A reabilitação Cardíaca em Contexto Comunitário: aptidão física funcional da pessoa idosa com doença cardiovascular



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Key-Words 
Cardiovascular  Disease,  Coronary  Artery  Disease,  Cardiac  Rehabilitation,  Cardiovascular 
Rehabilitation  Center  of  the  University  of  Lisbon,  Ageing,  Physical  Exercise,  Physical  Activity, 
Evaluations, Functional Physical Fitness, Functional Physical Training 
 


iv 
 
Índice
 
 
Agradecimentos .............................................................................................................................. i 
Resumo ............................................................................................................................................ii 
Abstract .......................................................................................................................................... iii 
Índice de Tabelas ............................................................................................................................ vi 
Índice de Figuras ............................................................................................................................ vi 
Índice de Gráficos .......................................................................................................................... vii 
Abreviaturas ................................................................................................................................. viii 
I. 
Introdução .......................................................................................................................... 1 
II. 
Enquadramento da Prática Profissional ............................................................................. 3 
1. 
As Doenças Cardiovasculares em Números ....................................................................... 3 
2. 
Doenças Cardiovasculares .................................................................................................. 5 
2.1 
Doença das Artérias Coronárias ..................................................................................... 6 
2.1.1 
Processo Aterosclerótico ............................................................................................ 6 
2.1.2 
Sinais, Sintomas e Diagnóstico ................................................................................... 7 
2.1.3 
Tratamento cirúrgico e farmacológico ..................................................................... 10 
2.2 
Fatores de Risco ........................................................................................................... 11 
3. 
Reabilitação Cardíaca ....................................................................................................... 15 
3.1 
História e Definição ...................................................................................................... 15 
3.2 
Componentes de um programa de Reabilitação Cardíaca ........................................... 16 
3.3 
Organização dos programas de Reabilitação Cardíaca ................................................ 18 
3.3.1 
Fases da Reabilitação Cardíaca ................................................................................ 18 
3.3.2 
Recursos Humanos e Materiais ................................................................................ 19 
3.3.3 
Seleção de doentes para a Reabilitação Cardíaca .................................................... 21 
3.4 
Estratificação do Risco Cardiovascular ......................................................................... 22 
3.4.1 
Prova de Esforço Clássica e Cardiorrespiratória ....................................................... 24 
3.5 
Exercício Físico num programa de Reabilitação Cardíaca ............................................ 26 
3.5.1 
Benefícios da atividade física e do exercício físico ................................................... 26 
3.5.2 
Prescrição de exercício físico .................................................................................... 28 
3.5.3 
Prescrição de exercício físico para a população idosa ............................................. 31 
3.6 
Referenciação e Barreiras à adesão aos Programas de Reabilitação Cardíaca ............ 32 
3.7 
Panorama da Reabilitação Cardíaca em Portugal ........................................................ 34 
III. 
Realização da Prática Profissional ..................................................................................... 36 
1. 
Caracterização do local de estágio ................................................................................... 36 
1.1. 
Centro de Reabilitação Cardiovascular da Universidade de Lisboa (CRECUL) ............. 36 
1.1.1 Recursos Humanos .......................................................................................................... 37 



 
1.1.2 Infraestruturas e Materiais ............................................................................................. 37 
1.1.3 Acessibilidade aos Participantes ..................................................................................... 39 
1.1.4 Horário de Funcionamento ............................................................................................. 39 
1.1.5 Recrutamento dos Participantes ..................................................................................... 39 
1.1.6 Entrevista Inicial .............................................................................................................. 40 
1.1.7 Sessão Tipo ...................................................................................................................... 41 
1.1.8 Avaliações ........................................................................................................................ 43 
1.1.9 Caracterização dos Participantes .................................................................................... 49 
1.1.10 Intervenção pessoal ...................................................................................................... 59 
2. 
Contributo pessoal para o CRECUL .................................................................................. 63 
IV. 
Conclusão e Reflexão Final ............................................................................................... 71 
V. 
Referências Bibliográficas ................................................................................................. 73 
VI. 
Anexos .............................................................................................................................. 81 
Anexo 1 - Contraindicações Absolutas e Relativas para a realização de uma Prova de Esforço 
Cardiorrespiratória ................................................................................................................... 81 
Anexo 2 - Questionário de Avaliação Inicial do CRECUL .......................................................... 82 
Anexo 3 – Escala subjetiva de esforço de Borg (6-20) utilizada no CRECUL ............................ 86 
Anexo 4 - Ficha de treino individualizada do CRECUL .............................................................. 87 
Anexo 5 - Contraindicações para a realização da sessão ......................................................... 89 
Anexo 6 - Instruções para o exame DXA .................................................................................. 90 
Anexo 7 - Exemplo de uma DXA de um participante do CRECUL............................................. 91 
Anexo 8 - Instruções para a PECR ............................................................................................. 92 
Anexo 9 - Consentimento Informado para a PECR .................................................................. 93 
Anexo 10 - Exemplo de uma PECR de um participante do CRECUL ......................................... 94 
Anexo 11 - Exemplo de um Relatório e Resultados das Avaliações Realizadas no CRECUL .... 95 
Anexo 12 - Folha de registo das baterias de teste funcionais do CRECUL ............................. 106 
Anexo 13 - Folha de Registo de 1-RM do CRECUL .................................................................. 108 
Anexo 14 - Procedimentos de utilização e registo do acelerómetro ..................................... 109 
Anexo 15 - Material existente na Academia de Fitness do EUL ............................................. 111 
Anexo 16 - Contributo: Circuito e Percurso descritos detalhadamente ................................ 115 
 
 
 
 
 


vi 
 
Índice de Tabelas 
 
Tabela 1 - Número e percentagem de mortes por DCV na europa ................................................... 3 
Tabela 2 - Classificação do grau de Angina pela Sociedade Cardiovascular Canadiana .................... 8 
Tabela 3 - IMC, perímetro de cintura e risco de doença .................................................................. 13 
Tabela 4 - Contraindicações Absolutas e Relativas para a prática de exercício físico ..................... 21 
Tabela 5 - Estratificação do risco cardiovascular pela AHA ............................................................. 22 
Tabela 6 - Estratificação de risco pela AACVPR ................................................................................ 23 
Tabela 7 - Fatores relacionados com uma referenciação limitada e baixa adesão ......................... 33 
Tabela 8 - Equipa de Reabilitação Cardíaca ..................................................................................... 35 
Tabela 9 - Sexo e Idade dos participantes CRECUL .......................................................................... 49 
Tabela 10 - Terapêutica Farmacológica CRECUL .............................................................................. 50 
Tabela 11 - Resultados Antropométricos dos participantes CRECUL .............................................. 51 
Tabela 12 - Valores médios de 1RM (kg) obtidos pelos participantes do CRECUL .......................... 54 
Tabela 13 - Horário de Estágio Outubro-Dezembro CRECUL ........................................................... 59 
Tabela 14 - Horário de Estágio Janeiro-Março CRECUL ................................................................... 61 
Tabela 15 - Horário de Estágio Abril-Julho CRECUL ......................................................................... 62 
Tabela 16 - Caracterização da amostra: contributo ......................................................................... 65 
Tabela 17 - Resultados bateria de testes funcionais, força de preensão manual e 1-RM (M0-M1) 66 
 
Índice de Figuras 
 
Figura 1 - Percentagem das principais causas de morte na Europa em homens .............................. 4 
Figura 2 - Percentagem das principais causas de morte na Europa em mulheres ............................ 4 
Figura 3 - Mortalidade em Portugal (%), 2012 ................................................................................... 4 
Figura 4 - 10 principais causas de morte em 2012 ............................................................................. 4 
Figura 5 - Causas de morte em Portugal (1988-2013) ....................................................................... 5 
Figura 6 - Causas do desenvolvimento e progressão da aterosclerose ............................................. 6 
Figura 7 - Fases da aterosclerose ....................................................................................................... 7 
Figura 8 - Processo contínuo de tratamento após evento cardíaco ................................................ 19 
Figura 9 - Evolução do número de centros de reabilitação cardíaca ............................................... 35 
Figura 10 - Edifício e Receção da Academia de Fitness EUL ............................................................. 37 
Figura 11 - Gabinete CRECUL e Sala de Exercício ............................................................................. 38 
Figura 12 - Estúdio Principal e Estúdio 2 .......................................................................................... 38 
Figura 13 - Treino aeróbio com projeção das FC .............................................................................. 42 
Figura 14 - Esquema ilustrativo do 1º circuito - Estúdio Principal ................................................... 68 
Figura 15 - Esquema ilustrativo do 1º circuito - Estúdio 2 (primeira parte) .................................... 68 
Figura 16 - Esquema ilustrativo do 1º circuito - Estúdio 2 (segunda parte) .................................... 69 
Figura 17 - Esquema ilustrativo do 2º circuito - Estúdio Principal (esquerda) e Estúdio 2 (direita)  69 
 
 
 
 
 


vii 
 
Índice de Gráficos 
 
Gráfico 1 - Número de participantes por sessão CRECUL 2016/2017 ............................................. 39 
Gráfico 2 - Doenças Cardiovasculares CRECUL ................................................................................ 49 
Gráfico 3 - Fatores de risco CRECUL ................................................................................................. 50 
Gráfico 4 - Tabagismo CRECUL ......................................................................................................... 50 
Gráfico 5 - %Massa Gorda, sexo masculino CRECUL ........................................................................ 51 
Gráfico 6 - %Massa Gorda, sexo feminino CRECUL .......................................................................... 52 
Gráfico 7 - VO2pico (ml/kg/min), sexo masculino CRECUL .............................................................. 52 
Gráfico 8 - VO2pico (ml/kg/min), sexo feminino CRECUL ................................................................ 53 
Gráfico 9 - 6 minutos marcha (m), sexo masculino CRECUL ............................................................ 53 
Gráfico 10 - 6 minutos marcha (m), sexo feminino CRECUL ............................................................ 53 
Gráfico 11 - Força de preensão manual, sexo masculino, CRECUL .................................................. 54 
Gráfico 12 - Força de preensão manual, sexo feminino, CRECUL .................................................... 55 
Gráfico 13 - Teste de terreno "Levantar e Sentar" sexo masculino ................................................. 55 
Gráfico 14 - Teste de terreno "Levantar e Sentar" sexo feminino ................................................... 55 
Gráfico 15 - Senta e Alcança - Sexo Masculino ................................................................................ 56 
Gráfico 16 - Alcançar atrás das costas - Sexo Masculino ................................................................. 56 
Gráfico 17 - Senta e Alcança - Sexo Feminino .................................................................................. 57 
Gráfico 18 - Alcançar atrás das costas - Sexo Feminino ................................................................... 57 
Gráfico 19 - Levantar, Caminhar e Sentar - Sexo masculino ............................................................ 57 
Gráfico 20 - Levantar, Caminhar e Sentar - Sexo Feminino ............................................................. 58 
Gráfico 21 - AF Moderada a Vigorosa (min/sem) - Sexo Masculino ................................................ 58 
Gráfico 22 - AF Moderada a Vigorosa (min/sem) - Sexo Feminino .................................................. 58 
Gráfico 23 - Prevalência da DAC e do EAM por idade e sexo ........................................................... 64 
 
 
 


viii 
 
Abreviaturas 
 
1-RM - Uma Repetição Máxima 
AACVPR - American Association of Cardiovascular and Pulmonary Rehabilitation  
ACSM - American College of Sports Medicine 
AF - Atividade Física 
AHA - American Heart Association 
AVC - Acidente Vascular Cerebral 
CRECUL - Centro de Reabilitação Cardiovascular da Universidade de Lisboa 
DAC - Doença das Artérias Coronárias 
DCV - Doenças Cardiovasculares 
DXA - Densitometria Radiológica de Dupla Energia 
EAM - Enfarte Agudo do Miocárdio 
ECG - Eletrocardiograma 
EUA - Estados Unidos da América 
EUL - Estádio Universitário de Lisboa 
FMH-UL - Faculdade de Motricidade Humana da Universidade de Lisboa 
HDL - High Density Lipoprotein 
HPV-CHLN - Hospital Pulido Valente – Centro Hospitalar Lisboa Norte  
IMC - Índice de Massa Corporal 
LDL - Low Density Lipoprotein 
NYHA - New York Heart Association 
OMS - Organização Mundial de Saúde 
PAD - Pressão Arterial Diastólica 
PAS - Pressão Arterial Sistólica 
PC – Perímetro de Cintura 
PE - Prova de Esforço 
PECR - Prova de Esforço Cardiorrespiratória  
PRC - Programa de Reabilitação Cardíaca 
QR - Quociente Respiratório 
RC - Reabilitação Cardíaca 
WHO - World Health Organization



 
I. 
Introdução 
 
Em 2015, cerca de 17,9 milhões de pessoas morreram por doença cardiovascular (DCV), 
sendo esta a principal causa de morte do mundo (Wang, 2016). Na Europa, neste mesmo ano, as 
DCV causaram mais de 4 milhões de mortes correspondendo a um total de 45% de todas as mortes. 
Se  diferenciarmos  por  sexo,  40%  das mortes  foram do  sexo masculino e  49%  do  sexo  feminino 
(Townsend et al., 2016b; E. Wilkins et al., 2017).  
Em Portugal o panorama não é muito diferente, em 2013 as DCV foram responsáveis por 
29,5% das mortes, no entanto, é de notar a diminuição desta percentagem desde o ano de 1988, 
onde esta doença foi responsável por 44,4% das mortes o que demonstra que têm sido tomadas 
medidas para diminuir a prevalência desta doença (Ferreira et al., 2016).  
As DCV englobam todas as doenças que afetam o coração e os vasos sanguíneos sendo a 
doença das artérias coronárias (DAC) um destes casos (WHO, 2016a). A DAC, entre os vários tipos 
de DCV, é a principal causa de mortalidade e morbilidade mundial (Sayols-Baixeras, Lluís-Ganella, 
Lucas, & Elosua, 2014) e surge através da conjugação de vários fatores de risco como o tabagismo
sedentarismo,  obesidade,  hipertensão,  dislipidemia,  diabetes,  idade  e  história  familiar  (ACSM, 
2017). 
Diversas  investigações  têm  sido  realizadas  com  o  objetivo  de  identificar  estratégias  de 
prevenção  e/ou  de  melhorar  o  tratamento  das  DCV  e  consequentemente  contribuir  para  a 
qualidade  de  vida das pessoas diagnosticadas com esta  doença. A reabilitação cardíaca (RC), ou 
prevenção secundária, surgiu com este propósito e é  definida como um processo coordenado e 
multifacetado cujo objetivo é otimizar o funcionamento psicológico, social e físico de uma pessoa 
com  DCV  e,  adicionalmente,  estabilizar,  retardar  ou  mesmo  reverter  o  progresso  do  processo 
aterosclerótico reduzindo, desta forma, as taxas de morbilidade e de mortalidade (A. S. Leon et al., 
2005).  
Os  programas  de  RC  oferecem  uma  abordagem  multifacetada  e  multidisciplinar  para 
reduzir o risco cardiovascular geral (G. J. Balady et al., 2007). O exercício físico e a atividade física 
(AF) são uma das componentes destes programas devido aos inúmeros benefícios na prevenção e 
melhoria dos fatores de risco e na diminuição dos sintomas associados à doença (Gerald F. Fletcher 
et al., 2013).  
O  estágio  descrito  neste  relatório  focar-se-á  no  aperfeiçoamento  e  consolidação  de 
competências no âmbito da prescrição de exercício físico e o aconselhamento de AF para pessoas 
com  DCV  em  contexto  de  RC  comunitária,  com  o  objetivo  de  obtenção  do  grau  de  mestre  em 
Exercício  e  Saúde.  Assim,  segundo  o  regulamento  elaborado  pela  Faculdade  de  Motricidade 
Humana  –  Universidade  de  Lisboa  (FMH-UL),  as  competências  a  desenvolver  durante  o  estágio 
compreendem especificamente os seguintes níveis: 
a)  Avaliação e interpretação da AF e dos comportamentos sedentários, da aptidão física, do 
equilíbrio energético e de indicadores de bem-estar e qualidade de vida; 
b)  Conceção e  prescrição de programas de exercício supervisionado e  de  programas de  AF 
autoadministrados visando a manutenção ou melhoria da aptidão física, da qualidade de 
vida relacionada com a saúde e do bem-estar psicológico; 
c)  Dinamização  de  equipas  e  iniciativas  de  promoção  da  AF  ou  onde  a  avaliação  e/ou 
prescrição  de  AF  represente  uma  valência  especifica;  de  aconselhamento  e  incentivo  à 
prática  regular  e  continuada  de  comportamentos  conducentes  à  preservação  da  saúde, 



 
nomeadamente comportamentos alimentares e  de  AF  e  redução do sedentarismo; e  de 
iniciativas de carácter informativo e educacional na comunidade. 
Em relação à intervenção pessoal, o estágio tem como objetivos aperfeiçoar e consolidar as 
seguintes competências: 
a)  Utilização  de  conhecimentos  adquiridos  nas  áreas  da  fisiologia,  nutrição  e  medicina  no 
sentido de conceber programas de exercício/AF específicos, adequados à idade (idosos), 
condição (grávidas), estado de saúde e capacidade funcional do indivíduo (doenças crónicas 
e reabilitação cardíaca); 
b)  Desenvolvimento e aplicação de estratégias que encorajem diversos grupos da população 
a aderirem e a permanecerem motivados para programas de exercício/AF e saúde pública, 
com base em dados recolhidos sobre as características desses mesmos grupos, barreiras e 
motivações,  e  utilização  de  estratégias  de  modificação  comportamental  se  necessário 
(nutrição, exercício e composição corporal); 
c)  Planeamento e desenvolvimento de programas de exercício/AF e saúde pública, com base 
na análise prévia das características da população, como também com base na evidência 
científica epidemiológica, nas  políticas  de  saúde  vigentes, em  potenciais  colaborações  e 
numa análise dos recursos disponíveis (epidemiologia do exercício e AF).  
O  presente  documento  traduz  um  Relatório  de  Estágio  e  encontra-se  organizado  em  duas 
partes  fundamentais:  o  enquadramento  da  prática  profissional  e  a  realização  da  prática 
profissional. Por sua vez, cada um destes capítulos encontra-se subdivido em vários tópicos. 
O  enquadramento  da  prática  profissional  começa  com  um  panorama  mundial,  europeu  e 
nacional  das  DCV  em  termos  de  mortalidade  e  morbilidade.  Seguidamente,  divide-se  em  dois 
grandes  temas: o primeiro tema aborda a patofiosiologia das DCV, nomeadamente,  da DAC e o 
segundo foca-se sobre o processo de RC. Neste último, é explicado como se organiza um programa 
de RC, como se estratifica o risco cardiovascular, quais os benefícios do exercício físico e AF para 
esta  população,  quais  as  recomendações  de  prescrição  do  exercício  físico  e,  por  último,  será 
apresentado o panorama da RC em Portugal.  
Na realização da prática profissional é descrito detalhadamente o local de estágio, realizado no 
Centro de Reabilitação Cardiovascular da Universidade de Lisboa (CRECUL), quanto à constituição 
de  equipa,  protocolos  utilizados  e  caracterização  dos  participantes.  É  também  mencionada  a 
intervenção realizada ao longo do ano de estágio de forma resumida e qual o contributo pessoal 
deixado à instituição. Para finalizar, será apresentada uma análise reflexiva. 
 
 
 
 
 
 
 



 
II. 
Enquadramento da Prática Profissional 
 
1.  As Doenças Cardiovasculares em Números 
 
As DCV representam a principal causa de morte do mundo. Em 2015, cerca de 17,9 milhões 
de  pessoas  morreram  por  doença  cardiovascular.  Deste  número,  85,1%  deveu-se  à  DAC  e  ao 
acidente vascular cerebral (AVC) que em conjunto levaram a 15,2 milhões de mortes. Entre 2005 e 
2015 o número de mortes por DCV aumentou 12,5% e, mais especificamente, por DAC aumentou 
16,6% que equivale a 8,9 milhões de mortes (Wang, 2016). 
A  Organização  Mundial  de  Saúde  (OMS),  World  Health  Organization  (WHO)  em  inglês, 
atualizou no início de 2017 a lista factual das 10 principais causas de morte no mundo, referentes 
ao ano de 2015. A DAC e o AVC encabeçam esta lista há 15 anos consecutivos (WHO, 2017). 
Focando um pouco mais na Europa, as DCV causaram 4 milhões de mortes no ano de 2015, 
o que corresponde a 45% de todas as mortes, como é mostrado na tabela abaixo (Tabela 1). Nesse 
mesmo ano, existiram praticamente 11,3 milhões de novos casos de DCV e mais de 85 milhões de 
pessoas viviam com a doença. Entre as DCV existentes, a DAC e o AVC foram as principais causas 
de morte (1,8 milhões e 1 milhão respetivamente). Como se comprova na Figura 1 e na Figura 2, ao 
separar por sexo, as DCV foram responsáveis por 40% de mortes nos homens (1,8 milhões) e por 
49% nas mulheres (2,1 milhões). A maior parte das mortes por DCV ocorrem em idades superiores 
a 75 anos, no entanto, 1,4 milhões de pessoas com menos de 75 anos e 700 000 com menos de 65 
anos  morrem  todos  os  anos  na  Europa  por  DCV.  Em  idades  mais  jovens  (<65  anos),  se 
diferenciarmos  o  sexo,  os  homens  morrem  em  mais  do  dobro  por  DCV  do  que  as  mulheres 
(Townsend et al., 2016a; E. Wilkins et al., 2017) .  



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