Acreanidade indb



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GÊNESE DA “ACREANIDADE”: 
A REVOLUÇÃO ACREANA. 
GÊNESE DO ACREANISMO: O 
MOVIMENTO AUTONOMISTA 
DO ACRE
C A P Í T U L O   0 2


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perspectiva, identificamos e analisamos os espaços de referência identitária 
e os referenciais históricos, os estruturadores da identidade territorial, da 
identidade acreana. No caso acreano, foi em torno da conquista do territó-
rio dos altos rios, protagonizada pelos “revolucionários do rio Acre”, na pas-
sagem do final do século XIX para o XX, em que o Acre e os acreanos foram 
inventados. Foi em torno de uma suposta autonomia política do território, 
protagonizada pelos “autonomistas” do Acre, principalmente, no período de 
1957 a 1962, que o mito fundador, isto é, a questão da “conquista do territó-
rio”, foi realimentado. E foi em virtude da busca do reconhecimento de suas 
identidades específicas, que índios e seringueiros se organizaram, enquanto 
movimento social, e lutaram para terem reconhecidos seus vínculos territo-
riais. Esses são os três eventos históricos trazidos para o presente pelo “Go-
verno da Floresta” e que foram ressignificados em torno da “acreanidade”.
Na construção das identidades regionais, no caso uma identidade terri-
torial, faz-se um resgate das raízes culturais, ou seja, dos traços que possam 
contribuir com maior sucesso para o fortalecimento do discurso identitário, 
como os mitos de origem, os heróis fundadores e as referências territoriais.
Graças à Revolução Acreana, como veremos ao longo do primeiro item 
deste capítulo, foi construído o discurso fundador do Acre e dos acreanos. 
Esse evento também fundou outros mitos, como o do abandono político 
do Governo Federal em relação ao Acre e o do isolamento geográfico do 
Estado em relação ao restante do país. A Revolução Acreana forneceu os 
primeiros marcos identitários do Acre. Os marcos geográficos: o rio Acre 
transformado em rio político, a conquista do território “incontestavelmente 
boliviano” e a defesa da posse dos seringais. E os marcos históricos: a mi-
gração e a guerra com a Bolívia. O termo “Acre”, antes da Revolução, era 
somente o nome de um dos rios afluentes do Purus. Rio rico das “árvores 
da fortuna”. Foi nas suas margens que se travaram as batalhas conhecidas 
como Revolução Acreana – a luta pela conquista do território –, evento esse, 
enquanto construção identitária, que se tornou para o Acre e os acreanos o 
seu mito territorial.


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O objetivo deste capítulo é discutir o evento fundador do Acre e dos 
acreanos, isto é, a Revolução Acreana, pois antes desta não havia Acre en-
quanto unidade política, nem acreanos, e sim, brasileiros dos rios Acre, Pu-
rus, Juruá, Muru e tantos outros. Discutiremos, também, neste capítulo, 
os principais argumentos do acreanismo enquanto “Movimento Autono-
mista”, que defendia a emancipação política do Acre. Com o Governo da 
Floresta, este último evento é relacionado como continuidade do espírito 
contestatório dos brasileiros do Acre diante do pouco caso do Governo 
Federal com relação às questões dos “acreanos”, que remonta ao final do 
século XIX e início do século XX, pois, os acreanos, que “haviam conquis-
tado com armas nas mãos o direito de ser brasileiro, ao alcançar a vitória, 
foram relegados a cidadãos de segunda categoria em seu próprio país”. Essa 
é a ideia central do discurso oficial (Marcus Vinícius Neves, entrevista em 
abril de 2008).



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