Acústica 2008 20 22 de Outubro, Coimbra, Portugal



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Acústica 2008 

20 - 22 de Outubro , Coimbra, Portugal 

Universidade de Coimbra 

AVALIAÇÃO DOS PARÂMETROS ACÚSTICOS DE UM CINEMA NA 

CIDADE DE MARINGÁ 

Carlos Augusto de Melo Tamanini

1

, Sylvio Reynaldo Bistafa



2

 

1



Universidade Estadual de Maringá 

camtamanini@uem.br; ctamanini@usp.br; ctamanini@uol.com.br

 

2

Universidade de São Paulo 



sbistafa@usp.br

 

Resumo 



Diversos fatores influenciam o resultado acústico de um ambiente. Controlar estes fatores é, portanto, 

fundamental  quando  se  trata  de  espaços  com  necessidades  acústicas  específicas,  como  é  o  caso  de 

cinema.  Através  da  seleção  de  uma  sala  de  cinema  da  cidade  de  Maringá,  foram  avaliadas  as 

características acústicas, por intermédio da apropriação de grandezas acústicas objetivas e subjetivas, 

obtidas a partir de medições e simulações. De posse desses resultados, foram analisadas as condições 

acústicas  da  sala,  verificando  a  sua  adequabilidade  às  necessidades  acústicas  e  à  tecnologia  adotada. 

Fez-se  e  a  avaliação  da  qualidade  acústica,  correlacionando  os  parâmetros  mensuráveis  com  a 

avaliação subjetiva, visando à determinação da relação entre os parâmetros objetivos e subjetivos para 

a caracterização dos projetos de salas. 

 

Palavras-chave: Acústica de salas; cinema; medição; simulação. 



Abstract 

Several  factors  influence  the  acoustic  result  of  an  environment.  Control  these  factors  is,  therefore, 

fundamental  when  it  deals  of  spaces  with  specific  acoustic  needs,  as  it  is  the  case  of  the  cinemas. 

Trough the selection of a movie theater in the city of Maringá, in Brazil, it was appraised the acoustic 

characteristics, through the appropriation of objective and subjective acoustics parameters, obtained by 

measurements and simulations. From these results, the acoustic conditions of the movie theater were 

analyzed, verifying its performance to the acoustic needs and the adopted technology. The assessment 

of  the  acoustic  quality  was  made  by  the  relationship  of  measured  parameters  and  the  subjective 

evaluation,  aiming  the  determination  of  the  relationship  among  the  objective  and  subjective 

parameters for the characterization of room acoustic designs. 

 

Keywords: Room acoustics; movie theater; measurement; simulation. 



 


 

Carlos Augusto de Melo Tamanini, Sylvio Reynaldo Bistafa 

 

 

 



1  Introdução 

Os aspectos acústicos sempre foram importantes ao ser humano, visto que o mesmo utiliza os sentidos 

para percepção, compreensão e memorização do espaço. É fato, no entanto, que ao longo da história o 

homem  vem  alterando  a  sua  forma  de  ouvir.  Schafer,  1997[11],  utiliza  o  termo  paisagem  sonora,  e 

afirma que  

“o homem moderno começa a habitar um mundo que tem um ambiente acústico radicalmente 

diverso  de  qualquer  outro  que  tenha  conhecido  até  aqui.  Esses  novos  sons,  que  diferem  em 

qualidade  e  intensidade,  têm  alertado  muitos  pesquisadores  quanto  aos  perigos  de  uma 

difusão indiscriminada e imperialista de sons em maior quantidade e volume em cada reduto 

da vida humana... em todo mundo a paisagem sonora atingiu o ápice da vulgaridade.” 

Assim, um espaço arquitetônico deve cumprir o papel a que foi destinado. No caso de salas de cinema, 

é necessário que o ambiente concebido garanta a melhor visibilidade e qualidade acústica. Clareza e 

nitidez na fala, música e efeitos de som, todos esses elementos deverão ser ouvidos com qualidade e 

no momento exato da cena. 

Relacionando,  o  cinema  surge  como  imagem,  mas  logo  se  “descobre”  e  começa  a  inventar  a  sua 

linguagem, dando início à idéia da dimensão do som, gerando um novo poder de atração e sedução. 

Fica  evidente  que  a  imagem  sozinha  não  é  suficiente  e  o  sentido  da  audição,  naturalmente  torna-se 

indispensável. Com essa linguagem de imagem e som, o cinema aprimora-se, para manter a sua magia 

e a sua sobrevivência. 

Em muitos momentos, questiona-se a sobrevivência dos cinemas. Citam-se dois exemplos. O primeiro 

refere-se  ao  surgimento  da  televisão,  causando  uma  diminuição  de  espectadores  nos  cinemas  e  o 

segundo refere-se à evolução dos projetores de home-teather, que estão melhores e mais acessíveis. 

Na primeira situação, a história mostra que a solução foi apresentar algo que a televisão não possuía – 

imagem colorida, tela larga e som multi-canal. A segunda situação, em processo de discussão, remete 

que  a  solução está  no  cinema  digital  – som  surround  mais  avançado,  programação  variada  e  cinema 

interativo. Caso seja bem explorado, pode ser mais uma grande inovação do cinema falado. 

A evolução tecnológica nos cinemas é imprescindível, não só pela busca constante da qualidade, mas 

para a sua existência. Nesse contexto, apresenta-se uma sala de cinema na cidade de Maringá – PR, 

que apresenta características de transição da película para o cinema digital. 

 Para tanto se faz necessário uma apresentação do som no cinema, historiando a sua evolução e uma 

discussão  das  condicionantes  acústicas  para  uma  sala  de  projeção,  debatendo  sobre  as  normas  e  os 

documentos técnicos vigentes. Finalmente analisa-se a condição de conforto acústico desse ambiente, 

através de parâmetros objetivos que permitem caracterizar a acústica da sala. 

2  O Som no Cinema 

O som sempre teve grande significado nos filmes, mesmo aqueles denominados “mudo”; apenas não 

apresentavam “falas”, visto que existe um grande desconforto em assistir as imagens em silêncio. Ao 

contemplar a história da arte da dramaturgia, percebe-se que, mesmo no teatro grego, existia música 

para o acompanhamento para enfatizar as cenas. Assim, nos primórdios do cinema, havia um espaço 

destinado  aos  pianistas  e  estes  eram  incumbidos  de  improvisar  músicas  conforme  a  imagem  se 

apresentava. 

O  surgimento  da  possibilidade  de  se  criar  som  em  disco  fez  surgir  a  possibilidade  da  reprodução  da 

imagem e do som. Um dos equipamentos mais conhecidos desse período foi o Vitaphone, que possuía 

um  sistema  no  qual  se  acompanhava  o  filme  com  um  disco  de  16  polegadas;  isso  possibilitou  a 

imortalização  do  filme  The  Jazz  Singer.  Esse  sistema  foi  pioneiro,  por  apresentar  falas  e  músicas, 



 

Acústica 2008, 20 - 22 de Outubro, Coimbra, Portugal 

 

 

 



 

porém apresentava problemas, como o chiado do disco e a eminente possibilidade e o disco riscar com 



o tempo e tirar o filme de sincronismo  

Posteriormente,  houve  a  introdução  do  som  na  película,  que  permitia  um  melhor  sincronismo  e 

barateamento no custo de distribuição. Foram várias tentativas que desenvolveram esse sistema, onde 

o primordial foi concebido, o conceito da gravação em película. Dentro desse período, anos de 1927 a 

1937,  houve  um  aumento  significativo  no  número  de  cinemas:  só  nos  Estados  Unidos  chegaram  a 

variar entre 15.000 e 18.000 salas. 

Essa  popularização  fez  com  que  fosse  necessário  estabelecer  um  padrão,  mesmo  que  empírico,  de 

modo  que  a  Academia  de  Artes  e  Ciências  Cinematográficas  começa  a  formalizar  e  organizar  o 

sistema:  como  o  som  ótico  será  registrado  no filme,  como  será  equalizado,  como  serão  as  caixas  de 

som  das  salas.  Esse  padrão  estabelecido  em  1938  e  é  chamado  “som  monoural”.  As  características 

tecnológicas  são  condizentes  à  época,  sendo  um  som  bastante  distorcido  e  a  reposta  de  freqüência 

atingia 5 ou 6 khz, um som bastante ruidoso. Houve uma melhora com as bandas duo-bilateral, porém 

nada  tão  significativo.  Durante  a  filmagem,  além  do  câmera,  era  necessário  outro  operador  que 

gravava o som num sistema ótico com microfone; isso fazia com que fosse possível editar o negativo 

independente da imagem. 

Com  o  advento  da  televisão,  a  indústria  cinematográfica  perdeu  espaço  e  para  conquistá-lo,  era 

necessário  criar  meios  de  oferecer  o  que  o  televisor  não  poderia  oferecer.  Assim,  imagens  a  cores, 

telas mais largas e desenvolvimento dos sons, foram apresentados como solução. Em termos sonoros a 

intenção era desenvolver elementos que atingissem a sensação de nossa capacidade auditiva, que não é 

mono e sim atinge 360 graus a nossa volta, ou seja, um som multicanal. 

Surge o “70mm” com trilha magnética, 6 canais, onde se tem uma pista magnética, 2 canais de som, e 

uma  parte  interna  de  ambos  os  lados.  Enquanto  o  som  mono  óptico  chegava  a  5  khz,  o  magnético 

conseguia chegar a 15 khz. Esse sistema de 70mm possibilita um sistema de cinco canais de som por 

trás  da  tela  e  um  canal  surrond.  Tentava-se  obter  a  sensação  de  movimento,  onde  um  personagem 

falava à direita e o som seria percebido nesta direção. A princípio, esse sistema era desconfortável, até 

que se estabeleceu uma relação com a psicoacústica e percebeu-se que, mesmo o som saindo da caixa 

central, a imagem fazia com que fosse possível interpretar como se estivesse vindo à direita. 

Mas o sistema 70mm representava um sistema caro, então o som mono de formato 35mm era ainda a 

solução.  A  Dolby  então  tentou  desenvolver  um  som  tão  bom  quanto  o  magnético  que  pudesse  ser 

copiado  de  forma  óptica  e  por  contato,  além  de  poder  ser  aplicado  a  35mm;  esse  intuito  foi  o 

impulsionador do desenvolvimento do “Dolby Stereo”. 

Outro passo foi dado em 1992 com o Dolby Digital, que se espalhou rapidamente, tanto que a maioria 

dos estúdios de Hollywood adotava esse sistema, dentre as inovações: a relação sinal/ruído entre 90/96 

dB, potência máxima disponível é 10 dB, maior em cada canal.  

Em 2002, mais uma grande inovação com o filme “Star Wars – Episódio II: O Ataque dos Clones”. 

Este foi um filme inteiramente produzido em vídeo digital, sendo que a maioria dos cinemas utilizou 

conversões em 35mm do filme, mas algumas salas utilizaram projetores de filme digital. A tendência é 

que cada vez mais a produção, o armazenamento e a projeção sejam digitais. 

3  Projeto Arquitetônico 

Ao  comentar  a  respeito  das  características  físicas  da  sala,  é  preciso  entender  que  o  cinema  não  é 

somente um espaço visual; é necessária a abrangência também das questões acústicas, que são tão ou 

mais importante que a visual e/ou espacial dos cinemas.  

Nesse caso, divide-se a acústica arquitetônica em duas áreas. A primeira trata da defesa contra o ruído, 

onde  sons indesejáveis  necessitam  ser  eliminados  ou amortecidos, sejam  provenientes do interior ou 

de  origem  externa.  A  segunda  diz  respeito  ao  controle  de  sons  no  recinto,  onde  é  necessária  uma 

distribuição  homogênea  do  som,  evitando  ecos,  ressonâncias  e  reverberação  excessiva.  Nos  cinemas 




 

Carlos Augusto de Melo Tamanini, Sylvio Reynaldo Bistafa 

 

 

 



mais  antigos  –  mais  precisamente,  anteriores  aos  anos  80  –  a  maior  preocupação  era  que  o  som 

produzido atrás da tela chegasse até o fundo da sala sem alterações. Em alguns casos, quando as salas 

eram  muito  compridas,  o  som  chegava  “depois”  da  imagem,  causando  um  certo  desconforto  nos 

espectadores.  

Outro  item  é  que  a  sala  deve  ter  boa  isolação  acústica,  de  modo  a  não  haver  interferências  externas 

nem  a  transmissão  do  som  para  outras  salas.  Este  também  deve  ser  levado  em  consideração 

principalmente pela nova locação dos edifícios, em shoppings e galerias. Para se conseguir esse efeito 

desejado,  deve-se  levar  em  consideração  elementos  de  grande  massa  ou  tratamento  interno,  pisos 

elevados, teto falso, entre outros.   

Ao se tratar de equipamentos, estes devem ser utilizados de modo a obter resultados otimizados, onde 

o ar condicionado deve ser mais silencioso e o áudio com menor ruído possível.  

A fim de se conseguir melhorar a qualidade das salas de exibição, a criação de normas tenta garantir a 

qualificação desse espaço. No caso do Brasil, a Fundação Nacional de Arte – Funarte [08]– propõe a 

criação  de  normas  técnicas  específicas  para  salas  de  exibição,  a  NBR  11186/88  –  Projetos  e 

instalações  de  salas  de  projeção  cinematográfica  e  a  NBR  11187/88  –  Avaliação  de  projetos  e 

instalações  de  salas  de  projeção  cinematográfica,  ambas  elaboradas  pela  Associação  Brasileira  de 

Normas  Técnicas  –  ABNT.  As  normas  abordam  aspectos  relacionados  ao  desempenho  dos 

equipamentos de projeção da imagem, reprodução do som e arquitetura das salas de exibição, visando 

à  qualidade  da  imagem  projetada  percebida,  as  características  acústicas  necessárias  a  uma  pequena 

reprodução sonora dos filmes e do conforto do usuário [02; 03]. 

4  Metodologia 

Para a caracterização desejada, é necessária a avaliação dos parâmetros físicos (objetivos) e subjetivos 

de uma sala. 

Especificamente,  ao  tratarmos  a  qualidade  do  som,  avaliando  sob  o  ponto  de  vista  arquitetônico, 

temos: o critério de isolamento de ruídos recomendado às salas de exibição, na qual a norma sugere 

um nível de ruídos de fundo da ordem de 40 dB(A), equivalente à curva NC30; a perda de transmissão 

de ruídos entre salas adjacentes, que tem por objetivo evitar que durante projeções simultâneas os sons 

de uma sala “saiam” através de suas paredes, teto ou piso, prejudicando a percepção do som do filme 

pelos  usuários  da  sala  vizinha,  ambos  recomendados  pela  NBR  1186/88  –  Projetos  e  instalações  de 

salas de projeção cinematográfica); e o tempo de reverberação da sala, que remete à NBR 12179/92 – 

Tratamento acústico de recintos fechados [01]. Outros critérios, como EDT, D50, C80, TS, G, BR, não 

são estabelecidos por normas ou documentos técnicos. 

Assim, realizam-se as seguintes análises: 

• Avaliação dos parâmetros T30 e NC medidos, utilizando-se das NBRs e da AES (Audio Engineering 

Society) [05], para mensurar o nível de qualidade de reprodução do som na sala analisada. 

•  Avaliação  comparativa  de  parâmetros  T30,  T20,  EDT,  D50,  C80  e  TS  entre  os  valores  medidos  e 

simulados. 

4.1 

Avaliação dos parâmetros TR e NC 



Ao  relacionarmos  os  valores  estabelecidos  pela  norma,  verifica-se  que  se  encontram  defasados  em 

decorrência  do  progresso  da  tecnologia  do  som,  onde  os  ambientes  devem  ser  mais  silenciosos, 

reduzindo  significativamente  o  NC  (figura  01)  e  o  Tempo  de  Reverberação  (figura  02).  Essas 

diferenças podem ser verificadas nos Resultados. 




 

Acústica 2008, 20 - 22 de Outubro, Coimbra, Portugal 

 

 

 



 

 



Figura 01: Curvas de avaliação de ruído (NC) recomendadas para cinema 

Fonte: Dolby ,2007 [07] 

 

 

Figura 02: Tempo ótimo de reverberação recomendado para cinemas 



Fonte: Linearx , 2007 

 

Esses  novos  valores  mais  rigorosos,  estabelecidos  pelo  documento  técnico  da  AES  –  Audio 



Engineering  Society  e  utilizado  pela  Dolby  como  diretriz,  possibilitam  a  reprodução  de  sons  com 

maior intensidade e qualidade. A nova tecnologia de som para cinema torna mais realista a percepção 

dos ambientes sonoros associados às imagens do filme durante a exibição. 

A caracterização dessas salas de exibição pode ser realizada utilizando-se de determinadas tecnologias 

de  análise,  processamento  de  sinal  e  softwares  adequados,  estabelecendo  quais  parâmetros,  sejam 

esses objetivos ou subjetivos, influenciam a qualidade acústica de uma sala de exibição. 

O principal parâmetro objetivo que permite a caracterização de uma sala é o tempo de reverberação. O 

tempo  de  reverberação  pode  ser  definido  como  o  tempo  que  a  energia  de  um  campo  sonoro 

reverberante estacionário leva a decair 60 dB após a extinção da fonte sonora (Bistafa,2006) [06]. 

Na prática, devido ao nível de ruído de fundo existente nas salas, torna-se difícil medir um decaimento 

de 60 dB. Nesse caso, torna-se mais simples calcular o decaimento de 30dB ou 20 dB, denominados, 

respectivamente de T30 e T20. Na sala analisada não foi possível calcular o TR60; assim, adotam-se o 

T30 e T20. 



 

Carlos Augusto de Melo Tamanini, Sylvio Reynaldo Bistafa 

 

 

 



Os métodos mais utilizados para calcular o tempo de reverberação são o método clássico e o método 

de  resposta  ao  impulso.  No  método  clássico,  a  sala  é  excitada  por  um  ruído  rosa  que  é  desligado 

abruptamente, registrando o nível de pressão sonora num ponto e calculando o tempo de decaimento 

correspondente a 20, 30 ou 60dB. No método de resposta ao impulso mede-se a função de resposta da 

sala  a  um  impulso  sonoro e  utiliza-se  o  teorema  de  Fourier  para  determinar  a função  de  resposta ao 

impulso. 

4.2 


Avaliação comparativa de parâmetros T30, T20, EDT, D50, C80 e TS 

Outros parâmetros objetivos também são importantes para a caracterização de uma sala: 

• Tempo de decaimento inicial – EDT(s): mede a taxa de decaimento inicial da mesma forma que o 

tempo de reverberação T60, mas relativo apenas aos primeiros 10dB. 

• Definição – D50(%): avalia a inteligibilidade da palavra, obtida através da razão entre a energia total 

e a energia inicial sonora. 

• Clareza objetiva – C80 (dB): avalia a clareza de uma sala para música, obtida através do som direto 

mais as primeiras reflexões que chegam nos primeiros 80ms. 

• Tempo Central – TS (ms): o tempo do centro de gravidade da raiz quadrada de uma resposta a um 

impulso sonoro.  

Esses  parâmetros  foram  obtidos  através  de  medições,  simulações.  Entretanto,  como  citado,  não 

existem  valores  recomendados  especificamente  para  cinemas.  Assim,  serão utilizados  para  comparar 

os  valores  obtidos  através  de  medições  e  através  de  simulações,  verificando  a  relação  de 

confiabilidade dos softwares de captação e processamento de dados com os de simulação.  

Para  a  medição,  foi  utilizado  o  método  impulsivo,  que  mede  a  resposta  da  sala  para  um  impulso 

sonoro, onde na sala a resposta foi captada por um Microfone Omnidirecional específico para medição 

de salas (Condensador/Eletreto), modelo ECM 8000, da Behringer, com freqüência de resposta ultra-

linear, impedância de 600 Ohm, sensibilidade de (-) 60 dB, faixa de freqüência de 15Hz a 20.000Hz, 

posicionado  no  pontos  recomendados  pela  NB  1187/88,  a  1,20m  do  solo,  para  se  aproximar  da 

realidade do ouvido humano, e conectado por cabo a um Phantom Power (15V a 48V), modelo MP-1 

da  Zerotron  (Condenser  Microphone  Phantom  Power  Supply),  ligado  a  um  computador  pessoal 

portátil Toshiba Satellite. 

 

A captação e processamento dos dados deram-se através do Software DIRAC – Room Acoustic, tipo 



7841, versão 3.1 da Brüel & Kjaer Sound & Vibration Measurement, com o qual foi possível obter os 

índices: Tempo de Reverberação (TR), Tempo de Decaimento Inicial (EDT), Clareza (C80), Definição 

(D50) e o Tempo Central (TS).  

Com  base  na  captação da resposta  impulsiva  da sala,  isto é,  a  maneira  com  que  ela  responde  ao ser 

estimulada  pelas  ondas  acústicas  –  resultado  dos  fenômenos  físicos  na  propagação  de  ondas 

(Henrique, 2002) [09], realizada pelo software Dirac nos pontos, medidos em quatro direções: direita, 

frente, esquerda e atrás, se tem a possibilidade de caracterizar acusticamente a sala do Cinema. 

Para  a  simulação  foi  utilizado  o  software  Catt  Acoustic.  Este  programa  estima  alguns  parâmetros 

através  do  desenho  de  um  modelo  virtual  em  3D.  Nesse  caso,  desenha-se  a  sala  de  cinema  com  as 

mesmas características da existente.  

5  Objeto de Estudo 

A sala de cinema analisada localiza-se no Shopping Center, de Maringá (figura 03). A sala é a maior 

das  quatro  em  funcionamento  no  Shopping,  com  400  lugares  e  a  única  a  funcionar  com  o  Sistema 

Dolby Digital Surroud-Ex. Essa sigla refere-se a elementos distintos: o primeiro Dolby Digital, é uma 

tecnologia  desenvolvida  pela  empresa  Dolby,  o  Digital  faz  com  que  a  codificação  seja  de  até  seis 

canais independentes, e o EX ou DD 6.1, refere-se à adição de um canal traseiro. 




 

Acústica 2008, 20 - 22 de Outubro, Coimbra, Portugal 

 

 

 



 

 



 

 

 



 

 

 



Figura 03: Vista geral da Sala de cinema 

Através das figuras 04, 05 e 06 verifica-se a preocupação com o tratamento acústico da sala, pois há 

painéis  ressoadores  e  absorsores;  piso  e  revestimento  atrás  da  tela  em  carpet;  poltronas  macias  e  a 

grelha colocada no teto, soluções que visam melhorar a absorção do som. 

 

 

 



  

 

Figura 04: Painéis nas laterais 



Figura 05: Detalhe dos painéis 

Figura 06: Grelha com lã de 

vidro no teto 

 Para  a  realização  da  medição,  designaram-se  cinco  pontos  distintos  na  sala,  conforme  estabelece  a 

NBR 1187/88. Através da figura 07, apresentam-se em destaque os pontos monitorados. 

 

Figura 07: Pontos monitorados 




 

Carlos Augusto de Melo Tamanini, Sylvio Reynaldo Bistafa 

 

 

 



6  Resultados 

6.1 

Avaliação dos parâmetros TR e NC 



O primeiro critério a ser avaliado refere-se ao tempo de reverberação. Após a medição e a tabulação 

dos dados medidos na sala, realizou-se a comparação entre os tempos de reverberação medidos com os 

recomendados pela NBR 12179/92 e a AES/2007. 

Verifica-se,  através  da  figura  08  que  os  tempos  de  reverberação  estão  abaixo  dos  estabelecidos  pela 

NBR12179/92 para as freqüências de 125, 250 e 500 Hz e acima para as freqüências de 1000, 2000, 

4000. Comparando com os dados da AES, encontram-se todos os tempos de reverberação acima dos 

recomendados.  

Pode-se  sugerir  que  o  projetista  tenha  utilizado  como  parâmetro  a  NBR12179/92,  mas  como 

comentado  na  metodologia,  as  salas  devem  cada  vez  mais  apresentar  tempos  de  reverberação  mais 

baixos, como mostram os T(MIN e MAX) da AES. 

 

Figura 08: Tempo de Reverberação – TR 



Outro parâmetro a ser avaliado refere-se ao critério de isolamento de ruídos recomendado às salas de 

exibição,  para  as  quais  a  norma  sugere  um  nível  de  ruídos  de  fundo  da  ordem  de  40  dB(A), 

equivalente à curva NC30 – NBR1187/88 e à curva NC15 – AES/07. 

Através  da  figura  09,  observa-se  que  os  valores  medidos  se  encontram  muito  acima  dos 

recomendados,  tanto  pela  NBR  quanto  pela  AES.  Um  dos  fatores  que  podem  ter  influenciado  no 

resultado,  refere-se  ao  funcionamento  da  sala  adjacente  à  sala  monitorada,  Assim,  verifica-se  que  o 

isolamento das paredes laterais não apresenta um isolamento aceitável. 

 

Figura 09: Nível de ruídos de fundo – NC 




 

Acústica 2008, 20 - 22 de Outubro, Coimbra, Portugal 

 

 

 



 

A avaliação de parâmetros acústicos para as salas de projeção cinematográfica, baseados nos valores 



recomendados  pelas  NBR12179/92,  NBR10152/87  [04]  e  NBR1187/88,  devem  ser  reformulados, 

estabelecendo valores que acompanhem a evolução tecnológica dos sistemas de áudio, potencializando 

todas as qualidades que os novos sistemas oferecem. Os valores da AES podem ser utilizados como 

guia, porém sugerem-se estudos para avaliar a influência de outros parâmetros que possam contribuir 

para qualidade acústica de salas de exibição, como D50, C80, EDT, entre outros. 

6.2 


Avaliação comparativa de parâmetros T30, T20, EDT, D50, C80 e TS 

Os  parâmetros,  exceto  T30,  comparativamente  com  os  recomendados  para  esta  sala  não  foram 

utilizados  devido  à  ausência  de  literatura  sobre  as  propriedades  acústicas  para  salas  de  cinema. 

Realiza-se, portanto, uma comparação dos valores medidos com os simulados. 

A  medição  foi  realizada  através  de  software  especializado,  conforme  descrito  na  metodologia, 

fornecendo respostas impulsivas, e, através destas, os parâmetros utilizados para a comparação. 

A simulação foi feita utilizando-se do programa Catt Acoustic, gentilmente cedido pela Universidade 

de  São  Paulo,  para  fins  acadêmicos.  O  Modelo  3D  foi  gerado  em  AutoCad  e  importado  para  o 

software  Catt  Acoustic,  onde  foram  posicionados  receptores  nas  mesmas  posições  das  medições  in 

loco,  para  possibilitar  uma  comparação  mais  consistente  (Figuras  10,  11  e  12).  Foram  empregados 

materiais  com  os  seus  respectivos  coeficientes  de  absorção,  baseados  em  normas  e  laudos  técnicos 

laboratoriais.  

01

02

03



04

05

A0



 

Figura 10: Imagem em 3D – marcação da fonte e dos receptores 

 

      


sum

A0

     



 0,1

 0,2


 0,3

 0,4


 0,5

 0,6


 0,7

 0,8


 0,9

 

          



 

    0


    0

    0


    0

    0


    0

    0


 

Figura 11: Mapeamento do TR – 2D 

Figura 12: Mapeamento do TR – 3D 

 



 

Carlos Augusto de Melo Tamanini, Sylvio Reynaldo Bistafa 

 

 

 



10 

Após o tratamento dos dados, realizou-se a comparação entre os valores medidos e os simulados para 

as  freqüências  de  125  a  4000Hz.  Através  das  figuras 13  a  18,  são  vistas  as  relações  dos  parâmetros 

avaliados. 

0,00

0,25


0,50

0,75


1,00

1,25


T30  [s] Medido

1,03


0,84

0,84


0,91

1,02


0,93

T30  [s] Simulado

1,07

0,99


0,95

1,06


1,00

0,95


125

250


500

1000


2000

4000


 

0,00


0,25

0,50


0,75

1,00


1,25

T20  [s] Medido

1,03

0,83


0,83

0,87


0,95

0,90


T20  [s] Simulado

0,99


0,93

0,76


0,88

0,87


0,79

125


250

500


1000

2000


4000

 

Figura 13: Comparação entre os T30   



Medido X Simulado 

Figura 14: Comparação entre os T20  

Medido X Simulado 

0,00


0,25

0,50


0,75

1,00


1,25

EDT  [ s]  Medido

1,20

1,03


0,92

0,89


0,96

0,88


EDT  [ s]  Simulado

0,90


0,88

0,77


0,78

0,85


0,77

125


250

500


1000

2000


4000

 

0



20

40

60



80

100


D50  [%]: Medido

55

38



37

37

39



38

D50  [%]: Simulado

64

65

74



71

65

69



125

250


500

1000


2000

4000


 

Figura 15: Comparação entre os EDT 

 Medido X Simulado

 

Figura 16: Comparação entre os D50  



Medido X Simulado 

0

2



4

6

8



10

C80 [ dB] : Medido

3,21

0,5


1,55

1,26


1,87

2,18


C80[ dB] : Simulado

5,6


5,8

7,6


6,8

5,5


6,7

125


250

500


1000

2000


4000

 

0



20

40

60



80

100


Ts  [ms]: Medido

84,02


91,91

79,44


78,61

81,22


78,54

Ts  [ms]:Simulado

64,1

65,1


74

70,7


65,1

69,4


125

250


500

1000


2000

4000


 

Figura 17: Comparação entre os C80 

 Medido X Simulado 

Figura 18:Comparação entre os TS  

Medido X Simulado 

 

Analisando os gráficos, verifica-se que os valores obtidos na medição se aproximam dos da simulação 



apenas nos parâmetros T30, T20, EDT e TS; nos outros parâmetros, D50 e C80, a diferença foi muito 

grande.  

Essa  semelhança,  principalmente  do  T30,  é  resultado  de  ajustes  realizados  na  simulação,  ou  seja, 

devido à grande dificuldade na simulação, que considera a difusão dos materiais, e, como não existem 

gráficos  e  normas  que  a  estabelecem,  foram  geradas  alternativas,  alterando-a  até  obter  um  resultado 

com valores próximos do T30 medido.  

Assim,  a  grande  diferença  dos  parâmetros  D50  e  C80  pode  ser  reflexo  desse  ajuste  ou  pode  estar 

relacionada  na  configuração  dos  softwares  utilizados  para  a  leitura  da  resposta  impulsiva  ou  do 

modelo gerado para os parâmetros D50 e C80. 



 

Acústica 2008, 20 - 22 de Outubro, Coimbra, Portugal 

 

 

 



 

11 


7  Considerações Finais 

O  cinema  ainda  hoje,  é  muito  procurado  como  opção  de  lazer  em  diversas  cidades  do  mundo  e  o 

estudo  do  comportamento acústico  dentro  dessas  salas  é  importante  não só  por proporcionar  melhor 

conforto, como também servir para futuras pesquisas e desenvolvimento tecnológico. 

No  que  se  refere  à  sensação  auditiva,  o  interior  das  salas  de  exibição  deve  prever  o  completo 

envolvimento, onde som e imagem trabalhem de forma a estabelecer uma comunicação e despertar os 

sentimentos ao qual o filme se propõe. 

Neste  trabalho,  a  sala  foi  avaliada  sob  duas  abordagens:  avaliação  dos  parâmetros  TR  e  o  NC  e 

avaliação comparativa de parâmetros T30, T20, EDT, D50, C80 e TS. 

Na primeira avaliação, percebe-se que a sala apresenta soluções adequadas às necessidades acústicas 

quanto  ao  TR,  baseado  nas  normas  nacionais  vigentes,  entretanto  fica  muito  distante  das 

internacionais.  Quanto  ao  NC,  encontra-se  inadequada  para  ambas  situações,  requerendo,  assim,  um 

acréscimo  no  volume  durante  as  sessões,  para  mascarar  o  ruído  de  fundo.  Fica  evidente  que  é 

recomendada  uma  discussão  sobre  as  normas  nacionais  vigentes,  estabelecendo,  assim,  novos 

parâmetros que acompanhem a evolução tecnológica dos sistemas de áudio. 

Na segunda avaliação, relata-se a dificuldade de configuração do modelo 3D no AutoCad, em função 

de conflitos de importação do modelo 3D para o software específico de análise e na determinação dos 

coeficientes de difusão dos materiais, devido a quase inexistência de tabelas com esses valores. 

Através das análises, verifica-se que o objetivo do estudo foi atingido, servindo de base experimental 

para futuros estudos. 

Agradecimentos 

Aos  responsáveis  pelo  Cinesystem,  por  facilitarem  o  acesso  às  dependências  da  sala  e  permitirem  a 

realização das medições acústicas. 

Ao arquiteto José Ângelo Mincache, por fornecer os desenhos da sala. 

À  Universidade  Estadual  de  Maringá,  por  ceder  o  software  Dirac  3.0  para  sua  utilização  com  fins 

acadêmicos. 

À  Universidade  de  São  Paulo,  pela  cessão  do  software  Catt  Acoustic  para  sua  utilização  com  fins 

acadêmicos. 

Referências  

[1]  Associação  Brasileira  de  Normas  Técnicas  NBR  12179.  Tratamento  acústico  em  recintos 

fechados, 1992. 

[2]  Associação  Brasileira  de  Normas  Técnicas  NBR  1187.  Avaliação  de  projetos  e  instalações  de 

salas de projeção cinematográfica, 1988. 

[3]  Associação Brasileira de Normas Técnicas NBR 1186. Projetos e instalações de salas de projeção 

cinematográfica, 1988. 

[4]  Associação Brasileira de Normas Técnicas NBR 10152. Níveis de ruído para conforto acústico, 

1987. 

[5]  Audio Engineering Society. Multichannel surround sound systems and operations. Dísponível em 



[6]  BISTAFA, S. R. Acústica Aplicada ao Controle do Ruído. São Paulo: Edgar Blücher, 2006.  

[7]  DOLBY DIGITAL. Digital Cinema. Dísponível em 



 

Carlos Augusto de Melo Tamanini, Sylvio Reynaldo Bistafa 

 

 

 



12 

[8]  FUNARTE. Tipologias. Disponível em 

[9]  HENRIQUE, L. Acústica musical. Lisboa: Fundação Calouse Gulbenkian, 2002. 

[10] METHA, M.; JOHNSON, J.; ROCAFORT, J. Archiectural acoustics: principles and design. New 

Jersey: Prentice Hall, 1999. 

[11] SCHAFER, R. M. A Afinação do mundo.  São Paulo: Editora Unesp, 1997. 





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