A reconstruçÃo do pós-guerra



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História A 12º Ano

17/fevereiro



A RECONSTRUÇÃO DO PÓS-GUERRA

A DEFINIÇÃO DE ÁREAS DE INFLUÊNCIA

Com o fim da Segunda Guerra Mundial a Alemanha e o Japão, que sonhavam com grandes domínios territoriais, saíram da guerra totalmente vencidos e humilhados.

O Reino Unido e a Franca, embora vencedores, estavam empobrecidos e dependentes da ajuda externa.

Perante a ruína do pós-guerra só duas potências permaneciam fortes:

- URSS: escudada na força do Exército Vermelho e na sua imensa extensão geográfica;

-EUA: indiscutivelmente a primeira potência mundial.


  • A construção de uma nova ordem internacional: as conferências de paz

Com o aproximar do fim da Segunda Guerra Mundial os Aliados (vencedores) começam a delinear estratégias para o período de paz que viria.

Entre 4 e 11 de fevereiro de 1945, Roosevelt (presidente americano), Churchill (primeiro ministro inglês) e Estaline (secretário geral do partido comunista – URSS) reúnem-se nas termas de Ialta (nas margens do Mar Negro), com o objetivo de estabelecerem as regras que devem sustentar a nova ordem internacional do pós-guerra.


Conferência de Ialta:

- Definiram-se as fronteiras da Polónia, ponto de discórdia entre os ocidentais – que não esqueciam ter sido a violação das fronteiras polacas a causa imediata da guerra – e os soviéticos – que não desistiam de ocupar a parte oriental do país;

- Estabeleceu-se a divisão provisória da Alemanha em quatro áreas de ocupação, geridas pelas três potências conferencistas e pela França, sob a coordenação de um Conselho Aliado;

- Marcação da reunião da conferência preparatória da ONU;

- Supervisão dos três grandes na futura constituição dos países de Leste, ocupadas pelo eixo;

- Estabelecimento de 20.000 milhões de dólares como base das reparações da guerra devidas pela Alemanha.


Alguns meses mais tarde, em finais de julho de 1945, reuniu-se em Potsdam (perto de Berlim) uma nova conferência com o fim de consolidar os alicerces da paz.

Decorreu num clima mais tenso que a de Ialta.

Vencida a Alemanha, renasciam as desconfianças face ao regime comunista que Estaline representava e às suas pretensões expansionistas na Europa.

Deste modo, a conferência encerrou sem alcançar uma solução definitiva para os países vencidos, limitando-se a ratificar e a pormenorizar os aspetos já acordados em Ialta.


Conferência de Potsdam:

- Perda provisória da soberania alemã e sua divisão em quatro zonas de influências;

- Administração conjunta da cidade de Berlim, igualmente dividida em quatro zonas de ocupação;

- Montante e tipo de indemnizações a pagar pela Alemanha;

- Julgamento dos criminosos de guerra nazis, através da criação do Tribunal Internacional de Nuremberga;

- Divisão, ocupação e desnazificação da Áustria, em moldes semelhantes aos estabelecidos para a Alemanha.




  • Um novo quadro político

Nó pós-guerra aumenta a importância da URSS a nível internacional. No último ano do conflito, na sua marcha vitoriosa até Berlim, coubera ao Exército Vermelho a libertação dos países da Europa Ocidental. Na Polónia, Checoslováquia, Hungria, Roménia e Bulgária, os soldados russos substituíram os ocupantes nazis.

Entre 1946 e 1948, estes países encaminharam-se para o socialismo, constituindo as democracias liberais.

Este rápido processo de sovietização foi, de imediato, contestado pelos ocidentais. Churchill denunciou a criação, por parte da URSS, de uma área de influência impenetrável, isolada do ocidente por uma “cortina de ferro”1.
A ORGANIZAÇÃO DAS NAÇÕES UNIDAS

Após o fracasso da SDN a ideia de uma organização internacional que assegurasse a paz e a segurança permaneceu.

Deste modo, Franklin Roosevelt, nas cimeiras da “Grande Aliança” criou uma organização mais consistente – a ONU.

Este projeto ficou acordado em 1943 na Conferência de Teerão e foi ratificado em Ialta onde se decidiu a convocação de uma conferência para redigir e aprovar a carta fundadora das nações unidas.

Esta, iniciou-se no dia 25 de Abril de 1945 em São Francisco, tendo como princípios fundamentais:

- Manter a paz e reprimir os atos de agressão, utilizando meios pacíficos, de acordo com os princípios da justiça e o direito internacional;

- Desenvolver relações de amizade entre as países do mundo, baseadas na igualdade entre os povos e no seu direito à autodeterminação;

- Desenvolver a cooperação internacional no âmbito económico, social e cultural e promover a defesa dos Direitos Humanos;

- Funcionar como centro harmonizador das ações tomadas para alcançar estes propósitos.


Após as atrocidades cometidas durante a Segunda Guerra Mundial com o holocausto e disposta a impedi-las no futuro, a ONU tomou uma feição profundamente humanista, através do reforço, em 1948, da Declaração Universal dos Direitos do Homem substituindo a Declaração dos Direitos do Homem e do Cidadão, que passou a integrar os documentos fundamentais das Nações Unidas.

Este documento definia os direitos e as liberdades fundamentais (direito à vida, liberdade de reunião, expressão, etc.) e também tivera sido atribuído um papel importante às questões económico-sociais (direito ao trabalho, ao descanso, ao ensino…).




A Carta das Nações Unidades definiu também os órgãos básicos do funcionamento da instituição:

- Assembleia Geral: formada pela generalidade dos Estados-membros, funciona como um parlamento;

- Conselho de Segurança: formado por 15 membros (cinco dos quais permanentes – EUA, URSS, Reino Unido, França e República Popular da China) e 10 flutuantes eleitos pela Assembleia-Geral por dois anos. É o órgão diretamente responsável pela manutenção da paz e da segurança: atua como mediador, decreta sanções económicas e em último caso decide a intervenção das forças militares;

- Secretariado-Geral: representa a ONU e, com ela, praticamente todos os povos do mundo;

- Conselho Económico-Social: encarregado de promover a cooperação a nível económico, social e cultural entre as nações. Atua através de instituições especializadas e outros órgãos específicos que se encontram sob a sua tutela: BIRD, FAO, OIT, OMS. É um dos órgãos mais ativos e importantes da ONU.

- Tribunal Internacional da Justiça: é o órgão máximo da justiça internacional;

- Conselho de Tutela: órgão criado com o fim principal de administrar os territórios que outrora se encontravam sob a alçada da SDN;
A ONU tem sede em Nova Iorque desde 1952, contando com 192 países.

AS NOVAS REGRAS DA ECONOMIA INTERNACIONAL



  • O ideal de cooperação económica

O planeamento do pós-guerra não se processou somente a nível político. Em julho de 1944, um grupo de economistas (dos quais um deles era Keynes, ligado ao intervencionismo) reuniu-se em Bretton Woods (EUA) a fim de prever e estruturar a situação monetária e financeira do período de paz.

Com o fim da guerra tornava-se essencial regularizar o comércio mundial, os pagamentos e a circulação de capitais, evitando o círculo vicioso de desvalorizações monetárias e a instabilidade das taxas de câmbio dos anos 20 e 30.

Assim, para garantir a estabilidade das moedas criou-se um novo sistema monetário internacional: o dólar era a moeda-padrão e as restantes moedas tiveram sido convertidas em ouro ou dólar.

Na mesma conferência e com o objetivo de operacionalizar o sistema criaram-se dois organismos importantes:

- FMI (Fundo Monetário Internacional) ao qual recorreriam os bancos centrais dos países com dificuldades em manter a paridade fixa da moeda ou equilibrar a sua balança de pagamentos;

- Banco Internacional para a Reconstrução e o Desenvolvimento (BIRD) também conhecido como Banco Mundial, destinado a financiar projetos de fomento económico a longo prazo.


Em 1947, na Conferência Internacional de Genebra, assina-se um Acordo Geral de Tarifas e Comércio (GATT) onde 23 países se comprometeram a negociar a redução dos direitos alfandegários e outras restrições comerciais. Isto permitia melhorar as condições de vida, garantia o emprego, permitia o crescimento da produção e do consumo e a expansão das trocas de mercadorias.

Esta ideia de um espaço económico alargado deu origem, nesse mesmo ano, à BENELUX: aliança entre a Bélgica, Holanda e Luxemburgo, prevendo a abolição das tarifas alfandegárias entre os três países.


A PRIMEIRA VAGA DE DESCOLONIZAÇÃO

  • Uma conjuntura favorável à descolonização

A primeira vaga de descolonização deu-se logo a seguir à Segunda Guerra Mundial, iniciando-se no continente asiático e no Médio Oriente e percorrendo ao Norte de África.

A guerra tivera exigido pesados sacrifícios às colónias, sendo que esta também tivera posto em evidência as fragilidades da Europa. Até aí, vistos como invencíveis, os estados europeus mostraram-se incapazes de defender os seus territórios da invasão estrangeira, tal como a Ásia.

Aos efeitos demolidores da guerra juntaram-se as pressões exercidas pelas duas superpotências, que apoiam os esforços de libertação dos povos colonizados.

Os EUA em lembrança do seu próprio passado e em defesa dos seus interesses económicos sempre se mostraram adversos à manutenção do sistema colonial.

A URSS atua em nome da ideologia marxista – que prevê a revolta dos oprimidos pelos interesses económicos capitalistas e não desperdiça a possibilidade de estender, nos países recém-formados, o modelo soviético.

A ONU, por sua vez, defendia a descolonização, pois segundo a Carta os países tinham direito à autodeterminação.




  • A descolonização asiática

No Médio Oriente tornam-se independentes a Síria, Líbano, Jordânia e Palestina onde em 1948 nasce Israel.

Na Índia, no decorrer da guerra, o partido do congresso liderado por Gandhi obtivera através de Churchill a promessa da retirada inglesa. No entanto, devido ao antagonismo entre as comunidades hindu e muçulmana os britânicos atrasaram o processo que só em 1947 se concretiza ficando a Índia dividida em dois estados: União indiana (hindu) e o Paquistão (muçulmano).

Ceilão, Birmânia e Malásia também reclamaram a sua independência. Com exceção da Malásia, cuja posição estratégica dificultou a cedência britânica os ingleses aceitaram a descolonização.

Também Holandeses e Franceses são obrigados a abrir mão das suas colónias.

Em 1945, o dirigente nacionalista Sukarno proclama a República da Indonésia. Pouco dispostos a abdicar do território, os Holandeses recorrem à força das armas, mas pressionados pela ONU acabam por reconhecer, em 1949, a independência do novo país.

O processo de descolonização da Indonésia mostrou-se mais violento e sangrento pois a ocupação japonesa fomentara fortes sentimentos antifranceses. A guerra da Indochina acaba por adquirir um cariz ideológico visto como uma tentativa de extensão do comunismo na Ásia, já que o líder Ho Chi Minh era comunista. Só em 1945, os franceses vencidos se retiram reconhecendo o nascimento de novas nações: Vietname, Laos e Cambodja.





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