segundo  Grünewald,  Kantorowicz  aprendeu  a  trabalhar  com  arquivos  e  fontes.  Esse 
aprendizado  aparecerá  anos  depois  em  sua  biografia  sobre  Frederico  II,  obra  na  qual 
transparece a erudição e o esforço em pesquisar fontes e vasculhar arquivos.
 
Pouco 
citado por Grünewald, por não ter uma relação direta com o Círculo, o medievalista Karl 
Hampe  (1869-1936)  foi  outra  influência  importante  para  Kantorowicz  durante  seus  anos 
em  Heidelberg.  Hampe  era  uma  autoridade  quando  se  tratava  dos  últimos  soberanos  dos 
                                                      
219
Em carta à George, datada de 31 de outubro de 1924, Kantorowicz escreveu ao poeta: “Eu posso agora, 
após estar em longa companhia  com o senhor, ver tudo diferente de como eu antes via, também sobre o que 
eu  antes  escrevia.”  Stefan  George  Archiv.  George  III,  6613.  Todas  as  cartas  citadas  nesse  trabalho  foram 
devidamente autorizadas pelo arquivo. Traduções minhas. 
220
 Considera-se aqui as cartas acessíveis. É sabido que George possuía o hábito de destruir muitas de suas 
cartas.  O  mesmo  o  fez  Kantorowicz,  que  requisitou  que  após  sua  morte  seus  papéis  pessoais  fossem 
destruídos.  Na  ata  de  cartas  do  Stefan  George  Archive  em  Stuttgart  o  número  de  cartas  de  Kantorowicz  é 
maior que as cartas enviadas pelo poeta.  
221
GRÜNEWALD, Op. cit.,p.49.  


91 
 
Hohenstaufen.  Robert  Lerner  afirma  que  Kantorowicz  manteve  contato  com  Hampe  a 


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