A guerra da Arte



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A Guerra da Arte - Steven Pressfield
VIDA E MORTE
Lembra-se do filme Billy Jack, com Tom Laughlin? O filme e as
sequencias há muito tempo debandaram para a TV por assinatura, mas Tom
Laughlin ainda está por ai. Além de seu trabalho no cinema, ele é um
psicólogo da escola de Jung, escritor e conferencista, cuja especialidade e
trabalhar com pessoas diagnosticadas com câncer. Tom Laughlin dá aulas e
conduz oficinas de trabalho: eis uma paráfrase de algo que o ouvi dizer:
No momento em que uma pessoa fica sabendo que tem câncer terminal,
uma mudança profunda ocorre em sua psique. De um só golpe, no
consultório do médico, ela fica sabendo o que realmente importa para ela.
Coisas que há sessenta segundos antes pareciam absolutamente importantes
de repente perdem todo o sentido, enquanto pessoas e preocupações que até
então ela havia descartado imediatamente, agora assumem uma importância
absoluta.
Talvez, ele percebe que trabalhar este fim de semana naquela grande
transação comercial no escritório não seja tão vital assim. Talvez seja mais
importante pegar um avião, atravessar o país para assistir a formatura de seu
neto. Talvez não seja tão crucial ter a Ultima palavra na discussão com sua
esposa. Talvez, em vez disso, ele deva lhe dizer o quanta ela significa para
ele e como sempre a amou profundamente.
Outros pensamentos ocorrem ao paciente diagnosticado como terminal. E
quanto aquele dom que ele tinha para a música? O que aconteceu com a
paixão que um dia sentiu para trabalhar com os doentes e desabrigados? Por
que essas vidas não vividas retornam agora com tanta força e intensidade?
Defrontados com nossa iminente extinção, Tom Laughlin acredita, todas
as nossas certezas são questionadas. O que nossa vida significa? Nós a
vivemos corretamente? Existem atos vitais que deixamos de realizar, palavras
essenciais que não foram ditas? Será tarde demais?


Tom Laughlin desenha um diagrama da psique, um modelo de inspiração
junguiana semelhante a este:
O Ego, segundo Jung, é a parte da psique que consideramos “nós
mesmos”. Nossa inteligência consciente. Nosso cérebro comum que pensa,
planeja e comanda o espetáculo de nossa vida diária.
O Self {Eu}, como Jung o definiu, é uma entidade maior, que inclui o
Ego, mas também incorpora o inconsciente Individual e o Inconsciente
Coletivo. Sonhos e intuições vêm do Self. Os arquétipos do inconsciente
residem nele. E, segundo Jung, a esfera da alma.
O que acontece no instante em que ficamos sabendo que podemos morrer
em breve, afirma Tom Laughlin, é a mudança do local onde nossa
consciência se assenta.
Ela muda do Ego para o Self.
O mundo é inteiramente novo, visto a partir do Self. De imediato,
discernimos o que é realmente importante. As preocupações superficiais se
desvanecem, substituídas por uma perspectiva mais profunda, mais sólida.
E dessa forma que a fundação de Tom Laughlin combate o câncer. Ele
aconselha seus clientes não só a fazerem essa mudança mentalmente, mas a
colocarem-na em prática em suas vidas. Ele apoia a dona de casa a retomar
sua carreira no serviço social, anima o homem de negócios a retornar ao seu
violino, ajuda o veterano do Vietnã a escrever seu romance.
Milagrosamente, o câncer começa a regredir. As pessoas se recuperam.


Mas será possível, Tom Laughlin pergunta, que a própria doença tenha
evoluído em consequência de ações realizada, (ou não-realizadas) em nossas
vidas? Poderiam nossas vidas não-vividas ter se vingado de nós na forma de
câncer? E, se assim for, podemos nos curar agora, realizando essas vidas?



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