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Acre – 100 Anos em Revolução



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Acre – 100 Anos em Revolução
Na última quadra do século XIX, uma legião de brasileiros vinha do 
nordeste para ocupar as vastas florestas nas fronteiras incertas do Brasil 
com a Bolívia e o Peru. Na Europa e EUA a Revolução Industrial 


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fomenta a demanda pela borracha. O capital internacional cobiça as 
novas terras produtoras de látex, enquanto os brasileiros resistem com o 
trabalho, embrenhando-se na selva para cortar seringa.
O Brasil sabe da saga dos pioneiros no Acre, mas o governo se omite. A 
Bolívia avança. Então, seringalistas e seringueiros decidem lutar pelo 
Acre. Em 1899, José de Carvalho lidera a primeira insurreição, ela 
fracassa, mas dá o primeiro alerta ao país. O descaso do poder central 
impõe a radicalização da luta. Luiz de Galvez declara ‘já que nossa 
pátria não nos quer, criamos outra’. Em 14/07/1899, surge o Estado 
Independente do Acre com arcabouço institucional claramente inspirado 
nos ideais da Revolução Francesa de 1789. Outra vez, o poder central 
trabalha contra e facilita a retomada do controle boliviano. Em dezem-
bro de 1900, jovens intelectuais e estudantes articulados por Rodrigues 
de Carvalho partem de Manaus com a Expedição Floriano Peixoto. A 
Expedição dos Poetas, como ficaria conhecida, é um fracasso militar, mas 
vence ao tocar fortemente na consciência nacional. A Bolívia se submete 
à mais ousada tentativa de internacionalização da Amazônia. Uma 
empresa de capital inglês, americano e alemão, o Bolivian Syndicate 
arrendaria o Acre por 20 anos, com autonomia alfandegária e poder 
militar sobre a população. Com beneplácito do governador do Amazo-
nas, Ramalho Júnior, os conspiradores acreanos articulam a partir de 
Manaus as condições para o levante revolucionário.
O gaúcho Plácido de Castro, militar com experiência acumulada desde 
a revolução federalista no sul, é chamado a liderar a luta armada. O 
exército de seringueiros declara guerra contra as tropas regulares na Bo-
lívia. Nos campos de batalha tombam centenas de combatentes de parte 
a parte. A guerra na zona de maior produção de borracha no mundo 
preocupa o capitalismo industrial e é manchete nos jornais de Londres, 
Nova Iorque e Buenos Aires.
O governo brasileiro se mantém negligente, apesar dos reclames do Se-
nado Federal. Em 15 de janeiro de 1903, o exército de seringueiros 
domina as forças bolivianas aquarteladas em Porto Acre, em 24 de 
janeiro, a Bolívia apresenta a rendição. Plácido de Castro proclama 
vitoriosa a Revolução Acreana.
Ocorre, finalmente, radical mudança na diplomacia brasileira determi-
nada pelo novo presidente da República, Rodrigues Alves, empossado 
dois meses antes. A questão do Acre passa a ser cuidada pelo ministro das 
Relações Exteriores, José Maria Silva Paranhos Júnior, o Barão de Rio 
Branco, que busca o reconhecimento internacional da conquista do Acre 


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e a paz com a Bolívia. O acordo diplomático é assinado na cidade de 
Petrópolis em 17/11/1903. O Tratado de Petrópolis é o reconhecimento 
da pátria a um povo que foi à guerra pelo direito de ser brasileiro. É 
criado o Território Federal do Acre.
Uma nova conquista amadurece por quase 60 anos até a vitória do Mo-
vimento Autonomista liderado por Guiomard Santos. Em 15/07/1962, 
o presidente João Goulart e o primeiro ministro Tancredo Neves assi-



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