A guerra da Arte


TESTAMENTO DE UM VISIONÁRIO



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A Guerra da Arte - Steven Pressfield
TESTAMENTO DE UM VISIONÁRIO
A eternidade esta apaixonada pelas criações do tempo.
William Blake
O poeta visionário William Blake era, a meu ver, um desses avatares
meio enlouquecidos que aparecem em carne e osso de vez em quando —
sábios capazes de ascender por breves períodos a planos mais altos e retornar
para compartilhar as maravilhas que presenciaram.
Devemos tentar decifrar o significado do verso acima?
O que Blake quer dizer com "eternidade", na minha opinião, é a esfera
superior a esta, um plano de realidade mais alto do que a dimensão material
na qual vivemos. Na "eternidade", o tempo não existe (ou a sintaxe de Blake
não o distinguiria de "eternidade") e provavelmente o espaço também não.
Esse plano deve ser habitado por criaturas superiores. Ou pode ser espírito ou
consciência pura. Mas seja o que for, segundo Blake, é capaz de estar
"apaixonado".
Se esse plano superior é habitado por seres, imagino que Blake queira
dizer que são incorpóreos. Não possuem corpos. Mas possuem uma conexão
com a esfera do tempo, esta na qual vivemos. Esses deuses ou espíritos
participam desta dimensão. Interessam-se por ela.
"A eternidade está apaixonada pelas criações do tempo" significa, para
mim, que de alguma forma essas criaturas da esfera superior (ou a própria
esfera, no abstrato) alegram-se com o que nós, seres limitados pelo tempo,
podemos criar e dar existência física em nossa limitada esfera material.
Pode parecer forçado, mas se esses seres alegram-se com as "criações do
tempo", será que também não nos dariam um empurrãozinho para produzi-
las? Se assim for, a imagem da Musa sussurrando inspiração no ouvido do
artista é totalmente plausível.
O eterno comunicando-se com o confinado ao tempo.
Pelo modelo de Blake, no meu modo de ver, é como se a Quinta Sinfonia


já existisse nessa esfera superior, antes de Beethoven sentar-se e tocá-la.
O truque é o seguinte: a obra existia apenas em potencial— sem corpo,
por assim dizer. Ainda não era música. Não podia ser tocada. Não podia ser
ouvida.
Era preciso alguém. Era preciso um ser corpóreo, um ser humano, um
artista (ou mais precisamente um gênio, no sentido latino de "espírito
inspirador") para dar vida à obra neste plano material. Assim, a Musa
sussurrou no ouvido de Beethoven. Talvez ela tenha cantarolado alguns
trechos em milhões de outros ouvidos. Porém, ninguém mais a ouviu.
Somente Beethoven.
Ele a compôs. Fez da Quinta Sinfonia uma "criação do tempo", pela qual
a "eternidade" podia "apaixonar-se".
Assim, a eternidade, quer seja concebida como Deus, consciência pura,
inteligência infinita, espírito onisciente, ou, se preferirmos, como seres,
deuses, espíritos, avatares — quando "ela" ou "eles", de algum modo, ouvem
os sons da música terrena, alegram-se.
O Em outras palavras, Blake concorda com os gregos. Os deuses existem.
Eles realmente penetram em nossa esfera terrena.
O que nos leva de volta à Musa. A Musa, lembre-se, é filha de Zeus, Pai
de todos os Deuses, e da Memória, ou Mnemosine. É um pedigree muito
impressionante. Eu aceito essas credenciais.
Acredito plenamente em Xenofonte; antes de sentar-me para trabalhar,
tiro um minuto para prestar homenagem a essa Força oculta que pode me
ajudar ou destruir.



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