A histria da Ortografia do Portugus do Brasil


A Ortografia do Português no Século XVI



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A Ortografia do Português no Século XVI 

 

E, já iniciando a abordagem de alguns desses aspectos, pode-



mos afirmar aqui com precisão que o século XVI não tinha muitos 

problemas ortográficos a que se citar, visto que cada fonema era 

representado por uma única letra e cada letra representava um único 

fonema, sendo a ortografia do Latim harmônica, variando apenas 

poucas palavras de origem grega ou estrangeira. 

Nesta concepção , houve um aumento do prestígio das línguas 

nacionais, até mais que o latim, pois surgiu a necessidade de regula-

rizar a ortografia dessas línguas, principalmente porque há um au-

mento das publicações e de um público – leitor . 

 




Começa então uma gama de divergências na escolha de um 

modelo a se seguir. Cogita-se a adoção de uma ortografia fonética 

(um símbolo para cada som). Entretanto, esse critério apresentou 

uma problemática considerável: a língua nunca é a mesma em todas 

as regiões e dialetos. Uma representação gráfica que levasse em con-

ta apenas o aspecto fônico teria de fornecer duas ortografia distintas. 

Ora, se fossemos reproduzir fielmente na escrita a forma como 

a língua é falada, teríamos  longos prazos, se essa tendência se espa-

lhasse por toda a lusofonia, de grafar por exemplo, palavras como 

“nascer” e “exceção” (onde fonema /s/ nos grupos gráficos /sc/ e 

/xc/, por um processo de hipercorreção, desenvolvessem uma semi 

vogal /y/ como [naiscer] e [eixcessão]) ou [naisser] e [eissessão]. 

Outro modelo o qual se cogitou foi a aplicação de uma orto-

grafia etimológica, que consistia na maneira como era escrita na 

antiguidade, no caso do português , o latim. A dificuldade seria que , 

muitos fonemas da língua de origem já haviam deixado de soar, ou 

soavam diferentemente. 

A outra possibilidade que se pensou foi em uma  ortografia 

mista, onde se misturava ortografia fonética e ortografia etimológica, 

levando em conta normas lingüísticas dominantes e a maior facilida-

de que o emprego, ora de uma grafia mais fonética, ora de uma grafia 

mais etimológica acarreta. 

A dualidade de critérios dificultaria o aprendizado das primei-

ras letras, deixando a criança indecisa sobre qual critério utilizar.  E 

esse reconhecimento faz com que os gramáticos optem por um único 

 

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critério, tentando evitar essa possível confusão.  Em posição contrá-

ria ao ponto apresentado temos Fernão de Oliveira, em sua Gramáti-

ca da língua portuguesa, com uma  posição totalmente contrária ao 

que chamamos de ortografia etimológica: 

 

E do mau pronunciar veio o pior escrever dessas dicções com 



“ch”.  Mas somos tão bugios dos latinos que tomamos suas coisas 

sem muito sentir delas quando nos são necessárias. 

(OLIVEI-

RA, 1975,  p. 61) 

 

 



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