A reabilitação Cardíaca em Contexto Comunitário: aptidão física funcional da pessoa idosa com doença cardiovascular



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Figura 8 - Processo contínuo de tratamento após evento cardíaco 
 
Segundo Wilkins (2007), os PRC encontram-se divididos em 3 grandes fases: 
•  Fase 1 ou Fase Intra-Hospitalar – Nesta fase o programa oferece serviços de prevenção e 
RC a pessoas que sofreram síndrome coronária aguda, mais especificamente, um EAM;  
•  Fase 2 ou Fase Extra-Hospitalar precoce – O programa oferece serviços de prevenção e RC 
a pessoas com DCV em meio extra-hospitalar, que já tiveram alta hospitalar após sofrerem 
um evento cardiovascular, geralmente nos primeiros 3-6 meses após o evento, mas pode 
continuar até um ano após o evento; 
•  Fase  3  ou  Fase Extra-Hospitalar  a  longo  prazo  –  Também  conhecida  por  fase  3 ou 4, o 
programa oferece prevenção e reabilitação a longo prazo, em meio extra-hospitalar.  
De  forma  mais  descritiva,  a  fase  hospitalar  dura,  aproximadamente,  uma  semana  que 
corresponde ao período em que a pessoa está internada. A segunda fase, também designada fase 
de  transição,  pode  ser  realizada  num  programa  residencial  (3-4  semanas  de  duração)  ou  em 
ambulatório  onde  a  pessoa  se  desloca  ao  centro  cerca  de  3  vezes  por  semana  para  as  sessões 
durante 6 a  12 semanas. Por último, na  fase 3 ou fase  de manutenção, a pessoa com DCV  está 
integrada num centro de RC ou pratica AF individualmente ou num espaço próprio como ginásios, 
esta fase tem uma duração ilimitada (Mendes, 2009).  
 
 
 
 
3.3.2  Recursos Humanos e Materiais 
 
Um PRC deve ser composto por uma equipa multidisciplinar onde se incluem cardiologistas, 
fisiatras,  enfermeiras,  fisioterapeutas,  fisiologistas  do  exercício,  nutricionistas.  psicólogos, 
terapeutas ocupacionais e assistentes sociais. Todos eles devem ter conhecimento e experiência 
em DCV, fatores de risco e como controlá-los, procedimentos de emergência, de nutrição, fisiologia 
do esforço, farmacologia, psicologia da saúde e estratégias de mudança comportamental (AACVPR, 
2013; Carrageta, 2013).  
Fonte: AACVPR (2013). Guidelines for Cardiac Rehabilitation and Secondary Prevention 
Programs 


20 
 
A equipa deve ter um líder, um diretor médico, normalmente é um cardiologista, que tem 
como  objetivo  garantir  que  o  programa  é  seguro, tem todas  as  características  exigidas  para  ser 
considerado um programa de RC e que é eficaz em termos de custos. É responsável, também, por 
supervisionar  a  seleção  das  pessoas  com  DCV  referenciadas  e  acompanhar  a  evolução  do  seu 
percurso  no  programa  garantindo  que  estão  a  cumprir  os  objetivos  definidos,  por  definir  os 
parâmetros médicos do programa, por fortalecer e promover a interação entre todos os membros 
envolvidos na equipa e deve estar envolvido nas sessões de exercício (AACVPR, 2013; Carrageta, 
2013).  
Além  do  diretor  médico,  existe  também  um  diretor  do  programa.  Este  deve  ter, 
preferencialmente,  um  mestrado  numa  área  da  saúde  como  fisiologia  do  exercício  e/ou  ter 
formação em áreas como enfermagem ou fisioterapia. Como competências deve ter conhecimento 
avançado nas áreas de fisiologia do exercício, estratégias para a modificação dos fatores de risco, 
técnicas de aconselhamento, experiência na coordenação de equipas, possuir o curso de suporte 
básico de vida e, caso possível, o suporte avançado de vida (AACVPR, 2013).  
O fisiologista do exercício deve ter um mestrado em exercício e saúde e o curso de suporte 
avançado de vida. É normalmente responsável pelas sessões de exercício, principalmente na fase 
extra-hospitalar. Planeia e prescreve as sessões, adequadas a cada pessoa, e monitoriza-os durante 
o esforço. Aconselha, também, sobre atividades físicas que possam realizar fora do programa de 
forma  segura.  O  enfermeiro  deve  ter  treino  de  suporte  avançado  de  vida  e  experiência  na 
modificação dos fatores de risco, exercício e nutrição. Já o nutricionista, que deve ter conhecimento 
em obesidade,  dislipidemias,  diabetes,  hipertensão e  insuficiência cardíaca, aconselha  de  forma 
individual  e  em  grupo  sobre  alimentação  e  hábitos  alimentares.  O  psicólogo  dá  assistência  a 
possíveis problemas psicológicos, facilita as mudanças de comportamento e, caso seja necessário, 
avalia o estado cognitivo da pessoa com DCV. O assistente social dá apoio para que a pessoa com 
DCV retorne ao trabalho e, se necessário, ajudar a arranjar outro trabalho que se adeque à sua 
saúde. (AACVPR, 2013; Carrageta, 2013).  
 No  que  diz  respeito  aos  recursos  materiais  existem  algumas  diferenças  entre  as  fases 
intra-hospitalar e extra-hospitalar. No primeiro caso, todos os espaços onde decorre o programa 
devem permitir que se circule de forma segura e com facilidade. O exercício físico pode ser realizado 
tanto nos quartos dos pacientes como nos corredores e nas escadas do hospital (sem obstruções à 
passagem)  e  para  a  prática  do  mesmo  podem  ser  utilizados  halteres,  bandas  elásticas, 
cicloergómetros e passadeiras. Nos PRC em meio extra-hospitalar as instalações devem incluir um 
espaço próprio para a receção e consulta dos utentes, avaliação das variáveis iniciais, local para 
guardar  os  processos,  entre  outras.  Para  a  prática  de  exercício  físico  deve  ter  passadeiras  com 
controlo  de  velocidade  e  inclinação,  cicloergómetros,  materiais  para  o  treino  de  força  como 
máquinas, halteres, elásticos, etc., equipamentos para o treino do equilíbrio e a escala percetiva de 
esforço deve estar exposta na sala de exercício. Os participantes devem ter acesso aos balneários, 
casas  de  banho  e  cacifos.  Comum  a  ambos  os  contextos  deve  existir  um  monitor  central  e 
telemetria, carro de emergência, aspirador portátil, desfibrilhador e equipamentos adicionais como 
o esfigmomanómetro, estetoscópio, oxímetro digital, medidores de  glucose, eletrocardiógrafo e 
garrafa  de  oxigénio.  Existem  outras  variáveis  a  ter  em  conta,  nomeadamente,  o  controlo  da 
humidade e temperatura das salas, a disponibilidade de água perto dos locais das sessões, a música 
que deve estar a um nível confortável e um telefone perto em caso de emergência (AACVPR, 2013; 
Carrageta, 2013).  


21 
 
Fonte: Gibbons, R. J. et al., (2002). ACC/AHA 2002 guideline update for exercise testing: summary article.  
 
 
 
 
3.3.3  Seleção de doentes para a Reabilitação Cardíaca 
 
Quanto  mais  precocemente  as  pessoas  com  DCV  integrarem  um  PRC  após  a  fase  de 
hospitalização, maior será a probabilidade de receberem os benefícios dos programas (AACVPR, 
2013). Antes desta integração, ocorre uma estratificação do risco no momento da alta hospitalar 
ou em ambulatório. A estratificação é feita de acordo com os critérios clínicos e com os resultados 
da PE, tema abordado no próximo tópico (Teixeira & Ferreira, 2013). 
Todas  as  pessoas  com  as  condições  cardiovasculares  apresentadas  de  seguida, 
diagnosticadas nos últimos 12 meses, devem ser referenciadas para integrar um PRC (Teixeira & 
Ferreira, 2013): 
1.  EAM com supradesnivelamento de ST; 
2.  Angina instável/EAM sem supradesnivelamento de ST; 
3.  Angina crónica estável ou intervenção coronária percutânea eletiva; 
4.  Insuficiência cardíaca classes I-III NYHA; 
5.  Portadores de cardioversor-desfibrilhador e de ressincronizador cardíaco; 
6.  Status  pós-cirurgia  cardíaca  (cirurgia  de  revascularização  miocárdica  e/ou  cirurgia 
valvular); 
7.  Status pós-transplante cardíaco; 
8.  Doença vascular periférica com claudicação. 
Para a componente de exercício físico dos programas de RC, existe um conjunto de critérios 
de exclusão que impossibilitam a integração da pessoa com DCV nesta componente. As pessoas 
com  DCV  que  apresentem  contraindicações  absolutas  ou  relativas  para  o  exercício  devem  ser 
excluídas  desta  componente  (AACVPR,  2013).  Estes  critérios  encontram-se  descritos  na  tabela 
abaixo (Tabela 4). 
Tabela 4 - Contraindicações Absolutas e Relativas para a prática de exercício físico 



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