A invenção dos Alcoólicos Anônimos: alcoolismo e subjetivação Raul Max Lucas da Costa I



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Considerações finais

A  Irmandade  AA  com  sua  proposição  de  reinvenção  do  alcoolismo  e  de  sua  tera-

pêutica, a partir de uma apropriação autônoma de concepções filosóficas, religiosas 

e psicológicas, tem como contexto a produção subjetiva do Homo Oeconomicus

Para além de uma prática individual efetivada ao modo comunitarista da Irmandade, 

os AA inauguraram a lógica do grupo de ajuda mútua e de seu funcionamento como 

reparadores das microempresas de si que foram malsucedidas em seus empreen-

dimentos. Dessa forma, os AA e os demais grupos de ajuda mútua guardam uma 

diferença com os saberes que lhe são vizinhos e que fundamentam a produção da 

microempresa  de  si.  Em  outras  palavras,  enquanto  a  literatura  de  ajuda  mútua, 

motivacional e as tecnologias de treinamento se propõem a aperfeiçoar o capital e 

os investimentos na microempresa de si em uma via narcísica, os grupos de adictos 

anônimos surgem como terapêuticas dos insucessos performáticos e dos ideais não 

alcançados, tomando a via contrária do paulatino esvaziamento do eu até a condição 

subjetiva de anonimato.

Assim, além de ocupar um lugar na cena social de suposta autonomia, o sujeito é 

também um consumidor da diversidade de saberes tecnológicos reduzidos à sua fun-

cionalidade e pragmatismo: são verdadeiros porque funcionam. Tais saberes circu-

lam como mercadorias supostamente garantidoras do sucesso financeiro e pessoal. 

A redução da verdade à sua funcionalidade e do saber à sua prática metodológica 

resultam em um modo de vida excludente da experiência de singularidade. 



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A invenção dos Alcoólicos Anônimos: alcoolismo e subjetivação

A produção discursiva do alcoólico anônimo aponta, portanto, para o estabelecimento 

em  nossa  época  de  uma  profusão  de  saberes  cuja  funcionalidade  tecnológica  são 

as ferramentas usuais tanto na constituição e na reconstrução subjetiva de sujeitos 

apassivados diante de um saber empresarial dominante. 




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