A histria da Ortografia do Portugus do Brasil


A Ortografia do Português no Século XVII e XVIII



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A Ortografia do Português no Século XVII e XVIII 

 

O principal objetivo desse período foi o de mediar entre a or-

tografia fonética de João de Barros e a ortografia etimológica de 

Duarte Nunes de Leão.  Entretanto vai ter que lidar com problemas 

inexistentes no século XVI, como a equalização sonora do s intervo-

cálico e do z, assim como do ss e do ç, os quais sempre haviam sido 

fonemas distintos, além de começar a se fazer sentir o processo de 

unificação da pronúncia do “ch” e do “x”. (TESSYER, 1987, p. 50-

5). 

Os livros de Língua Portuguesa dos séculos XVII e XVIII ti-



nham títulos logos encabeçados por expressões como “arte” ou “re-

gras”, “modo”, para escrever bem, ou certo.  Este foi um período de 

posição moderada em relação à ortografia, que, de acordo com Álva-

ro Ferreira de Vera, deve-se fazer de acordo com a ortografia etimo-

lógica, mas também se pode fazer de outro modo, conforme o uso do 

povo, ou seja, segundo a ortografia fonética.  Dizia este autor: 

 




 

Porque a boa ortografia consiste em escrever como se pronuncia; 

e da mesma maneira pronunciar como escrevemos.

 

 



A primeira obra de importância a tratar da ortografia no século 

XVII, a Orthographia, ou Arte de escrever, e Pronunciar com Acerto 

a Lingua Portuguesa, de João de Morais Madureira Feijó, de 1739, é 

contramarcha se comparada a visões de autores como Álvaro Ferrei-

ra de Vera, Bento Preyra e Joao de Franco Barreto, com a defesa 

intransigente da ortografia etimológica. Madureira Feijó cita diversas 

passagens em sua obra as quais se diz sempre favorável a uma orto-

grafia etimológica, inclusive se vale de exemplos preciosíssimos para 

demarcar sua posição: 

 

O certo he que lendo nos Auctores as palavras Acto, Dicto, Dig-



no, Damno, Prompto, &c.como vemos as letras, com que escre-

vêraõ, mas não ouvimos o som, com que pronunciáraõ, huns lem, 

e pronunciaõ como sabios, louvaõ e imitaõ; outros lem, e pro-

nunciaõ como nescios, estranhaõ e reprovaõ. E menos mal he que 

estes aprendaõ a pronunciar com acêrto para escreverem sem er-

ro, do que lançarmos fóra as regras do Orthographia, para nós es-

crevemos como elles pronunciaõ; porque daqui se seguem estes 

inconvenientes (sic). 

(FEIJÓ, 1739, p. 13-14)

 

 



 

Madureira Feijó afirma ouvir o som das letras etimológicas, 

colocadas ali apenas para imitar a grafia latina, como é o caso de 

palavras como “victória”, onde o c é pronunciado tão unido ao t que 

não se dá espaço entre um som e outro, como se disséssemos vi-ctó-

ria.  O mesmo ocorre em todas as demais palavras escritas com ct.  O 

mesmo dito sobre a pronúncia do ct aplica-se a mn pt

 

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