A relação entre o Atlântico negro e o movimento negro contemporâneo na formação de uma agenda afro-latino-americana sobre a discussão racial Objeto e objetivos



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A relação entre o Atlântico negro e o movimento negro contemporâneo na formação de uma agenda afro-latino-americana sobre a discussão racial

Objeto e objetivos

Este trabalho procura discutir a questão racial a partir do pensamento afro-latino-americano. O objetivo desta análise é entender como se deu a relação entre o movimento negro contemporâneo no Brasil e o Atlântico negro (GILROY, 2001). Para tanto, fizemos um levantamento bibliográfico acerca do movimento negro brasileiro e a relação deste com intelectuais da África e da América.

Com o objetivo de materializar o debate, produzimos uma análise acerca de dois pontos: a discussão sobre ações afirmativas no mundo; e o vínculo entre os militantes formadores do movimento negro contemporâneo (doravante, MNC) e militantes de outras partes do atlântico. Na década de 1970 esse movimento emerge no Brasil a partir de processos específicos que o diferenciaram de experiências históricas anteriores como o teatro experimental do negro (TEN) e a Frente negra brasileira (FNB).

Entre as novas características do MNC, percebemos a circulação de referências do Atlântico negro, essa mudança foi fundamental na construção do movimento em vários países (PEREIRA, 2013). No Brasil, o contexto histórico da formação do MNC foi a ditadura militar, e a diferença deste movimento para os anteriores está pautada em quatro pilares.

Os quatro pilares que fundaram o MNC foram: a oposição ao mito da democracia racial; a aproximação com os partidos de esquerda; a troca do dia da consciência negra para 20 de novembro; e a influência de outros países em sua formação. Para este artigo, procuro me atentar ao último tópico, principalmente a influência dos países africanos – vivendo processo de independência – e dos países do continente americano, sobretudo, dos países caribenhos e os Estados Unidos – este último tendo vivenciado o movimento dos direitos civis.

No primeiro momento deste trabalho pretendo tratar da formação do movimento negro brasileiro na década de 1970. Em seguida busco abordar os eventos estratégicos que possibilitaram a troca de informações entre os países. Por fim, o artigo busca construir uma síntese deste momento e entender quais foram os resultados, as consequências dessas trocas.

A fundação do movimento negro unificado (doravante, MNU) é considerada por militantes e pesquisadores como o marco principal do MNC, o MNU foi fundamental para a transformação do movimento negro brasileiro (Ibidem, p.132). Este movimento se diferenciou dos anteriores por constituir-se como movimento popular e democrático (COSTA, 2006). Diferente das experiências anteriores – FNB e TEN, por exemplo – o MNU criticava o discurso hegemônico ao se contrapor a qualquer tipo de assimilação, procurando sempre se posicionar por uma igualdade institucionalizada, e que garantisse a igualdade real entre brancos e negros.
Para entendermos como se deram as trocas entre os movimentos negros de diferentes países devemos buscar na obra, O Atlântico negro, escrita por Paul Gilroy, como foi o movimento da diáspora africana. Uma das passagens do livro mostra bem o objetivo deste movimento, Gilroy (2001) escreve que o piloto de Colombo era Pedro Nino, um africano e desde então a história do Atlântico negro perpassa pelo movimento de povos negros, não só como mercadoria, mas também nas lutas de emancipação, cidadania e autonomia. Esse movimento possibilitou outra forma de entender a identidade e a memória histórica do povo negro.




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