A invençÃo histórica da escola e escolarizaçÃo no brasil



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Considerações Finais 

Desde  a  invenção  da  escola,  a  noção  de  sujeito  que  transita  por  ela  é  a  de  sujeito 

universal. Conflitando com isso, as teorias educacionais, parecem levar em conta a existência 

de sujeitos históricos. 

Mas na escola que se efetiva em nossa modernidade, desconsiderando os pressupostos 

dos  teóricos,  os  dispositivos  que  permeiam  a  escolarização  amparam-se  na  noção  de  um 

sujeito universal e exercem o controle individualizante. Esses dispositivos se fazem presentes 

desde  a  existência  de  currículos  pré-estabelecidos,  existência  de  mecanismos  como  provas  e 

exames  que  são  utilizados  como  instrumento  de  verificação  de  aprendizagem  dos  alunos  (o 

professor como detentor do conhecimento). Também se verificam na organização espacial da 

sala  de  aula,  a  distribuição  dos  corpos,  na  rotinização  das  atividades,  na  sujeição  dos 

educandos, enfim, os dispositivos da escolarização amparam-se na padronização e na norma. 

A  escolarização  contemporânea  parece  realizar  a  ascese  sobre  os  educandos,  afinal  o 

trabalho do professor consiste em “guiá-los” para a suposta universalidade do sujeito. 

 Por  um  lado,  os  discursos  dos  textos  teóricos  e  dos  textos  legais  exaltam  uma 

concepção crítica, dinâmica e atualizada de escola. Entretanto, nos moldes em que o processo 

de  escolarização  é  realizado  ele,  muitas  vezes,  se  mostra  repetitivo,  massante,  excludente, 

longe  da  preconizada  emancipação  crítica.  Quando  se  leva  em  conta  o  ponto  de  vista  do 

aluno, tais aspectos são ainda mais explícitos. 

A  não  necessidade  da  escolarização,  nas  terras  brasileiras,  foi  o  modelo  de  educação 

que vigorou entre os mais diferentes grupos humanos, ao longo de muitos séculos, no período 

que  antecedeu  ao  descobrimento  e  nos  primeiros  três  séculos  após  o  descobrimento, 

estendendo-se até a vinda da Família Real Portuguesa para o Brasil, em 1808. 

A  preocupação  educacional  do  século  XX  foi  a  de  superar  o  ensino  tradicional, 

livresco, teórico e intelectualístico dos séculos  anteriores. Desta  forma,  a ação autoritária do 

professor com relação ao aluno, a memorização e os castigos físicos foram práticas criticadas 

pelos pensadores da educação deste período. Também se investiu para direcionar a educação 

para o trabalho. (FRANCISCO FILHO, 2003, LUZURIAGA, 1969) 




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No  século  XXI,  há  a  tentativa  de  pôr  em  práticas  as  mudanças  educacionais  já 



mencionadas no século XX. Atualmente prima-se pela emancipação dos sujeitos e a inserção 

das  novas  tecnologias  nos  processos  educativos.  Entretanto,  as  diretrizes  curriculares 

brasileiras,  os  regimentos  escolares  e  as  rotinas  cotidianas  nas  escolas  impõem  a 

institucionalização  desses  mecanismos  presentes  nos  colégios  do  século  XV/XVI  para  o 

funcionamento  das  escolas  brasileiras,  em  pleno  século  XXI.  Desta  forma  acaba-se 

regulamentando  e  perpetuando  as  técnicas  e  mecanismos  de  controle  de  massas  e 

individualizantes,  pela  distribuição  dos  alunos  em  sala  de  aula,  pelo  controle  e 

obrigatoriedade mínima de frequência, o modelo  engessado de currículo,  controle do tempo, 

avaliações de desempenho, aprovações e repetências. 



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