A reabilitação Cardíaca em Contexto Comunitário: aptidão física funcional da pessoa idosa com doença cardiovascular


Risco de doença relativo ao peso normal e ao perímetro de cintura



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Risco de doença relativo ao peso normal e ao perímetro de cintura 
 
Índice de Massa Corporal, kg/m
2
 
Homens, ≤ 102 cm; 
Mulheres, ≤88 cm 
Homens, > 102 cm; 
Mulheres, > 88 cm 
Abaixo do peso 
Normal 
Excesso de Peso 
Obesidade, tipo 

II 
III (mórbida) 
< 18.5 
18.5 – 24.9 
25.0 – 29.0 
 
30.0 – 34.9 
35.0 – 39.9 
≥ 40 
… 
… 
Aumentado 
 
Elevado 
Muito elevado 
Extremamente elevado 
… 
… 
Elevado 
 
Muito elevado 
Muito elevado 
Extremamente elevado 
Fonte: NHLBI Obesity Education Initiative Expert Panel (US), (1998). Clinical Guidelines on the Identification, Evaluation, and 
Treatment of Overweight and Obesity in Adults: The Evidence Report: National Institutes of Health 


14 
 
que a obesidade e o excesso de peso resultem numa hipertensão sistémica, hipertensão pulmonar 
e DAC (Poirier et al., 2006).  
 
Hipertensão: 
 
O sangue, quando circula pelo nosso organismo, exerce pressão nas paredes das artérias, 
esta  pressão  faz  com  que  o  sangue  atinja  todos  os  tecidos  e  células  e  designa-se  de  “pressão 
arterial” ou “tensão arterial”. Hipertensão é o nome que se dá quando a pressão exercida sobre as 
paredes das artérias aumenta excessivamente. Um estudo epidemiológico realizado pela Sociedade 
Portuguesa  de  Hipertensão  mostrou  que  a  prevalência  de  hipertensão  entre  os  portugueses 
manteve-se elevada (aproximadamente 42%) e estável durante a última década. Das pessoas com 
hipertensão, 76,6% sabiam da condição, 74,9% estavam a ser medicados e apenas 42,5% estavam 
controlados  (Polonia,  Martins,  Pinto,  &  Nazare,  2014).  Segundo  o  ACSM  (2017)a  hipertensão  é 
considerada um fator de risco quando a pressão arterial sistólica (PAS) é superior ou igual a 140 
mmHg  e/ou  a  pressão  arterial  diastólica  (PAD)  é  superior  ou  igual  a  90  mmHg  confirmada  por 
medições em duas ocasiões diferentes ou caso tome medicação anti-hipertensiva.  
 
Os  principais  mecanismos  fisiológicos  que  estão  envolvidos  no  desenvolvimento  da 
hipertensão  são  o  débito  cardíaco,  a  resistência  periférica,  o  sistema  renina-angiotensina-
aldosterona,  o  sistema  nervoso  autónomo,  a  disfunção  endotelial,  substâncias  vasoativas, 
hipercoagulabilidade, resistência à insulina, fatores genéticos e influências intrauterinas (Beevers, 
Lip, & O'Brien, 2001). As principais consequências da hipertensão são a hipertrofia do miocárdio, 
angina  de  peito,  insuficiência  cardíaca,  arritmias  e  a  deteorização  das  paredes  arteriais  que 
aumentam o risco de aterosclerose e trombose e pode, nos casos mais graves, originar aneurismas 
e hemorragias cerebrais (FPC, 2017).  
 
Dislipidemia: 
Os  lípidos  são  macromoléculas  orgânicas  que  incluem,  entre  outros,  o  colesterol  e  os 
triglicéridos.  Estes  têm  um  papel  vital  no  armazenamento  de  energia  bioquímica,  isolamento, 
estrutura  das  membranas  celulares  e  regulação  do  metabolismo.  Os  lípidos,  para  se  poderem 
mover  pelo  corpo,  combinam-se  com  apolipoproteínas  para  formar  lipoproteínas,  estas 
subdividem-se em quatro tipos de classes diferentes sendo as mais relevantes a lipoproteína de 
baixa densidade  (LDL) que  é  o principal transportador de  colesterol e  a lipoproteína de elevada 
densidade (HDL) responsável pelo transporte inverso do colesterol (Durstine, Moore, & Polk, 2009).  
Segundo o ACSM (2017), um dos fatores de risco para as DCV designa-se por dislipidemia 
que ocorre quando o valor de colesterol LDL é superior ou igual a 130 mg.dl
-1
 ou o colesterol HDL é 
inferior a 40 mg.dl
-1 
ou se toma medicação para redução do colesterol ou se o colesterol total for 
superior ou igual a 200 mg.dl
-1
. A dislipidemia está fortemente associada ao desenvolvimento do 
processo aterosclerótico que, de forma muito resumida, ocorre devido a valores elevados de LDL 
que  dão  origem  a  uma  disfunção  vascular  endotelial,  que  é  um  importante  precursor  de 
aterosclerose. De forma inversa, o colesterol HDL, quando em valores elevados, aparenta ter um 
efeito protetor por isso, quando os seus valores são baixos (inferior a 40 mg.dl
-1
), é considerado um 
fator  de  risco.  O  transporte  inverso  do  colesterol  para  o  fígado,  efeitos  antioxidantes,  função 
endotelial melhorada, efeitos anti-inflamatórios e regressão das placas ateroscleróticas são alguns 
dos mecanismos positivos identificados do colesterol HDL (A. S. Leon & Bronas, 2009). A prevalência 
da  hipercolesterolemia  em  Portugal  é  de  47%  e  níveis  aumentados  do  colesterol  LDL  em  38% 
(Cortez-Dias, Robalo Martins, Belo, & Fiúza, 2013). 
 
 


15 
 
Pré-Diabetes: 
Considera-se que uma pessoa tem pré-diabetes quando ocorre uma elevação da glucose 
plasmática acima dos valores normais, mas abaixo dos valores de diagnóstico de diabetes clínico. 
Como identificadores de pré-diabetes utilizam-se duas variáveis: glicemia em jejum e tolerância à 
glucose (Grundy, 2012). Em 2015, foi de 13,3% a prevalência estimada da Diabetes na população 
portuguesa  (idades  entre  os  20  e  os  79  anos).  Destes,  apenas  56%  dos  indivíduos  estavam 
diagnosticados e 44% não sabiam que tinham a doença (Boavida et al., 2016). Estas variáveis são 
consideradas fatores de risco quando os valores são superiores ou iguais a 100 mg.dl
-1
 e inferiores 
ou iguais a 125 mg.dl
-1
no caso da glicémia em jejum ou quando os valores são superiores ou iguais 
a 140 mg.dl
-1
 e inferiores a 199 mg.dl
-1
 duas horas após um teste oral à glucose confirmados por 
duas medições em diferentes ocasiões, a esta medição dá-se o nome de tolerância oral à glicose 
(ACSM, 2017). As DCV são a principal causa de morte entre as pessoas com diabetes, é espectável 
que cerca de 75% das pessoas com diabetes morram por DCV (Duca, Sippl, & Snell-Bergeon, 2013). 
Os fatores de risco das DCV são comuns às pessoas com diabetes. No entanto,  já vários estudos 
identificaram  vários  fatores  como  o  aumento  do  stress  oxidativo,  da  coagulabilidade,  disfunção 
endotelial e neuropatia autonómica que estão presentes em pessoas com diabetes e que podem 
contribuir para o desenvolvimento das DCV (B. M. Leon & Maddox, 2015; Matheus et al., 2013). 
 
3.  Reabilitação Cardíaca 
3.1  História e Definição 
 
Apenas a partir do final do século XX é que a AF começou a ser utilizada na recuperação de 
pessoas com DCV. Antes disso, qualquer tipo de AF, apesar de já existir alguma evidência sobre os 
benefícios da mesma, era desaconselhado e restringido a todas as pessoas que tivessem sofrido um 
evento  coronário  agudo.  Esta  falta  de  mobilidade,  na  maior  parte  dos  casos,  levava  a  graves 
problemas  de  descondicionamento  geral,  declínio  da  capacidade  funcional,  internamentos 
prolongados  e  a  um  aumento  da  morbilidade  e  mortalidade.  Existiram  várias  tentativas  para 
demonstrar  que  se  o  tempo  de  internamento  fosse  menor,  as  complicações  associadas  a  estar 
acamado eram prevenidas e o risco de um novo evento não aumentava. No início de 1950 apenas 
pequenas caminhadas (três a cinco minutos) eram permitidas após quatro semanas de ter sofrido 
o evento (Mampuya, 2012). 
Em  1953,  realizou-se  um  estudo  que  relacionou  a  mortalidade  com  a  AF  exigida  pela 
profissão,  neste  caso,  a  de  um  motorista  e  a  de  um  revisor  de  autocarros.  Concluiu-se  que  os 
motoristas tinham uma taxa de eventos coronários superior à dos revisores porque, enquanto os 
motoristas  passavam  a  maior  parte  do  tempo  sentados,  os  revisores  deslocavam-se,  subiam  e 
desciam várias vezes o autocarro ao longo do dia, ou seja, eram mais ativos (Morris & Heady, 1953).  
Comparar os efeitos da inatividade e da  AF nas variáveis fisiológicas tornou-se um tema 
cada vez mais estudado tornando possível a descoberta de novos métodos que diminuíssem o risco 
de reincidência de eventos cardíacos e de mortalidade. Saltin et al., (1968) procuraram descobrir 
qual seria o impacto de estar acamado durante 20 dias e de realizar AF vigorosa durante 53 a 55 
dias em variáveis como o consumo de oxigénio, função pulmonar, medidas cardíacas (frequência 
cardíaca, volume cardíaco total, etc.), análises sanguíneas  e  composição corporal. Os  resultados 
demonstraram  que  estar  inativo  levava  a  uma  diminuição  da  massa  magra,  do  volume  total 
cardíaco  em  repouso,  a  um  declínio  do  consumo  de  oxigénio,  do  débito  cardíaco  máximo  e  do 
volume  de  ejeção  máximo.  Em  contrapartida,  a  AF  levava  aos  efeitos  contrários,  com  especial 
atenção para um aumento no consumo de oxigénio e melhorias no débito cardíaco. 


16 
 
 
Após vários artigos demonstrarem que  a prática de exercício físico e  de  AF  era benéfica 
após sofrer um evento coronário agudo, os programas de RC começaram a surgir. Em 1964, a OMS 
definiu RC como “o somatório das atividades necessárias para influenciar positivamente os fatores 
de  risco que levaram à  doença e  garantir que a pessoa com  DCV melhore  a sua condição  física, 
psicológica e social para que consigam, através do seu esforço individual, voltar às atividades na 
comunidade de forma natural”(WHO, 1964). A mesma organização, em 1993, atualizou a definição 
acrescentando que a RC deve estar acessível para todas as pessoas com DCV e que os seus objetivos 
deverão ser melhorar a capacidade funcional, aliviar ou diminuir os sintomas relacionados com a 
doença,  reduzir  a  invalidez  e  permitir  o  regresso  de  forma  satisfatória  à  participação  ativa  na 
sociedade (WHO, 1993).  
 
Numa  declaração  científica  da  American  Heart  Association  (AHA),  a  RC  ou  prevenção 
secundária é definida como um processo coordenado e multifacetado cujo objetivo é otimizar o 
funcionamento psicológico, social e físico de uma pessoa com DCV e, adicionalmente, estabilizar, 
retardar  ou mesmo  reverter  o  progresso  do  processo  aterosclerótico  reduzindo,  desta  forma,  a 
morbilidade e a mortalidade (A. S. Leon et al., 2005).  
 
3.2  Componentes de um programa de Reabilitação Cardíaca 
 
A AHA, a American Association of Cardiovascular and Pulmonary Rehabilitation (AACVPR) e 
a Agency for Health Care Policy and Research concluíram que os programas de RC (PRC), para serem 
considerados  como  tais,  não  podem  consistir  apenas  em  exercício  físico,  mas sim  oferecer  uma 
abordagem  multifacetada  e  multidisciplinar  para  reduzir  o  risco  cardiovascular  geral.  Para  tal, 
reconheceram  que  existe  um  conjunto  de  componentes  indispensáveis  a  um  PRC  que  visam 
otimizar a redução do risco cardiovascular, fomentar a adoção e manutenção de comportamentos 
saudáveis, reduzir a incapacidade e promover um estilo de vida ativo (G. J. Balady et al., 2007). 
São dez as componentes que devem fazer parte de um PRC e que se encontram descritas 
de  forma  pormenorizada  num  artigo  de  Balady  et  al.,  (2007)  publicado  pela  AHA.  Fazem  parte 
destas componentes a avaliação inicial da pessoa com DCV, o aconselhamento nutricional, a gestão 
de peso, o controlo da pressão arterial, a gestão dos lípidos, o controlo da diabetes, a cessação 
tabágica, o controlo psicossocial, o aconselhamento de AF e a prescrição de exercício físico. Neste 
artigo  cada  uma  das  componentes  são  descritas  de  acordo  com  três  tópicos:  avaliação, 
intervenções e resultados esperados. De seguida, de forma resumida, cada uma das componentes 
será descrita.  
Começando pela avaliação inicial, é analisado o historial clínico (diagnóstico, procedimento 
e  cirurgias  cardiovasculares;  co-morbilidades;  sintomas  cardiovasculares;  data  da  última  vacina 
contra  a  gripe;  perfil  de  risco  cardiovascular;  barreiras  educacionais  e  preferências),  é  feito  um 
exame rápido (auscultação cardíaca e pulmonar, medição pressão arterial, palpação e inspeção de 
edemas, análise das cicatrizes pós-cirurgia, estado ortopédico e neuromuscular, e função cognitiva) 
e realiza-se um ECG em repouso de 12 derivações. No final é dado à pessoa um plano de tratamento 
com  estratégias  para  reduzir  o  risco  e  um  plano  de  follow-up/alta  que  reflete  o  progresso  e 
diretrizes de objetivos a longo prazo. 
Na componente  de aconselhamento nutricional é feita uma estimativa da ingestão total 
calórica  da  pessoa  com  DCV,  questiona-se  sobre os hábitos  alimentares,  número  de  refeições e 
lanches, frequência refeições fora de casa e consumo de álcool. De acordo com os resultados nas 
componentes de gestão de  peso, hipertensão e  diabetes e  das co-morbilidades é  prescrita  uma 


17 
 
dieta  individualizada  onde,  no  mínimo,  sejam  atingidos  os  objetivos  de  redução  de  gorduras 
saturadas  e  de  colesterol.  A  pessoa  com  DCV  é  ainda  educado  e  aconselhado,  assim  como  os 
membros da família, sobre como atingir os objetivos propostos.  
Para  o  controlo  e  gestão  do  peso  são  realizadas  várias  medidas  como  peso,  altura  e 
perímetro  da  cintura  e  realiza-se  o  cálculo  do  IMC.  Se  o  IMC  for  superior  a  25  kg/m
2
  e/ou  o 
perímetro da cintura for superior a 102 cm para homens e 88 cm para mulheres, é estabelecido um 
objetivo  de  peso  individualizado  a  curto  e  longo  prazo.  Para  tal,  é  desenvolvido  um  programa 
combinado de dieta, AF/exercício físico e comportamental para reduzir a ingestão total calórica, 
manter uma ingestão apropriada de nutrientes e fibras, e aumentar o dispêndio energético.  
No  que  toca  ao  controlo  da  pressão  arterial,  são  realizadas  várias  medidas  em  repouso 
(sentado, deitado e em pé) e em ambos os braços.  É revista toda a medicação e a utilização de 
medicamentos sem prescrição médica que possam afetar negativamente a pressão arterial. Se, nos 
vários controlos, a pressão arterial sistólica estiver entre os 120 e os 139 mmHg ou a diastólica entre 
os 80 e os 89 mmHg, é dado um plano de mudanças de hábitos de vida que inclui AF, controlo de 
peso, restrição moderada de sódio e aumento do consumo de fruta e vegetais, moderação de álcool 
e cessação tabágica. Se for superior a 140/90 mmHg, além da mudança de hábitos é iniciada uma 
terapia farmacológica. 
Na gestão e controlo dos lípidos são realizadas análises para determinar o colesterol total
o colesterol HDL e LDL e os triglicéridos. A dieta, medicamentos e outras condições que possam 
afetar o perfil lipídico são analisados nas pessoas que apresentarem valores anormais. As análises 
são repetidas 4 a 6 semanas após a hospitalização e 2 meses após começar a medicação para reduzir 
os  valores.  É  depois  aconselhado  a  consultas  de  nutrição  e  de  gestão  de  peso,  a  prescrição  de 
exercício  físico,  cessação  tabágica  e  consumo  moderado  de  álcool.  Os  medicamentos  também 
podem ser alterados consoante os valores apresentados. Os objetivos a longo prazo são valores de 
colesterol LDL inferiores a 100 mg/dL e de colesterol não-HDL inferiores a 130 mg/dL.  
Para a componente da diabetes, primeiro verifica-se o relatório médico para confirmar a 
presença  ou  ausência  de  diabetes.  Caso  se  confirme,  verifica-se  a  história  de  complicações 
derivadas da doença. Na entrevista inicial com a pessoa obtém-se o historial de sinais ou sintomas 
relacionados com complicações diabéticas e se já teve episódios de hipoglicemia e hiperglicemia; é 
identificado o tipo de medicação que faz, a dieta e qual o método que utiliza para medir a glicemia. 
Antes  de  iniciar  a  prática  de  exercício  físico  deve  obter  os  valores  da  glicémia  em  jejum  e  da 
concentração de hemoglobina glicada. As pessoas com DCV e a equipa de RC devem ser educados 
para os sinais e sintomas de hipoglicemia e hiperglicemia e o que fazer caso ocorram.  
Na  consulta  de  cessação  tabágica,  a  pessoa  com  DCV  é  interrogada  sobre  o  estado  de 
fumador  (nunca  fumou,  ex-fumador  ou  fumador  atual),  a  quantidade  de  cigarros  por  dia  e  a 
duração (número de anos), o tipo de produtos que utiliza e se em casa ou no trabalho é exposto a 
fumo passivo. É determinada a vontade e prontidão para deixar de fumar e os fatores psicossociais 
que  possam  impedir  o  sucesso.  A  opção  de  tratamento  curto  consiste  em  consultas  de 
aconselhamento/educacionais individuais e para a família e amigos (especial atenção para os que 
são fumadores). O tratamento intenso dura mais tempo, a pessoa tem consultas individuais mais 
longas ou envolve-se num grupo, é dado apoio farmacológico (terapia de substituição de nicotina) 
e estratégias suplementares se desejadas. 
Na  componente  psicossocial  são  identificadas  todas  as  dificuldades  psicológicas  como 
níveis de depressão, ansiedade, raiva ou hostilidade, isolamento social, problemas matrimoniais, 
disfunção sexual e abuso de substâncias. A medicação psicotrópica, caso tomada, é registada. À 
pessoa com DCV são oferecidas consultas de aconselhamento individuais ou em grupos pequenos 


18 
 
onde, se possível, possam ser incluídos membros da família ou outras pessoas significantes na vida 
da pessoa.  
Para  determinar  o  nível  de  AF,  a  pessoa  é  questionada  sobre  as  atividades  domésticas, 
ocupacionais e recreativas que costuma realizar. De acordo com a idade, sexo e vida diária, são 
avaliadas atividades como guiar, desportos, jardinagem, atividades sexuais e tarefas domésticas. O 
compromisso para mudar de comportamento é avaliado, assim como a autoconfiança e as barreiras 
para aumentar a AF. A pessoa com DCV é consistentemente encorajada a acumular 30-60 minutos 
por dia de AF de intensidade moderada a intensa em 5 ou mais dias da semana. Os calendários 
diários são explorados em conjunto para perceber onde se pode incluir a AF na rotina diária. São 
recomendadas atividades de baixo impacto para reduzir o risco de lesões musculoesqueléticas e é 
sugerido um aumento gradual do volume de AF ao longo do tempo. Os objetivos a longo prazo são 
uma melhoria na capacidade aeróbia e na composição corporal e uma diminuição dos fatores de 
risco cardiovasculares.  
A última componente, prescrição de exercício físico, que é geralmente precedida de uma 
prova de esforço (PE) onde devem ser avaliados parâmetros como a frequência cardíaca e ritmo 
cardíaco,  sinais,  sintomas,  alterações  do  segmento-ST,  respostas  hemodinâmicas,  perceção  de 
esforço  e  capacidade  física.  Consoante  os  resultados  nesta  prova  e  noutros  exames  médicos  é 
estratificado o risco da pessoa com DCV e determinado o nível de supervisão e monitorização que 
necessita durante a prática de  exercício físico.  O treino  aeróbio  e  de  força é  prescrito de forma 
individualizada e especificado por frequência, intensidade, duração, tipo e progressão. Todos os 
treinos devem incluir um aquecimento e retorno à calma, assim como exercícios de flexibilidade. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
3.3  Organização dos programas de Reabilitação Cardíaca 
3.3.1 
Fases da Reabilitação Cardíaca 
 
Desde a última década que o processo de tratamento de uma pessoa com DCV é visto como 
um processo contínuo (Figura 8), antes disso apenas se dava atenção ao tratamento da fase aguda 
da doença (AACVPR, 2013).  

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