Abdome agudo obstrutivo decorrente de linfoma não-Hodgkin em ceco: relato de um caso raro



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Abdome agudo obstrutivo decorrente de linfoma não-Hodgkin em ceco: relato de um caso raro

Possa, L. L.1*; Mueller, S.1; Echer, A. C.1; Borin, G. B.1; Abaid, R. A.2

1 Acadêmico do curso de Medicina. Departamento de Biologia e Farmácia, Universidade de Santa Cruz do Sul (UNISC) - Santa Cruz do Sul - Rio Grande do Sul.

2 Docente do curso de Medicina. Departamento de Biologia e Farmácia, Universidade de Santa Cruz do Sul (UNISC) - Santa Cruz do Sul - Rio Grande do Sul.

Email:lilianepossa@gmail.com

Palavras-chave: Abdome Agudo, Obstrução Intestinal, Neoplasias Colorretais, Linfoma, Emergências.


Introdução:

Abdome agudo obstrutivo refere-se à situação clínica urgente ou emergente causada por obstrução do trânsito gastrointestinal e possui elevada morbi-mortalidade1, tendo como principais sintomas dor e distensão abdominal. Frequentemente, quadros de neoplasias colorretais estão associadas ao desenvolvimento de abdome agudo, sendo esta a terceira neoplasia maligna mais prevalente no mundo e segunda maior causa de morte por câncer nos Estados Unidos.2 Adenomas e adenocarcinomas são formas mais observadas, já Linfoma não-Hodgkin é raro e possui diferentes tipos histológicos, os quais variam na apresentação clínica e na resposta ao tratamento.3 Linfoma no trato gastrointestinal pode causar apenas sintomas vagos e inespecíficos, como dor abdominal, náuseas, alteração do ritmo intestinal, anorexia e perda de peso, sendo obstrução ou perfuração a manifestação inicialmente percebida. Dentre os fatores de risco estão dieta rica em gorduras e pobre em fibras, idade avançada, obesidade, imunossupressão, doenças autoimunes e história familiar de linfoma. O diagnóstico pode ser feito através de exames, como colonoscopia, e de biópsia do segmento acometido. A ressecção cirúrgica associada à quimioterapia têm sido realizada como tratamento do Linfoma não-Hodgkin, visto que resulta em aumento da sobrevida.

Descrição:

Paciente F.H.I., masculino, negro, 78 anos, história prévia de hipertensão arterial sistêmica, lombalgia crônica e uso diário de anti-inflamatórios, procurou Pronto Atendimento de hospital escola no interior do RS com queixa de dor abdominal difusa associada a náuseas, vômitos e fezes diarreicas escurecidas e fétidas há três dias. Refere alteração de hábitos intestinais há um mês, quando procurou atendimento médico por constipação leve e recebeu alta após uso de sintomáticos. Ao exame físico, apresenta distensão abdominal e ruídos hidroaéreos diminuídos, presença de dor à palpação profunda e superficial em quadrante inferior direito do abdome, ausência de sinais de defesa ou peritonismo. Exames laboratoriais apresentando discreta leucocitose (20.300 leucócitos) e diminuição de função renal (creatinina 1.71). Realizou-se exames de imagem: Raio X de abdome agudo com níveis hidroaéreos e padrão de distensão de delgado; e Tomografia Computadorizada de abdome total sem contraste demonstrou massa em transição ceco-ileal com alteração de linfonodos locais (aumentados). Foi indicada laparotomia exploradora, na qual evidenciou-se presença de massa estenosante em ceco e comprometimento linfonodal difuso em mesocólon e mesentério. Realizou-se ileocolectomia direita. No pós-operatório, evoluiu sem intercorrências. O exame anatomopatológico revelou Linfoma não-Hodgkin de células B. Paciente recebeu alta estável clínica e hemodinamicamente, com encaminhamento ao serviço de oncologia.

O diagnóstico pré-operatório, principalmente na emergência, é difícil, considerando-se as manifestações clínicas insidiosas que, muitas vezes, causam busca tardia por atenção médica especializada. Além disso, os sintomas são similares a outras doenças comuns no trato digestivo, assim, o diagnóstico definitivo só pode ser obtido após análise histomorfológica e imunoistoquímica da lesão, muitas vezes após o paciente ter sido submetido a procedimento cirúrgico1. A apresentação clínica do linfoma de células B é variada e os sintomas dependem do local da lesão. Mais comumente, dor abdominal, perda de peso, massa abdominal e hematoquezia, além das características de obstrução como náusea, vômito, mudança nos hábitos intestinais, obstrução, intussuscepções e peritonite aguda devido a perfuração intestinal estão presentes4. Sendo assim, a cirurgia é o principal modo de terapia para o alívio da dor e condições emergenciais como obstrução e sangramento, além de prevenir perfuração. A quimioterapia é utilizada no pós-operatório.

Conclusão:

O caso relatado refere-se a paciente idoso o qual procurou pronto atendimento por quadro obstrutivo, sendo que em cerca de 30% dos casos de câncer colorretal obstrução é relatada e tratando-se de emergência cirúrgica5. Contudo, em pacientes com linfoma não-Hodgkin, perfuração/obstrução tem sido descrita, especialmente quando envolve íleo terminal, sendo essa situação incomum1. É importante ressaltar que linfomas primários correspondem a menos de 2% de todos os tumores intestinais, sendo raros, e dentre esses o não-Hodgkin são mais comuns1. O linfoma difuso do tipo grandes células B, como do paciente em questão, corresponde ao tipo histopatológico e imuno-histoquímico mais frequente e possui maior prevalência em idosos1. Os sintomas dessa neoplasia apresentam-se vagos e comuns a outros tipos histopatológicos, sendo os principais: dor abdominal incerta, náuseas, alteração do ritmo intestinal, anorexia e perda de peso1. Logo, obstrução intestinal requer investigação e diagnostico rápidos, pois se trata de urgência/emergência de elevada morbimortalidade, devendo-se analisar todo contexto do paciente crítico e manejá-lo de forma eficiente. O linfoma não-Hodgkin é raro em ceco e pode causar abdome agudo obstrutivo.

Referências:




  1. BASSO, Marcelo Pandolfi et al. Non-Hodgkin lymphoma as a cause of acute intestinal obstruction/perforation in patients with adenocarcinoma of the sigmoidcolon: a case report. Journal of Coloproctology (Rio de Janeiro), v. 31, n. 4, p. 378-381, 2017.




  1. SILVA, Márcio da; ERRANTE, Paolo Ruggero. Câncer colorretal: fatores de risco, diagnóstico e tratamento. Revista UNILUS Ensino e Pesquisa, v. 13, n. 33, out./dez. 2016




  1. GAY, Nathan D; CHEN, Andy; OKADA, Craig Y. Colorectal Lymphoma: A Review. Clinics in Colon and Rectal Surgery, v. 31, n. 5, p. 309-316, 2018.




  1. PANDEY, Manoj et al. Primary lymphoma of the colon: Report of two cases and review of literature. World Journal of Surgical Oncology, v. 17, n. 1, p. 1-7, 2019.




  1. SANTOS, Alex Caetano dos et al. Emergency surgery for complicated colorectal cancer in central Brazil. Journal of Coloproctology, v. 34, n. 2, p. 104-108, 2014.




  1. DOMÍNGUEZ, Verónica Martín et al. Linfomas de colon: análisis de nuestra experiência em lós últimos 23 años. Revista Española de Enfermedades Digestivas, v. 110, n. 12, p. 762-767, 2018.




  1. BAIREY, Osnat; RUCHLEMER, Rosa; SHPILBERG, Ofer; Non-Hodgkin’s Lymphomas of the Colon. The Israel Medical Association journal: IMAJ, v. 8, n. 12, p. 832-835, 2006.



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