A longa história da descoberta da Galáxia



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Capítulo 1 

 

A longa história da descoberta da Galáxia 

 

A Antiguidade 

 

 



Em noites claras e sem lua, longe de grandes cidades, vemos o céu atravessado por 

uma grande faixa de luz fraca e difusa; é a Via Láctea, ou Galáxia. A palavra Galáxia vem 

do grego galaktos  (leite); como Via Láctea (Milky Way, em inglês), a palavra está 

associada ao aspecto leitoso desta formação. Nas línguas orientais, como chinês, japonês e 

vietnamita, é o aspecto prateado que influenciou o nome; a Galáxia é chamada de “rio 

prateado”. As estrelas e a Via Láctea suscitaram a curiosidade dos homens desde as 

épocas mais remotas. O conceito correto do que é a Galáxia demorou milênios para se 

estabelecer e, na realidade, permanecem grandes lacunas no conhecimento. Mas, 

considerando que os primeiros passos concretos aconteceram há apenas cerca de 400 anos, 

e que nos últimos 50 anos acumulamos mais informação sobre a Galáxia do que em toda a 

história da humanidade, podemos ficar impressionados com a rapidez com que nosso 

conhecimento está evoluindo. Vamos retraçar a seguir as principais etapas desta grande 

aventura da mente humana. Uma foto da Galáxia é apresentada na figura 1-7.  

 

 



Na Antigüidade, não havia distinção entre cosmologia (estudo do Universo), 

mitologia e religião. A Via Láctea foi objeto de inúmeros mitos. Os egípcios acreditavam 

que a Via Láctea era um rio, uma bifurcação do Nilo, que fluía através do reino de Osíris 

onde os mortos viviam em felicidade eterna. A maioria dos povos do Mediterrâneo 

acreditava que a abóbada celeste, ou firmamento, era uma fronteira sólida, na qual as 

estrelas estavam fixadas. Os babilônios, os egípcios e os gregos acreditaram (pelo menos 

parte deles) que a água era o elemento primordial, a partir do qual o mundo foi construído, 

e que atrás da abóbada celeste havia água. No Velho Testamento (na Gênese), 

encontramos também esta noção, comum naquela época: “E Deus fez o firmamento, e 

separou as águas que estavam debaixo do firmamento das águas que estavam acima do 

firmamento.”  

 

 



Entre Thales, um filósofo-cientista que viveu no sexto século antes de Cristo, que 

defendeu a idéia de que a água era o elemento fundamental, e Ptolemeu, no segundo 

século depois de Cristo, a Grécia teve dezenas de grandes filósofos, alguns dos quais 

foram grandes astrônomos (Aristóteles, Heráclides, Aristarco, Hiparco, Ptolomeu). Em 

geral, os filósofos-astrônomos se dedicaram ao estudo dos movimentos do Sol e da Lua, e 

até mesmo de Mercúrio e Vênus. A Galáxia não esteve no centro das atenções desses 

pensadores, com exceção de Anaxágoras, filósofo atomicista do quinto século A.C. 

Anaxágoras considerou que o Universo tinha uma extensão infinita, e continha um número 

infinito de pequenas sementes, ou átomos. Segundo ele, os céus eram feitos das mesmas 

substâncias que a Terra, e o Universo não era controlado por deuses. Ele emitiu a hipótese 

de que a Galáxia resultava da sombra da Terra projetada no céu. Devido à pequena 

dimensão do Sol, a sombra da Terra se estendia até o infinito; o brilho das estrelas 

aparecia melhor nas regiões de sombra onde não eram ofuscadas pelo Sol. Mais tarde 

Aristóteles se encarregou de demonstrar o absurdo desta hipótese: se fosse verdade, a 

sombra teria que se mover de acordo com o movimento do Sol. Anaxágoras talvez tenha 

 




sido o primeiro cientista acusado de heresia; ele foi julgado e absolvido, mas teve que 

deixar Atenas por causa do ambiente de hostilidade. 

 

 

Ptolomeu é o único destes filósofos gregos do qual temos a obra razoavelmente 



completa; isto porque seus textos foram traduzidos e conservados  pelos  árabes. O nome 

árabe de sua obra é o Almagest. Nela, encontramos uma descrição detalhada da Galáxia, 

inclusive uma menção a seu aspecto leitoso que justifica seu nome. A principal 

preocupação de Ptolemeu, ao fazer essa descrição, era mostrar que as estrelas eram fixas 

na esfera celeste. 

 


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