A informação Uma história, uma teoria, uma enxurrada



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Uma tabuleta cuneiforme.
decifrá-las.  “A  escrita,  como  a  cortina  de  um  teatro  se  abrindo  para
revelar  essas  impressionantes  civilizações,  permitiu  que  olhássemos
diretamente para elas — mas de uma maneira imperfeita”,
26
 escreve o
psicólogo  Julian  Jaynes.  Alguns  europeus  a  princípio  se  sentiram
ofendidos.  “Aos  assírios,  caldeus  e  egípcios”,  escreveu  o  teólogo  do
século xvii  Thomas  Sprat,  “devemos  a  Invenção”,  mas  também  a
“Corrupção do conhecimento”,
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  quando  estes  o  ocultaram  com  suas
estranhas  formas  de  escrita.  “Era  costume  entre  seus  Sábios  reunir  suas  Observações  da
Natureza  e  do  Comportamento  do  Homem  nas  escuras  Sombras  da Hieroglífica”  (como  se
antigos  mais  amistosos  pudessem  empregar  um  alfabeto  com  o  qual  Sprat  estivesse  mais
familiarizado).  Os  primeiros  exemplos  de  escrita  cuneiforme  deixaram  pasmados  os
arqueólogos  e  paleolinguistas  por  mais  tempo,  porque  a  primeira  linguagem  a  ser  escrita,  a
suméria,  não  deixou  nenhum  outro  traço  na  cultura  ou  na  fala.  O  idioma  sumério  revelou-se
uma  raridade  linguística,  uma  língua  isolada  sem  descendentes  conhecidos.  Quando  os
estudiosos enfim aprenderam a ler as tabuletas de Uruk, descobriram que eram triviais, à sua
maneira:  documentos  cívicos,  contratos  e  leis,  e  recibos  e  cobranças  envolvendo  cevada,
rebanhos,  óleo,  esteiras  de  junco  e  peças  de  cerâmica.  Foram  necessários  séculos  para  que
surgisse  na  escrita  cuneiforme  algo  parecido  com  a  poesia  ou  a  literatura. As  tabuletas  não
apenas registravam o comércio e a burocracia, mas antes de mais nada os possibilitaram.
Já  nesse  período,  a  escrita  cuneiforme  incorporou  sinais  para  a  contagem  e  a  medição.
Caracteres  diferentes,  usados  de  maneiras  diferentes,  eram  capazes  de  denotar  números  e
pesos. Uma abordagem mais sistemática para o registro dos números só tomou forma na época
de Hammurabi, 1750 a.C., quando a Mesopotâmia foi unificada em torno da grande cidade da
Babilônia.  O  próprio  Hammurabi  foi  provavelmente  o  primeiro  rei  letrado,  escrevendo  à
própria mão em letras cuneiformes em vez de depender dos escribas, e o império construído
por ele manifestava a conexão entre a escrita e o controle social. “Esse processo de conquista e
influência  é  possibilitado  por  letras  e  tabuletas  e  estelas  numa  abundância  que  nunca  fora
conhecida antes”,
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 segundo Jaynes. “A escrita era um novo método de direção civil, de fato o
modelo que dá início a nosso próprio governo, que se comunica por meio de memorandos.”
A  escrita  dos  números  tinha  evoluído  para  um  sistema  elaborado.  Os  numerais  eram
compostos  de  apenas  dois  elementos  básicos,  uma  cunha  vertical  para  o  1  ( )  e  uma  cunha
inclinada para o 10 ( ). Estes eram combinados para formar os caracteres-padrão, de modo que
  representava  3  e    representava  16,  e  assim  por  diante.  Mas  o  sistema  babilônico  não  era
decimal, não era de base 10; seu sistema era sexagesimal, de base 60. Cada um dos numerais
de  1  a  60  tinha  seu  próprio  caractere.  Para  formar  números  maiores,  os  babilônicos  usavam
numerais  em  determinadas  posições:     era 70 (um 60 mais dez 1s);         era  616  (dez  60s
mais  dezesseis  1s),  e  assim  por  diante.
29
  Nada  disso  estava  claro  quando  as  tabuletas


começaram  a  ser  descobertas.  Um  tema  básico  com  algumas  variações,  encontrado  muitas
vezes,  revelou-se  uma  tabela  de  multiplicação.  Num  sistema  sexagesimal,  estas  tinham  de
cobrir os números de 1 a 19, bem como 20, 30, 40 e 50. Ainda mais difícil de desvendar foi a
tabela  dos  inversos  multiplicativos,  possibilitando  a  divisão  e  os  números  fracionários:  no
sistema de base 60, os inversos multiplicativos eram 2:30, 3:20, 4:15, 5:12… e então, usando
posições adicionais, 8:7,30, 9:6,40, e assim por diante.
a

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