A seleção The Selection 01


participar da Seleção. Eu já estava apaixonada



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participar da Seleção. Eu já estava apaixonada.     
— E o que você acha disso? Quer dizer, da Seleção? — perguntei.     
—  Acho  normal.  O  coitado  precisa  dar  um  jeito  de  arrumar  uma 
namorada.     
Senti o sarcasmo, mas queria saber sua opinião de verdade.     
— Aspen...     
—  Tudo  bem,  tudo  bem.  Por  um  lado,  acho  meio  triste.  O  príncipe 
não  sai  com  ninguém?  Quer  dizer,  será  que  ele  não  arruma  ninguém  de 
verdade? Se eles tentam casar as princesas com outros príncipes, por que 
não fazem o mesmo com ele? Deve ter alguma nobre por aí que sirva para 
ele. Não entendo. E é isso. Mas... — ele suspirou. — Por outro lado, acho 
uma  boa  ideia.  É  emocionante.  Ele  vai  se  apaixonar  na  frente  de  todo 
mundo.  Gosto  dessa  história  de  felizes  para  sempre  e  tal.  Qualquer  uma 
pode ser a próxima rainha. Dá esperança. Me faz pensar que eu também 
posso ser feliz para sempre. 
Ele passava os dedos em volta dos meus lábios. Aqueles olhos verdes 
penetravam fundo na minha alma, e eu sentia aquela química incrível que 
só tinha com ele. Eu também queria ser feliz para sempre.     
— Então você está incentivando as gêmeas a entrar no concurso?  — 
perguntei.     
—  Sim.  Quer  dizer,  a  gente  já  viu  o  príncipe  algumas  vezes.  Ele 
parece  ser  um  cara  legal.  Quer  dizer,  é  um  imbecil,  com  certeza,  mas  é 
simpático.  E  as  meninas  estão  empolgadas;  é  engraçado  de  ver.  Elas 
estavam dançando pela casa quando cheguei do trabalho hoje. E ninguém 
pode negar que seria bom para a família. Minha mãe está otimista, porque 
temos duas participantes em casa.     


Era  a  primeira  boa  notícia  que  eu  recebia  sobre  essa  competição 
terrível.  Não  podia  acreditar  que  tinha  pensado  tanto  em  mim  que  nem 
cheguei a me lembrar das irmãs de Aspen. Se uma delas passasse, se uma 
delas entrasse...     
—  Aspen,  você  tem  noção  do  que  isso  significaria?  Se  Kamber  ou 
Celia ganhassem? 
Ele  me  abraçou  mais  forte,  acariciando  minha  testa  com  os  lábios. 
Uma de suas mãos subia e descia nas minhas costas.     
— Só pensei nisso hoje — ele confessou. O tom rouco de sua voz não 
deixava espaço para nenhum outro pensamento. Eu só queria que ele me 
tocasse e me beijasse. E era exatamente isso que aconteceria naquela noite 
se seu estômago não tivesse roncado e me acordado para a realidade.     
— Ei, trouxe um lanche para nós — eu disse com delicadeza.     
— Ah, é? — pude notar que ele tentava não soar empolgado, mas um 
pouco de sua impaciência acabou transparecendo.     
— Você vai amar esse frango. Eu que fiz.     
Peguei o embrulho e entreguei a ele, que começou a beliscar a comida 
sem afobação. Deu uma mordida na maçã, insinuando que era nossa, mas 
abri mão da minha parte e deixei que comesse o resto. 
Se  a  alimentação  era  uma  preocupação  na  minha  casa,  na  de  Aspen 
era uma tragédia. Ele tinha um trabalho muito mais exigente que o nosso, 
mas ganhava um salário bem menor. Nunca havia comida suficiente. Ele 
era  o  mais  velho  de  sete  irmãos.  Assim  como  comecei  a  ajudar  em  casa 
logo  que  pude,  Aspen  fez  o  mesmo.  Ele  passava  o  pouquinho  de  comida 
que lhe cabia para as irmãs e a mãe, sempre cansada de tanto trabalhar. O 
pai  tinha  morrido  três  anos  antes,  e  a  família  dependia  dele  para  quase 
tudo.     
Vi  com  satisfação  Aspen  lamber  o  tempero  do  frango  dos  dedos  e 

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