A reabilitação Cardíaca em Contexto Comunitário: aptidão física funcional da pessoa idosa com doença cardiovascular



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•  Deixar  de  fumar  reduz  o  risco  de  morbilidade  e  mortalidade  cardiovascular  nos 
fumadores com e sem DAC.  
Sedentarismo: 
 
Considera-se  que  uma  pessoa  é  sedentária  quando  esta  não  pratica,  pelo  menos,  30 
minutos  de  AF  de  intensidade  moderada,  3  vezes  por  semana  durante,  no  mínimo,  3  meses 
consecutivos (ACSM, 2017). Entende-se por AF, todo o movimento corporal produzido pelo sistema 
músculo-esquelético  que  resulte  em  dispêndio  de  energia  (Caspersen,  Powell,  &  Christenson, 
1985). Os comportamentos sedentários são, por exemplo, dormir, sentar, ler, meditar, relaxar, ver 
televisão, estar ao computador, ouvir música, falar ao telefone, escrever, jogar cartas ou andar de 
carro, durante tempos prolongados, podendo estas atividades existir nos mais variados contextos: 
no trabalho, em casa, durante o lazer e/ou meios de transporte (Ford & Caspersen, 2012).  
 
Um estado de repouso físico total que não fornece estímulos suficientes aos órgãos para 
manterem  a  sua  estrutura,  função  e  regulação  normal  designa-se  por  inatividade  física.  Esta  é 
considerada  o  quarto  fator  de  risco  de  mortalidade  a  nível  mundial  (WHO,  2010b).  Em  2011, 
segundo os dados do Repositório da Organização Mundial de Saúde, 31% dos adultos, no mundo, 
foram  classificados  como  fisicamente  inativos  (WHO,  2011).  Em  Portugal,  num estudo  realizado 


13 
 
pelo Eurobarómetro (2014), 64% dos inquiridos responderam que não praticavam qualquer tipo de 
desporto ou exercício físico. Um estudo realizado por Wijndaele et al., (2011) examinou a relação 
entre o tempo passado a ver televisão e a mortalidade por todas as causas, nas DCV e no cancro. 
Os  resultados  deste  estudo  prospetivo  demonstraram  que  existe  uma  associação  entre  níveis 
elevados de tempo despendido a ver televisão e o aumento do risco de morte por todas as causas 
e  por  DCV.  Estes  efeitos  são  independentes  da  AF  total  e  de  outras  co  variáveis  (sexo,  idade, 
educação,  tabagismo,  álcool,  medicação,  entre  outras)  sendo  os  resultados  semelhantes  entre 
quem pratica pouca AF e quem é fisicamente bastante ativo. Uma revisão mais recente salientou 
que  os  adultos  passam,  aproximadamente,  entre  6  a  8  horas  por  dia  em  comportamento 
sedentário. Outra conclusão foi que este tipo de comportamento poderá aumentar o risco de DCV 
e de diabetes mellitus através de vários mecanismos e independente do nível de AF (moderada a 
vigorosa), no entanto, carece de mais investigação (Young et al., 2016). 
 
Obesidade: 
 
Entre os anos de 1980 e 2014 a prevalência mundial de obesidade duplicou. Em 2014, mais 
de 1,9 mil milhões de adultos, com idades superiores a 18 anos, tinham excesso de peso. Destes, 
mais de 600 milhões tinham obesidade. Em termos mundiais, estes números significam que cerca 
de 13% da população sofria de obesidade em 2014 (WHO, 2016b). Neste mesmo ano, em Portugal, 
mais de metade da população (52,8%) com mais de 18 anos tinha excesso de peso e verificou-se 
um aumento da obesidade com maior incidência no sexo feminino e na população com idades entre 
os 45 e os 74 anos (Graça et al., 2016). A forma mais prática de classificar se a pessoa se encontra 
abaixo do peso, normal, excesso de peso ou obesidade é através da utilização do índice de massa 
corporal (IMC: peso (kg)/altura
2
(m)) (Poirier et al., 2006). Para ser considerado um fator de risco 
para DCV, o valor do IMC tem de ser superior ou igual a 30 kg/m
2
 ou ter um perímetro de cintura 
superior  a  102  cm  para  os  homens  e  88  cm  para  as  mulheres  (ACSM,  2017).  Na  tabela  abaixo 
encontram-se  os  valores  do  IMC  e  do  perímetro  de  cintura  utilizados  para  descrever  o  risco 
associado a potenciais doenças (Tabela 3). 
Tabela 3 - IMC, perímetro de cintura e risco de doença 
 
 
De forma geral, a causa para o excesso de peso e obesidade é um desequilíbrio energético 
entre as calorias ingeridas e as calorias despendidas. Por exemplo, isto ocorre quando se ingere 
alimentos com elevado teor de gorduras e se é fisicamente inativo (WHO, 2016b). Como foi dito 
anteriormente, a obesidade está associada às DCV e isto deve-se a uma acumulação excessiva de 
tecido adiposo que vai provocar alterações na estrutura e função cardíaca. Para se conseguir reagir 
ao  aumento  das  alterações  metabólicas,  o  volume  sanguíneo,  o  volume  plasmático  e  o  débito 
cardíaco  vão  também  ter  que  aumentar.  Este  aumento  vai  fazer  com  que  o  retorno  venoso  do 
ventrículo  direito  e  esquerdo  também  aumente  resultando  numa  dilatação  das  cavidades  do 
miocárdio e mais tarde numa hipertrofia ventricular esquerda. Todas estas alterações fazem com 



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