Acreanidade indb



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MUNICÍPIO
TERRAS 
INDÍGENAS
POVO
ÁREA (HA)
POPULAÇÃO
SITUAÇÃO 
JURÍDICA
Vale do Purus
Assis Brasil
Cabeceira do 
Rio Acre
Jaminawa
78.512,58
238
Registrada
*
Assis Brasil 
e Sena 
Madureira
Mamoadate
Manchineri
Jaminawa
313.647,00
937
168
Registrada
Sena 
Madureira
Jaminawa do 
Rio Caeté
Jaminawa
9.878,48
78
A identificar
Manchineri 
do Seringal 
Guanabara
Manchineri
213.254
166
Em 
identificação
Jaminawa do 
Guajará
Jaminawa
600
70
Em 
identificação
Sta Rosa do 
Purus e Manuel 
Urbano
Alto Purus
Kaxinawa
Kulina
263.129,81
1.117
743
Registrada
Vale do Juruá
Feijó
Jaminawa 
Envira
Kulina
Ashaninka
80.618,00
60
51
Registrada
Kampa 
(Ashaninka) 
Isolados do 
Rio Envira
Ashaninka
Isolados
232.795,00
283
?
Registrada
Katukina-
Kaxinawá
Shanenawa 
Kaxinawá
23.474,04
322
376
Registrada
Kaxinawá do 
Rio Humaitá
Kaxinawá
127.383,56
287
Registrada
Kaxinawá 
Nova Olinda
Kaxinawá
27.533,40
247
Registrada
Kulina do Rio 
Envira
Kulina
84.364,61
257
Registrada
Kulina do 
Igarapé do 
Pau
Kulina
45.590,00
127
Registrada
Kaxinawa 
do Seringal 
Curralinho
Kaxinawa
?
89
Em 
identificação


167
MUNICÍPIO
TERRAS 
INDÍGENAS
POVO
ÁREA (HA)
POPULAÇÃO
SITUAÇÃO 
JURÍDICA
Feijó e Santa 
Rosa do Purus
Riozinho do 
Alto Envira 
(Xiname 
Velha)
Ashaninka
Isolados
260.970,00
15
?
Identificada
Tarauacá
Kampa do 
Igarapé 
Primavera
Ashaninka
21.987,00
21
Registrada
Kaxinawa da 
Colônia 27
Kaxinawa
105,17
70
Registrada
Kaxinawa 
Igarapé do 
Caucho
Kaxinawa
12.317,89
531
Registrada
Kaxinawa 
da Praia do 
Carapanã
Kaxinawa
60.698,00
485
Registrada
Rio Gregório
Yawanawa
Katukina
92.859,75
475
99
Homologada
Cruzeiro do 
Sul
Campinas 
Katukina
Katukina
32.623,64
404
Registrada
Jaminawa do 
Igarapé Preto
Jaminawa
Jaminawa-
Arara
25.651,62
171
39
Registrada
Marechal 
Thaumaturgo
Jaminawa-
Arara do Rio 
Bagé
Jaminawa-
Arara
28.926,00
196
Registrada
Kampa do Rio 
Amônia
Ashaninka
87.205,40
450
Registrada
Kaxinawa 
Ashaninka do 
Rio Breu
Ashaninka
Kaxinawa
31.277,00
359
53
Registrada
Arara do Rio 
Amônia
Arara, 
Santa Rosa, 
Amawaba, 
Konibo, 
Kampa, 
Txama
20.724
278
Em 
identificação
Jordão e Feijó
Alto Tarauacá
Isolados
142.619,00
?
Homologada
Jordão
Kax. do Baixo 
Rio Jordão
Kaxinawa
8.726,00
319
Registrada
Kaxinawá do 
Rio Jordão
Kaxinawa
87.293,80
1230
Registrada
Kax. do S. 
Independência 
Kaxinawa
11.463,00
166
Área 
dominial


168
MUNICÍPIO
TERRAS 
INDÍGENAS
POVO
ÁREA (HA)
POPULAÇÃO
SITUAÇÃO 
JURÍDICA
Mâncio Lima
Nukini
Nukini
27.263,52
553
Registrada
Poyanawa
Poyanawa
24.499,00
403
Registrada
Nawá
Nawa, 
Arara, 
Nukini, 
Jaminawa
83.218
306
Em 
identificação
Porto Valter
Arara do 
Igarapé 
Humaitá
Arara
86.700,00
327
Homologada
Total
2.390.112
12.720,00
Quadro 04 - Povos e Terras Indígenas no Acre
Fonte: Acre, 2006a; Aquino e Iglesias, 2005a.
Essas novas demandas territoriais decorrem do “crescimento demo-
gráfico dos povos indígenas” no estado do Acre, bem como da revisão dos 
componentes indígenas dos EIA-RIMA pelo asfaltamento das BRs 364 
e 317 e “negociação, junto ao governo estadual, de planos de mitigação e 
compensação pelos prejuízos ambientais, sociais e culturais resultantes da 
pavimentação dessas rodovias federais” (AQUINO & IGLESIAS (Papo de 
Índio), 18/06/2006; MACIEL (Papo de Índio), 25/03/2006).
As reivindicações territoriais, ainda sem providência por parte da FU-
NAI em 2008, no Acre, eram: uma localizada no município de Marechal 
Thaumaturgo, na Reserva Extrativista do Alto Juruá, dos Milton, grande 
família formada a partir de casamentos de descendentes de Kuntanawa e 
Neanawa (PANTOJA, 2008). Eles fazem parte dos povos indígenas julga-
dos extintos e que ressurge a partir de seus descendentes. Estes, desde 2003, 
estão empenhados em ser reconhecidos enquanto Kuntanawa e conquistar 
um território próprio, mas estão enfrentando problemas, pois o território 
reivindicado é incidente na Reserva Extrativista Alto Juruá. Outro povo 
que busca reconhecimento são os Jaminawa/Madijá, que vivem atualmente 
no Alto Rio Purus, os quais propõem que seja criada a TI Estirão (municí-
pio de Santa Rosa do Purus) onde vivem 160 índios Jaminawa e Madijá e 
os Manchineri do Seringal Guanabara (AQUINO e IGLESIAS (Papo de 
Índio), 11/06/2006).


169
As 34 Terras Indígenas estão distribuídas em metade dos 22 municí-
pios do Acre, com maior concentração nos vales dos rios Juruá, Tarauacá 
e Envira, na fronteira com o Peru (ver mapa 01). Essas terras destinam-
-se a 14 povos indígenas com uma população estimada em pouco mais de 
13.000 habitantes, cerca de 2,1% da população atual do estado do Acre. 
Esses números dizem respeito apenas aos moradores das Terras Indígenas, 
não incluindo aí um considerável contingente indígena que habita os cen-
tros urbanos. 
Mapa 01 - Terras Indígenas no estado do Acre, em 2008.
Fonte: Aquino & Iglesias, 2005 a.
Nas cidades, segundo dados da Administração da FUNAI de Rio 
Branco, de 2008, são cerca de 3.700 índios, residindo em 15 sedes munici-
pais, dos quais 2.500
6
 na cidade de Rio Branco. Tampouco incluem dados 
demográficos da Frente de Proteção Etnoambiental Envira, que estima a 
população de “isolados” entre 600 a 1000 índios. Agregando esse conjunto 
de dados, é possível afirmar que a população indígena no Acre é de apro-
6   Segundos dados do IBGE do Censo de 2010, existem 4.270 pessoas vivendo 
fora das aldeias, 1020, segundo levantamento do CIMI, na cidade de Rio Branco 
(CIMI, 2012).


170
ximadamente 18 mil, correspondente a 3% da população acreana (dados 
de 2008). Entretanto, nos municípios novos que fazem fronteira com o 
Peru, como Jordão e Santa Rosa do Purus, os habitantes indígenas Kaxi-
nawá e Kulina constituem, respectivamente, 40% e 60% de suas populações 
(AQUINO e IGLESIAS (Papo de Índio), 25/02/2007).
3.3  A Aliança dos Povos da Floresta
O 1° Encontro Nacional dos Seringueiros, de 1985, decidiu que, a par-
tir daquele momento, seria realizada uma campanha no sentido de se tentar 
uma aliança com os índios, já que as lutas tinham o mesmo alvo, isto é, a 
resistência à pecuarização e à ação dos madeireiros. Os depoimentos abaixo, 
de um índio e de um seringueiro, em 1988, são ilustrativos dessa Aliança; 
naquela ocasião Raimundo Barros, dizia: 
As lideranças seringueiras procuraram mostrar às lideranças indí-
genas que os seringueiros, a exemplo do que ocorreu com os ín-
dios, estão sendo espoliados pelo avanço do capital e do latifúndio. 
A exploração irracional das madeiras, os desmates predatórios e 
a completa expropriação dos recursos existentes nas matas foram 
apontados como uma verdadeira ameaça aos índios e seringueiros 
(PAULA, 1991, p. 210-211).
Já o índio Zé Ossai ressaltava que:
(...) o mais importante é saber que índios e seringueiros hoje já 
estão conscientes de que vivem problemas semelhantes ... e se sen-
te muito feliz pelo fato de seringueiros estarem hoje ao lado dos 
índios, porque em outras épocas o latifúndio se utilizou dos serin-
gueiros para expulsar os índios de suas terras, que depois acabaram 
nas mãos dos fazendeiros (PAULA, 1991, p. 210-211).
O seringueiro não queria ser colono, queria utilizar as áreas comuni-
tariamente: “não queremos título de propriedade”; “queremos que ela seja 
da União, com usufruto dos seringueiros”, dizia Chico Mendes. “Essa coisa 
pegou e chamou a atenção dos índios, que começavam a se articular” em 


171
torno da criação de Terras Indígenas (PORTO-GONCALVES, 1998, p. 
490).
Ao defender as Reservas Extrativistas como bandeira de luta, os serin-
gueiros abriam caminho para a aproximação com o movimento indígena, 
que culmina em 1989 na “Aliança dos Povos da Floresta”, na aliança entre o 
CNS e a União das Nações Indígenas (UNI). A UNI, junto com o CNS, no 
âmbito da “Aliança dos Povos da Floresta”, defenderam a regularização de 
Terras Indígenas, a criação das Reservas Extrativistas e de políticas públicas 
para a economia da borracha (AQUINO e IGLESIAS, 2005a, p. 154).
A UNI, em diferentes fóruns políticos, nos anos de 1988-89, assu-
miu posições conjuntas com o CNS, reivindicando que o Governo Fede-
ral procedesse à regularização de áreas indígenas e Reservas Extrativistas e 
efetivasse políticas públicas que garantissem a permanência e a melhoria 
da qualidade de vida das populações da floresta. Essas lideranças dos mo-
vimentos seringueiro e indígena atuavam pela primeira vez em conjunto, e 
também tentaram influenciar os rumos da política oficial para a borracha, 
incentivando a realização de pesquisas adequadas às necessidades dos povos 
da floresta, assim como angariando apoio para os programas de coopera-
tivismo, educação e saúde, que vinham desenvolvendo em parcerias com 
entidades da sociedade civil (AQUINO e IGLESIAS, 2005a).
 A Aliança dos Povos da Floresta oficializou-se durante o II Encontro 
Nacional dos Seringueiros ocorrido em Rio Branco, em março de 1989. O 
documento que oficialmente criou a aliança justificava a união desses povos 
da seguinte forma:
(...) os habitantes tradicionais da floresta amazônica – índios, se-
ringueiros, castanheiros, etc. – baseiam seu modo de vida na ex-
tração de produtos como a borracha (látex), a castanha, a balata, 
os óleos vegetais e outros. Além disso, dedicam-se à caça e à pesca 
não predatória, bem como à agricultura de subsistência. Esses gru-
pos sociais – os povos da floresta – precisam da mata e dos rios 
para sobreviver, e sabem como utilizar os recursos naturais sem 
destruí-los.


172
Eles (os habitantes tradicionais), hoje, enfrentam um inimigo co-
mum: o capitalismo predatório que tem invadido as terras de ín-
dios e de seringueiros. A Aliança dos Povos da Floresta é a união 
dos trabalhadores extrativistas com os povos indígenas para a de-
fesa conjunta da reforma agrária e das terras indígenas. Essa alian-
ça, iniciada a partir do Conselho Nacional dos Seringueiros e da 
União das Nações Indígenas, tem se concretizado na participação 
de seringueiros em assembléias indígenas e na participação de ín-
dios nas assembléias de seringueiros. 
Outros exemplos é a colaboração mútua em projetos de educação, 
saúde e cooperativismo, no apoio de índios a empates de serin-
gueiros e reivindicações conjuntas contra a implantação de colô-
nias indígenas e contra o projeto Calha Norte, na medida em que 
esses projetos implicam em medidas agressivas contra pessoas e 
contra a natureza (www.cnsnet.org.br).
Diante dessa perspectiva, declararam:
As populações tradicionais que hoje marcam no céu da Amazônia 
o Arco da Aliança dos Povos da Floresta proclamaram sua vontade 
de permanecer com suas regiões preservadas. Entendem que o de-
senvolvimento das potencialidades destas populações e das regiões 
em que habitam se constituem na economia futura de suas comu-
nidades e deve ser assegurada por toda a Nação Brasileira como 


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