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Figura 05 - Ilustração do Festival Yawa



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Figura 05 - Ilustração do Festival Yawa
Fonte: .
O 1° Encontro de Culturas Indígenas do Acre e Sul do Amazonas 
aconteceu em abril de 2000, como atividade promovida pelo Executivo es-
tadual em comemoração aos “500 anos do descobrimento do Brasil, mais 
os 500 anos de resistência cultural e da luta dos povos tradicionais da re-
gião”. Na justificativa do evento, os “índios e seringueiros nordestinos” fo-
ram apresentados como aqueles que participaram da criação do “Estado 


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Independente do Acre” e depois fizeram a Revolução Acreana, para que 
essa “terra e seu povo se tornassem Brasil” (www.fem.ac.gov.br). 
Em 2002, realizou-se o primeiro “Yawa – Festival de dança, expressões 
artística, manifestação cultural e espiritualidade do povo Yawanawa”, que 
deu origem ao DVD homônimo traduzido para oito línguas. Esse evento 
surgiu da “necessidade de valorizar as danças, expressões artísticas, cultural 
e espiritual que não foram apagadas e esquecidas da memória dos Yawa-
nawá” (www.yawanawa.org). O mesmo, segundo o cacique e pajé Niximaka 
em depoimento à antropóloga Ingrid Weber, tem se mostrado uma “impor-
tante escola de educação de nossa cultura” (WEBER, 2006). O Yawa, além 
de contribuir para a autoestima do seu povo, tem se constituído em uma 
grande vitrine da cultura indígena acreana, através de um renascimento/re-
descobrimento como povo, com uma “cultura, uma identidade e uma espi-
ritualidade em pleno século XXI” (AQUINO e IGLESIAS, 2005a, p. 186).
Os povos Yawanawá, Kaxinawá e os Ashaninka são os que mais inves-
tem em um “resgate” cultural de suas tradições, principalmente, a partir das 
festas e festivais culturais. Em 1999, os Yawanawá lançaram o CD – “Saiti 
Munuti-Mariri Yawanawá – Secred ceremonial songs of the Yawanawá pe-
ople”, uma coleção de cantos cerimoniais que “nos fazem recordar nossos 
antepassados e nos conectam ao mundo ‘moderno’, sem perder nossa iden-
tidade cultural”. Saiti Munuti é o que nos “fortalece como um povo indí-
gena, com uma cultura, língua e tradição diferente” (www.yawanawa.org). 
Os Yawanawá investem na publicidade e politização de sua cultura, o 
que atrai cada vez mais participantes não indígenas para os seus festivais, 
como o então governador do estado do Acre, Jorge Viana, no festival de 
2003. O Governo da Floresta é sempre apontado como um grande “amigo 
dos índios” para estes grupos que recebem apoio direto, pois, desde que 
assumiu o Executivo estadual, ele cumpre com o compromisso de “apoiar 
os processos de regularização das terras indígenas no Acre” (AQUINO & 
IGLESIAS, 2005b). Francisco Pianko, que ocupou o cargo de secretário da 
SEPI do Acre no período de 2003 a 2006, ressalta que, antes do Governo 
da Floresta, “os índios eram ignorados no Estado, vistos como problema e 

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