A guerra da Arte



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A Guerra da Arte - Steven Pressfield
A VIRTUDE SUPREMA
Certa vez, alguém pediu ao rei de Esparta, Leônidas, para identificar a
suprema virtude do guerreiro, da qual advinham todas as outras. Ele
respondeu:
— Desprezo pela morte.
Para nós artistas, leia-se "fracasso". O desprezo pelo fracasso é nossa
principal virtude. Ao confinar nossa atenção territorialmente aos nossos
próprios pensamentos e ações — em outras palavras, ao trabalho e suas
exigências —, nós derrubamos o inimigo pintado de azul, empunhando seu
escudo e brandindo sua lança.


OS FRUTOS DE NOSSO TRABALHO
Quando Krishna instruiu Arjuna de que ternos direito ao nosso trabalho,
mas não aos frutos de nosso trabalho, aconselhava o guerreiro a agir
territorialmente, não hierarquicamente. Temos que realizar nosso trabalho por
ele mesmo, não pela fortuna, atenções ou aplauso que possa nos angariar.
Depois, existe o terceiro modo proferido pelo Lorde da Disciplina, que está
além da hierarquia e do território. É fazer o trabalho e entregar a Ele. Doá-lo
como uma oferenda a Deus.
Dê-me o ato.
Purgado de esperança e ego,
Fixe sua atenção na alma.
Aja e realize por mim.
De qualquer forma, a obra vem do céu. Por que não entregá-la de volta?
Trabalhar desse modo, diz o Bhagavad-Gita, é uma forma de meditação e
uma espécie sublime de devoção espiritual. Também está muito próximo,
acredito da Realidade Superior. Na verdade, somos servos do Mistério.
Fomos colocados aqui na Terra para atuar como agentes do Infinito, para dar
vida ao que ainda não existe, mas que existirá, através de nós.
Cada respiração, cada batida do coração, cada evolução de uma célula
vem de Deus e é mantida por Deus a todo instante, assim como cada criação,
invenção, acorde musical ou verso de poesia, cada pensamento, visão,
fantasia, cada maldito fracasso ou golpe de gênio vem da inteligência infinita
que nos criou e do universo em todas as suas dimensões, vem do Vazio, do
campo de potencial infinito, do caos primordial, da Musa. Reconhecer esta
realidade, eliminar todo o ego, deixar que o trabalho flua através de nós e
oferecê-lo espontaneamente de volta à sua origem, isso, em minha opinião, é


o mais próximo que podemos chegar da realidade.



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