A guerra da Arte



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A Guerra da Arte - Steven Pressfield
ESPERIMENTANDO O EU
Já se perguntou por que usamos tantos termos voltados para a destruição
quando estamos intoxicados, doentes ou infelizes? Chapado, derrubado,
destruído, aniquilado, arrasado. É porque eles se referem ao Ego. É o Ego que
pode ser dinamitado, engessado, demolido. Demolimos o Ego para
acessarmos o Self.
As margens do Eu tocam o Terreno Divino. Ou seja, o Mistério, o Vácuo,
a fonte da consciência e da infinita sabedoria.
Os sonhos são provenientes do Self. As ideias vêm do Self. Quando
meditamos, acessamos o Self. Quando jejuamos, quando rezamos, quando
partimos no encalço de uma visão, é o Self que buscamos. Quando o dervixe
gira e dança, quando o iogue entoa seus cânticos, quando o sadhu mutila a
carne; quando os penitentes arrastam-se por cento e cinquenta quilômetros de
joelhos, quando os índios norte-americanos se perfuram na Dança do Sol,
quando jovens abastados tomam Ecstasy e dançam a noite toda em uma rave,
estão buscando o Self. Quando deliberadamente alteramos nossa consciência
de alguma forma, estamos tentando encontrar o Self. Quando o
bêbado cai na sarjeta, a voz que lhe diz "Eu o salvarei" vem do Self.
O Self é nosso ser mais profundo.
O Self está unido a Deus.
O Self é incapaz de falsidade
O Self, como o Terreno Divino que o permeia, está sempre crescendo e
evoluindo.
O Self fala para o futuro.
É por isso que o Ego o odeia.
O Ego odeia o Self porque quando colocamos nossa consciência no Eu,
liquidamos o Ego.
O Ego não deseja a nossa evolução. O Ego comanda o espetáculo agora


mesmo. Quer que as coisas permaneçam como estão.
O instinto que nos empurra para a arte é o impulso para evoluir, para
aprender, para aperfeiçoar e elevar nossa consciência. O Ego o detesta.
Porque quanto mais despertos nos tornamos, menos precisamos do Ego.
O Ego detesta quando o escritor recém-despertado senta-se à máquina de
escrever. O Ego detesta quando o aspirante a pintor posiciona-se
em frente ao cavalete.
O Ego detesta tudo isso porque sabe que essas almas estão despertando
para uma vocação e que essa vocação vem de um plano mais nobre do que o
material e de uma fonte mais profunda e mais poderosa do que a física.
O Ego detesta o profeta e o visionário porque eles impulsionam a raça
humana para cima. O Ego detestava Sócrates e Jesus, Lutero e Galileu,
Lincoln, JFK e Martin Luther King.
O Ego detesta artistas porque eles são os desbravadores e portadores do
futuro, porque cada um deles ousa. Nas palavras de James Joyce, "forjar na
oficina de minha alma a consciência privada de existência da minha raça".
Tal evolução é ameaçadora para o Ego. Ele reage à altura. Usa sua astúcia
e prepara suas tropas.
O Ego produz a Resistência e ataca o artista em formação.


MEDO
A Resistência se alimenta do medo. Nós experimentamos a Resistência
quanto sentimos medo. Mas medo de quê?
Medo das consequências de seguir nosso coração. Medo da falência,
medo da pobreza, medo da insolvência. Medo de nos humilharmos quando
tentamos vencer por nós mesmos e de nos humilharmos quando desistimos e
voltamos de joelhos para a estaca zero. Medo de sermos egoístas, de sermos
péssimas esposas ou maridos infiéis; medo de não conseguir sustentar nossas
famílias, de sacrificar seus sonhos pelos nossos. Medo de trair nossos
semelhantes, nossos companheiros, nossos familiares. Medo do fracasso.
Medo do ridículo. Medo de desperdiçar a educação, o treinamento, o preparo
pelos quais aqueles que amamos se sacrificaram tanto, pelos quais nós
mesmos nos esforçamos tanto. Medo de nos lançarmos no vazio, de nos
arriscarmos longe demais lá fora; medo de ultrapassar o ponto de onde não há
mais volta, depois do qual não podemos renunciar, não podemos voltar atrás,
não podemos cancelar, mas com cuja arrogante escolha temos que conviver
para o resto de nossas vidas. Medo da loucura. Medo da insanidade. Medo da
morte.
São todos medos sérios. Mas não são o medo real. Não o Grande Medo, a
Mãe de Todos os Medos, que está tão perto de nós que mesmo quando o
verbalizamos, não acreditamos nele.
Medo de que sejamos bem-sucedidos.
De que possamos acessar as forças que secretamente sabemos que
possuímos.
De que possamos nos tornar a pessoa que sentimos em nossos corações
que realmente somos.
Essa é a perspectiva mais terrível que um ser humano pode enfrentar,
porque o expele, de um golpe só (ele imagina) de todas as inclusões tribais


para as quais sua psique está programada e tem estado por cinquenta milhões
de anos
Tememos descobrir que somos mais do que achamos que somos. Mais do
que nossos pais/filhos/professores pensam que somos. Tememos possuir
realmente o talento que nossa vozinha interior sussurra que temos. Tememos
realmente possuir a coragem, a perseverança, a capacidade. Tememos
realmente poder manobrar nosso navio, fincar nossa bandeira, alcançar nossa
Terra Prometida. Tememos porque, se for verdade, seremos afastados de tudo
que conhecemos. Atravessaremos uma membrana. Seremos monstros e
monstruosos. Sabemos que, se abraçarmos nossos ideais, teremos que nos
mostrar dignos deles. E isso nos apavora. O que será de nós? Perderemos
nossos amigos e família, que não nos reconhecerão mais. Acabaremos
sozinhos, no vazio glacial do espaço estrelado, sem nada ou ninguém a que se
agarrar.
É claro, é exatamente isso que acontece. Mas o truque é o seguinte.
Acabamos no espaço, mas não sozinhos. Ao contrário, somos capturados em
uma insaciável, inesgotável, inexaurível fonte de sabedoria, consciência e
companheirismo. Sim, perdemos amigos. Mas também encontramos amigos,
em lugares onde nunca imaginamos procurar. E são amigos melhores, mais
verdadeiros. E nós somos melhores e mais leais com eles.
Acredita em mim?



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