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Figura 03 - Área de litígio entre Brasil e Peru, no início do século XX



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Figura 03 - Área de litígio entre Brasil e Peru, no início do século XX
Fonte: Mello, 1990.
O governo peruano, entre 1902 a 1904, começa, a exemplo da Bolívia, 
a tentar tomar posse das terras que pretendia no Vale do Juruá e Purus. 
Com os peruanos não houve guerra declarada, mas dois conflitos foram re-
gistrados: o da localidade Funil, onde peruanos foram mortos por brasilei-
ros do Acre, e no rio Amônea, onde uma tropa do Exército brasileiro, sob o 
comando do então prefeito departamental, coronel Taumaturgo de Azeve-
do, em 1904, expulsou os peruanos do barracão do Seringal Minas Gerais, 
hoje terras do município de Marechal Taumaturgo, na fronteira com o Peru. 
Segundo Euclides da Cunha:
Os peruanos só se localizaram no Purus depois de 1890 ocupan-
do apenas três sítios aquém de Sobral, os de Hosanã, Cruzeiro 
(Independência) e Oriente na foz do Rio Chandless... Mas em 
1903, pretendeu-se sancionar politicamente o que era apenas uma 
benévola tolerância (CUNHA, 2000, p. 165).


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Continua Cunha em seu relato sobre a ocupação peruana, o caucheiro 
Dom Jorge Barreto, com instruções governamentais, fixa-se:
(...) no Oriente, na foz do Chandless... território ocupado havia 
cerca de 30 anos por brasileiros, sem contestação, e numa distância 
abrangida por mais ou menos trinta seringais, que passava assim à 
jurisdição peruana (CUNHA, 2000, p. 165).
A fronteira com o Peru fora definida após a entrega de relatórios das 
comissões mistas de reconhecimento, criadas com a finalidade de atestar o 
uti possidetis” ao longo dos rios Purus e Juruá. Para o Vale do Juruá, fora 
mandado Belarmino de Mendonça, e para o Vale do Purus, Euclides da 
Cunha.
A conclusão de Euclides da Cunha foi que a partir do Seringal Cataí 
começavam a aparecer “vestígios dos grupos errantes de caucheiros peru-
anos”. Cunha (2000, p. 310) conclui afirmando que “entre Cataí e Santa 
Rosa, a região é aparentemente deserta: só caucheiros trabalham internados 
na mata. Nada revela de barracas ou postos de brasileiros”. O Seringal So-
bral “demarca hoje (1905) a mais avançada atalaia dessa enorme campanha 
contra o deserto”; ao alcançar a:
Distância itinerária de 1.417 milhas, tem a prova tangível de que 
quatro quintos do majestoso Rio (Purus) estão povoados de brasi-
leiros, sem um hiato, sem a menor falha de uma área em abandono, 
ligados as extremas de todos os seringais (CUNHA, 2000, p. 310).
Já no Juruá, o coronel Belarmino Mendonça admirou-se ao ver “os nú-
cleos senhoriais construídos pelos barracões e barracas”, em muitos pontos 
“verdadeiros povoados, ostentando casarões extensos, sobrados e edifícios”. 
Tudo o que havia de “sólido e próspero era de brasileiro”. Os caucheiros só 
começavam a aparecer, dispersamente, da foz do Breu em diante. A partir 
do Breu, à semelhança de Cataí, esse panorama mudava. A Foz do Breu e 
o Seringal Cataí serviam de marco de transição de “duas explorações sil-
vestres: o caucho e a seringa” (TOCANTINS, 2001b, p. 508). Em 1909, 
chegou ao fim a contenda, com a assinatura do Tratado do Rio de Janeiro 
(entre Brasil e Peru), que selou as fronteiras internacionais do Acre. 


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Como podemos perceber com essa descrição, os conflitos e tensões pe-
los vales dos rios Purus e Juruá tiveram um tempo bem mais longo do que, 
de fato, é referenciado pelo discurso identitário, abrangendo cerca de uma 
década. No entanto, é a “Batalha de Plácido de Castro” que é considerada o 
grande movimento contra a dominação estrangeira, em uma guerra na qual 
o exército de seringueiros do Acre enfrentou e venceu as forças regulares do 
exército boliviano. Da mesma forma, os combates relacionados à conquista 
do Acre se resumem aos ocorridos ao longo do Rio Acre (ver foto 01). O 
mito fundador do Acre e dos acreanos, segundo o discurso oficial, está re-
lacionado ao conflito com a Bolívia, com pouco destaque para os conflitos 
com os peruanos no Alto Purus e no Alto Juruá.



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