A tomada de lisboa



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Elef cheva ve-chivim chana, cuja tradução literal seria: Mil sete e setenta anos, conforme é licito exprimir-se em hebraico, o que daria, para a Tomada de Lisboa, a data de 1147.
O pobre copista do Manuscrito da Biblioteca Nacional, embirrando, como se sabe, com todas as duplicações, cortou a dupla palavra "anos", ficando com uma palavra a menos no respectivo verso, e algum espaço mais na folha, não se importando de estragar o ritmo do verso e a possível indagação da data, para ganhar algum campo no pergaminho .. ,
Vamos acabar as nossas já longas lucubrações que, infelizmente, nada adiantaram, a não ser o demonstrar que, antes da sua conquista por D. Afonso Henriques, Lisboa já possuía uma comunidade israelita organizada (4). Apresentamos por fim o corpus delicti, ou seja a nossa péssima tradução da bela elegia de Rabi Abraham lbn Ezra sobre a Tomada de Lisboa.
Estamos certos de que as acusações do autor da elegia contra os cruzados pelas barbaridades perpetradas no bairro judaico apos a conquista de Lisboa, devem corresponder à verdade, porquanto as crueldades cometidas pelos cruzados serem do domínio publico, tanto pela famosa epístola do cruzado inglês Osberno, um dos que tomaram parte na conquista de Lisboa, como por outros documentos coevos.
A própria História de Portugal confirma os crimes cometidos pelos cruzados em todos os bairros da cidade conquistada, tanto no bairro mouro e no dos judeus, como no próprio bairro moçarabe-cristão, onde assassinaram o respectivo bispo católico.

A intenção de D.Afonso Henriques era conquistar Lisboa, mas não destroçá-la. Porém, não tendo podido, durante o longo assédio, valer-se da táctica de surpresa, que lhe tinha dado tão bons resultados na conquista de Santarém, quis reduzir Lisboa pela fome. Por esta razão, quando os mouros, acossados pela fome e pela peste, ofereceram a rendição, o rei aceitou-a de boa mente, estabelecendo com eles um acordo de capitulação, acordo que foi também aceite pelos chefes dos cruzados, pelo qual os sitiados se comprometiam a entregar a fortaleza e a cidade pacificamente ao rei português e ao seu exercito, "fazendo-lhes entrega outrossim de todo o ouro, prata e dinheiro e do mais que possuíssem, sem lhes sonegar coisa alguma", em troca do salvamento das suas vidas e do direito de saírem livremente da cidade para os que não quisessem ficar debaixo do domínio cristão.


Em vez disso, os cruzados assaltaram a cidade, que se lhes tinha entregue pacificamente, de acordo com o tratado de capitulação, como verdadeiros selvagens, no delírio da cobiça e da luxúria, assassinando, violando, ébrios de sangue, de corrupção e de libidinagem, ao grande desgosto do próprio Conquistador, que já não tinha mão neles ...

(4) De resto, durante as obras de reintegração do Castelo de São Jorge, em 1940, forma ai achados dois fragmentos de lapides funerárias hebraicas, provavelmente do século XIII, que forma cedidas, em 1944, pela Direcção-geral da Fazenda Publica ao Museu Luso-Hebraico “Abraham Zacuto” de Tomar.


A este efeito, citaremos, com a devida vénia, e para remate do nosso longo estudo, um trecho do eminente historiador Chagas Franco na admirável obra: “Quadros da Historia de Portugal”, 2.a edição ilustrada, Lisboa 1932, pág. 9, que reza assim:


“Afonso Henriques queria poupar, quanto possível, a cidade, mas a ferocidade inata dos Cruzados, a sua refalsada ma-fé, a sua avidez de abutres não lho permitiram. Apenas estipuladas as condições (da capitulação), os Alemães entraram de roldão, os Anglo-Normandos seguiram-nos e todos, desatinadamente, na febre das mais ignóbeis paixões, se dispersaram por travessas e ruas, por becos e meandros, espancando os homens, violando as mulheres, devassando os interiores, humilhando os velhos, enquanto o rei português, na mais alta torre do Castelo, ao som das salmodias cristãs, fazia arvorar a cruz”.



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