A história da teoria atômica: uma análise fleckiana de dalton a bohr ehrick Eduardo Martins Melzer Joanez Aparecida Aires Resumo



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Palavras-Chave:  Ensino  de  Química;  História  e 

Filosofia da Ciência; Teoria Atômica 



Introdução 

Nas  últimas  décadas,  a  utilização  da  abordagem 

Histórico-filosófica  da  Ciência  (HFC)  vem  sendo  amplamente 

defendida na área de educação em  ciências, por se considerar 

que  esta  é  capaz  de  contribuir  para  uma  melhor  compreensão 

da  ciência  e  da  atividade  científica  como  uma  construção 

humana, bem como, dos fatores que influenciam sua construção 

(PEDUZZI, 2001; QUINTANILHA et al, 2008; MARQUES, 2010). 

Martorano  e  Marcondes  (2012)  também  argumentam  que  um 

ensino  com  essa  abordagem  possibilita  uma  compreensão 

sobre:  

(...) o processo de construção das teorias científicas 

pelos cientistas, o papel da comunidade científica na 

aceitação ou rejeição destas teorias e o processo da 

troca  de  uma  teoria  por  outra  (MARTORANO  E 

MARCONDES, 2012, p. 30). 

Muitos  destes  aspectos  estão  diretamente  relacionados 

aos fatores externalistas da ciência, aqueles que correspondem 

às influências do contexto de construção da Ciência. De acordo 

com  Martins  (2000),  o  estudo  do  contexto  social  em  que  a 

ciência se desenvolveu é fundamental para desmistificar alguns 

mitos acerca dos cientistas e de seu trabalho. Todavia, há falta 

de  abordagem  desses  fatores  nos  livros  didáticos.  Nesse 

sentido,  Loguercio  e  Del  Pino  (2006)  argumentam  que,  nas 

abordagens  voltadas  para  o  ensino  de  química,  há  uma 




 

 

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escassez de recursos históricos e, quando estes aparecem, dão 

ênfase  aos  fatores  internos,  aqueles  intrínsecos  à  própria 

ciência.  Nesses  casos,  apresentam  comumente  alguns  fatos 

isolados  da  vida  de  determinados  cientistas,  alijados  de  uma 

discussão  mais  ampla,  reforçando  visões  distorcidas  sobre  a 

ciência e o fazer científico. 

Tendo  em  vista  esta  lacuna,  e  com  o  objetivo  de 

demonstrar que,  ao longo da  construção das diferentes teorias 

atômicas,  predominou  um  determinado  Estilo  de  Pensamento

apresentamos a abordagem desses dados históricos a partir do 

referencial  teórico  epistemológico  de  Fleck  (2010).  Tal 

abordagem  possibilita  uma  compreensão  da  ciência  que 

contempla  fatores  externalistas  como  o  contexto  e  as  relações 

entre esses cientistas que contribuíram para a edificação de um 



Estilo  de  Pensamento  daquele  coletivo.  Sangiogo  e  Marques 

(2012) corroboram esta percepção quando argumentam que, na 

abordagem  fleckiana,  “o  conhecimento  não  pertence  a  um 

indivíduo, mas a um coletivo; trata-se de um produto social que 

na historicidade evolui” (p. 9). 

Sendo  assim,  considerando  a  abordagem  HFC,  o 

presente  artigo  busca  apresentar  uma  leitura  da  história  do 

desenvolvimento  da  teoria  atômica,  tendo  por  base  a 

compreensão  de  Fleck  para  explicar  a  influência  do  Estilo  de 

Pensamento  de  determinada  comunidade  científica,  na 

construção  da  teoria  atômica,  ao  longo  do  recorte  histórico  de 

Dalton a Bohr.  

Lembrando  que,  neste  artigo,  vamos  focar  a  nossa 

análise na fase de transformação do Estilo de Pensamento, pois, 

no  recorte  histórico,  a  que  se  refere  este  trabalho,  a  teoria 

atômica já estava consolidada e era, constantemente, estudada 

por pesquisadores contemporâneos e anteriores a John Dalton.  






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