A mulher no fim do mundo



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4. RELATÓRIO TÉCNICO
Ficou estabelecido, desde as conversas iniciais com a equipe, que minha função principal seria a de roteirista, por ser o autor da estória. Porém, como pretendia ser mais diretamente efetivo na construção do filme – e em todas as etapas de sua produção –, selecionamos dois cargos para minha execução: a de assistente de direção e a de diretor de produção. A grande responsabilidade de acumular tantas funções e ainda ter de desenvolver este memorial, entretanto, me fez solicitar à Vilma Martins que assumisse a direção de produção, assim me realocando para seu assistente.

É fato que, mesmo atuando em todas as frentes do filme (seja na parte técnica, como na artística) e assumindo responsabilidade completa do curta, o meu interesse estava na assistência de direção, ajudando a diretora Ana do Carmo a pensar as cenas, elaborar ordem do dia, selecionar atores, entre outras atividades específicas. Porém, é inegável afirmar que essa experiência de viver plenamente a realização de um filme – em todas as suas etapas – é, de todo o certo, um divisor de águas em minha vida pessoal e profissional. Saio deste projeto – o maior por mim já feito até então – outra pessoa, muito mais preparado para novas empreitadas.

Os desafios e imprevistos inerentes a qualquer produção cinematográfica - ainda mais em produções independentes – forjaram um Sérgio capaz de lidar com as mais variadas adversidades. E não foram poucos os imprevistos e desafios. Após montada a equipe, partimos em busca de locações. Eram quatro os cenários procurados: uma casa branca para ser o lar de Benedita, a Casa Rosa, praias de pouco movimento e lugares que ambientassem um fim de mundo. As duas últimas não foram tarefa difícil: encontramos as praias de Busca Vida e da Penha (na Ribeira). Já para compor cenários apocalípticos, escolhemos a Residência Universitária da UFBA, no Corredor da Vitória, o Bosque da Coruja, em Vilas do Atlântico, um ginásio abandonado, atrás da faculdade Unime, em Lauro de Freitas, além da sucata do pai de Raquel Campos (integrante da equipe), em São Rafael.


Figura 1 - Atriz durante visita de pesquisa na praia de Busca Vida, usada como locação

A residência que serviu como locação da casa de Benedita pertence à família do nosso diretor de fotografia, Ariel L. Dibernaci, e localiza-se em Malhadas, município do litoral norte da Bahia, a cerca de 74 quilômetros de distância de Salvador. A escolha foi feita por se encaixar no perfil de uma casa simples, com terreno grande; pelo silêncio ao redor; pela facilidade de locomoção (em comparação com outras opções); por conhecermos os proprietários e isso facilitar o acerto; e pela redução de custos de aluguel, previstos no orçamento.




Figura 2 - Casa de Benedita, em Malhadas.

O principal entrave, portanto, consistiu em encontrar uma casa rosa que atendesse aos nossos critérios (como descrito no roteiro, uma casa rosa, de dois andares, imponente e bem conservada). Após muitas visitas de locação, desmembramos as cenas em três locais diferentes: a cena interna da sala; a cena interna do quarto e a cena da fachada. A sala e o quarto foram conseguidos com as próprias residências de membros da equipe, o que reduziu nossa demanda à fachada de uma casa rosa. Pela sua beleza arquitetônica, de imponência colonial, e por ter sua fachada na cor rosa, o Hotel Catharina Paraguaçu nos serviu como locação para cenas da Casa Rosa.





Figura 3 - Fachada do hotel Catharina Paraguaçu serviu como locação para a Casa Rosa
Entre acertos e desacertos inesperados – e tragicamente inoportunos –, a decisão saiu às vésperas do início das filmagens. Participei ativamente da busca e das visitas de locação, tendo me envolvido em muitos dos acertos com os locais definidos.

Outra articulação na qual me envolvi foi a de apoio externo. Este apoio não consiste em uma longa lista, mas certamente é considerada fundamental na realização desse produto, seja no aporte técnico, logístico, artístico ou estrutural.

O primeiro apoiador foi o Laboratório de Audiovisual da Faculdade de Comunicação da UFBA, sob tutela do professor Marcos Bau. Ao laboratório solicitamos boa parte dos equipamentos utilizados para gravar as cenas de A Mulher No Fim Do Mundo. Com tudo sendo feito dentre as normas locais e sem nenhum problema, tivemos a tranquilidade de realizarmos nosso curta.

O Hotel Catharina Paraguaçu, localizado na Rua João Gomes, próximo ao famigerado Largo da Dinha, no Rio Vermelho, também nos agraciou com seu apoio. Como já havia filmado no estabelecimento (o hotel foi set de Peixe Morre Pela Boca), conhecia os responsáveis e sabia de sua disponibilidade. O contato e o acerto, entretanto, fora mediado por Vilma Martins. Como contrapartida, a Direção do estabelecimento nos solicitou a divulgação do lugar nas redes sociais do filme e nos créditos finais. Também nos permitiram filmagens na parte interna e áreas comuns do Hotel.

Outros apoiadores externos foram a Residência Universitária da UFBA, que nos cedeu a licença para gravarmos em seu espaço físico (acesso à praia e seu galpão), e a Floricultura Vila Florida, situada à beira da Estrada do Coco, em Lauro de Freitas. O estabelecimento serviu como locação para cenas externas da Casa Rosa.

Além de firmar parceria com apoiadores externos, me incumbi de realizar o contato com Elza Soares, a fim de conseguirmos a liberação dos direitos da canção e, principalmente, obter a sua “bênção” diante desta singela homenagem e reverência que é o filme A Mulher No Fim Do Mundo. Para isso, criei uma conta no Gmail para o filme (amulhernofimdomundo@gmail.com) e redigi uma carta destinada à sua assessoria de imprensa. Foram, no total, dois e-mails enviados e nenhum respondido, até o momento da entrega deste documento.

Outra ferramenta de comunicação desenvolvida por mim para este projeto foi a página no Instagram do filme. No endereço @amulhernofimdomundo, fui responsável também pelas postagens das imagens de produção, imagens de arte, peças publicitárias do projeto – como a que apresentava a equipe e as que convidaram para a campanha colaborativa e para os testes de elenco –, entre outras publicações. Além disso, gerenciei a ferramenta stories da plataforma, postando os encontros, ensaios, filmagens e o passo-a-passo do desenvolvimento do filme. Em pouco menos de um mês, o perfil criado atingiu mais de 300 seguidores.

Durante as filmagens do curta-metragem, tivemos diversos desafios e obstáculos que dificultaram as gravações e impediram que estas finalizassem no prazo estabelecido previamente no calendário de gravações, confeccionado pela equipe de produção, juntamente com a diretora. Como se trata de um cenário de fim de mundo, qualquer ruído sonoro era indesejável, e muitas vezes precisamos recorrer aos foleys3. Como também realizei os Boletins de Áudio e de Câmera, pude colaborar, indicando possíveis correções a serem feitas e arquivos a serem utilizados como áudio-guia de cenas.





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