Ações de saúde mental na atenção básica: caminho para ampliação da integralidade da atenção


Saúde mental infantil na atenção básica



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Saúde mental infantil na atenção básica

Na população infantil, são encontradas altas taxas de prevalência de transtornos mentais. Em revisão de literatura recente11, que incluiu trabalhos realizados a partir de 1980, foram encontradas taxas de prevalência global de transtornos mentais que variaram de 1,0% a 51,0% (média de 15,8%). Estes estudos foram realizados em mais de vinte países e a faixa etária pesquisada variou de um a dezoito anos. As taxas de prevalência tendem a aumentar proporcionalmente com a idade, sendo que a prevalência média entre os pré-escolares foi de 10,2%, entre os pré-adolescentes (seis a doze ou treze anos), de 13,2%, e entre os adolescentes, de 16,5%. No Brasil, apesar dos poucos estudos publicados12, é provável que as taxas sejam semelhantes.

Vários trabalhos apontam para o pequeno reconhecimento ou valorização, pelos pediatras e/ou outros profissionais da atenção básica, dos transtornos mentais na infância e adolescência. Em outra revisão de literatura13, abrangendo doze pesquisas sobre avaliação e tratamento dos transtornos mentais por pediatras, foi encontrada grande amplitude das taxas de diagnóstico, que variaram de 0,6% a 16,0%. A maioria destas pesquisas encontrou taxas entre 4,0% e 7,0%, aproximadamente metade daquelas encontradas pelos estudos de base populacional. Esta revisão também apresenta outros achados interessantes:

. Os pais não costumam queixar-se dos problemas emocionais ou de comportamento de seus filhos aos pediatras;

. Os pediatras têm dificuldade de identificar os problemas ou valorizar sua importância;

. Os pediatras têm receio de colocar "rótulos deletérios" em seus pequenos pacientes;

. Os pediatras são relutantes em expressar o diagnóstico para os pais por recear não ter tempo ou habilidade suficiente para lidar com o problema.

Costello et al.14, estudando 789 crianças de sete a onze anos atendidas por pediatras na atenção primária, encontraram taxa de prevalência de transtornos mentais de 22,0%. Neste mesmo estudo, a freqüência deste tipo de problema encontrada pelos pediatras foi de 5,6%. Neste mesmo estudo, os pediatras identificaram apenas 17,0% do total de crianças com problemas de saúde mental, levando a uma "new hidden morbidity" de 83,0%, conforme os autores denominaram os falsos negativos. Dulcan et al.15, estudando os fatores parentais que influenciam o reconhecimento pelos pediatras dos problemas de saúde mental das crianças, encontraram que o nível de estresse dos pais, a história familiar de doença psiquiátrica e a discussão das preocupações dos pais com o pediatra são importantes para aumentar a capacidade de detecção destes problemas pelo médico.

Com o objetivo de contribuir para o aprimoramento e compreensão do processo de atenção no campo da saúde mental na infância, o presente estudo busca investigar a abordagem dos problemas de saúde mental (PSM) durante atendimento na atenção básica16, 17.

 




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