A guerra da Arte



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A Guerra da Arte - Steven Pressfield
INVOCANDO A MUSA
PARTE TRÊS
Os artistas têm invocado a Musa desde tempos imemoriais. Há nisso uma
grande sabedoria. Há mágica em abolir nossa arrogância humana e
humildemente solicitar ajuda de urna fonte que não podemos ver, ouvir, tocar
ou sentir o cheiro. A seguir, o início da Odisséia, de Homero, tradução de T.
E. Lawrence:
O Divina Poesia, deusa, filha de Zeus, mantenha viva para mim
esta canção do homem de múltiplos interesses que, depois de ter
pilhado o âmago da cidadela da sagrada Tróia, foi levado a vagar
dolorosamente pelas costas litorâneas de outros povos, vivendo
segundo seus costumes, bons ou maus, enquanto seu coração, através
de todas as viagens marítimas, sofria em agonia para se redimir e
levar seus homens para casa em segurança. Vã esperança para eles.
Os tolos! Sua própria insensatez os desgraçou. Destruir, pela carne, o
gado do mais exaltado Sol, razão pela qual o deus-Sol escureceu o dia
de sua volta. Faça com que essa história viva para nós em todos os
seus múltiplos significados, ó MusaEssa passagem merece um
estudo mais detalhado. Primeiro, Divina Poesia. Quando invocamos a
Musa, estamos recorrendo a uma força não só de um plano diferente de
realidade, mas de um plano mais sagrado.
Essa passagem merece um estudo mais detalhado.
Primeiro, Divina Poesia. Quando invocamos a Musa, estamos recorrendo a uma força
não só de um plano diferente de realidade, mas de um plano mais sagrado.
Deusa, filha de Zeus. Não só estamos invocando uma intervenção divina,
mas uma intervenção do mais alto nível, apenas um nível abaixo do nível
máximo.


Mantenha viva para mim. Homero não pede brilhantismo ou sucesso.
Quer apenas manter a canção viva.
Esta canção. A canção engloba tudo. De Os irmãos Karamazov ao seu
novo empreendimento no ramo de material hidráulico.
Adoro o resumo das provações de Odisseu que compreende o corpo da
invocação. É a jornada do herói de Joseph Campbell em uma casca de noz, a
sinopse mais concisa da história do Homem Comum. Há o crime inicial (que
todos nós inevitavelmente cometemos), que expele o herói de sua
complacência doméstica e o impele para suas errâncias, o anseio de redenção,
a campanha incansável para chegar em "casa", significando voltar às graças
de Deus, voltar para si mesmo.
Admiro particularmente a advertência contra o segundo crime, destruir,
por cansa da carne, o gado do mais exaltado Sol. Este é o crime capitai que
acarreta a destruição da alma: o uso do sagrado por meios profanos.
Prostituição. Traição.
Finalmente, o pedido do artista para seu trabalho: Faça com que essa
história viva para nós em todos os seus múltiplos significados, ó Musa...
É o que desejamos, não é? Mais do que fazê-lo grandioso, fazê-lo viver. E
não de um único ângulo apenas, mas em todos os seus múltiplos significados.
OK.
Fizemos nossa oração. Estamos prontos para trabalhar.
E agora?



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