A guerra da Arte



Baixar 0.57 Mb.
Pdf preview
Página48/54
Encontro07.07.2022
Tamanho0.57 Mb.
#24164
1   ...   44   45   46   47   48   49   50   51   ...   54
A Guerra da Arte - Steven Pressfield
A DEFINIÇÃO DE UM
ESCREVINHADOR
Aprendi isso com Robert McKee. Um escrevinhador, segundo ele, é um
escritor que procura adivinhar o que o público quer. Quando o escrevinhador
senta-se para trabalhar, não pergunta a si mesmo o que vai em seu próprio
coração. Pergunta o que o mercado está buscando.
O escrevinhador condescende à vontade de seu público. Acha-se superior
a ele. A verdade é que morre de medo do público ou, mais precisamente, de
ser autêntico diante dele, de escrever o que realmente sente ou pensa, aquilo
que ele próprio julga interessante. Tem medo de não vender. Assim, procura
se antecipar à vontade do mercado (uma palavra significativa) e, então,
oferece-lhe aquilo que ele deseja.
Em outras palavras, o escrevinhador escreve hierarquicamente. Escreve o
que imagina que será bem aceito aos olhos dos outros. Não pergunta a si
mesmo: O que eu desejo escrever? O que acho importante? Ao invés disso,
perguntasse: O que está na moda, o que posso negociar? O escrevinhador é
como o político que consulta as pesquisas eleitorais antes de assumir uma
posição. É um demagogo. Um aproveitador.
Pode valer a pena ser um escrevinhador. Considerando se o estado de
depravação da cultura americana, um sujeito esperto pode ganhar milhões
como escrevinhador. Mas ainda que seja bem-sucedido, você perde, porque
vendeu sua Musa a qualquer preço e sua Musa é você, a melhor parte de si
mesmo, de onde vem seu melhor e mais autêntico trabalho
Eu estava passando fome como roteirista de cinema quando a ideia para
The Legend of Bagger Vance me ocorreu Veio como um livro, não como um
filme. Encontrei-me com meu agente para lhe dar a má notícia. Nós dois
sabíamos que os primeiros romances levam muito tempo para serem aceitos e


são muito mal remunerados. Pior ainda, um romance sobre golfe, ainda que
conseguíssemos encontrar um editor, é um arremesso certo para a lata de
lixo.
Mas a Musa havia se apoderado de mim. Eu tinha que escrevê-lo. Para
minha surpresa, o livro foi um sucesso de crítica e de vendas maior do que
qualquer outro trabalho que eu já tivesse produzido e outros posteriores que
também tiveram sorte. Por quê? Meu melhor palpite é o seguinte: eu confiei
no que eu queria não no que achava que iria funcionar. Fiz o que eu mesmo
achava interessante e deixei a receptividade para os deuses.
O artista não pode realizar seu trabalho hierarquicamente. Tem que
trabalhar territorialmente.



Baixar 0.57 Mb.

Compartilhe com seus amigos:
1   ...   44   45   46   47   48   49   50   51   ...   54




©historiapt.info 2022
enviar mensagem

    Página principal