A guerra da Arte



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A Guerra da Arte - Steven Pressfield
UM PROFISSIONAL HOMOLOGA A SÍ
PRÓPRIO
Um amador deixa que a opinião negativa dos outros o castre. Leva a sério
qualquer crítica externa, permitindo que a confiança em si mesmo e em seu
trabalho seja abalada. A Resistência adora isso.
Você aguenta mais uma história de Tiger Woods? Faltando quatro
buracos no último dia do 2001 Masters (que Tiger Woods venceu. ganhando
os quatro principais torneios do golfe no mesmo ano), um palerma na galeria
clicou uma câmera fotográfica no auge da tacada de Tiger. De maneira
incrível, Tiger foi capaz de parar o movimento no meio e abortar a jogada.
Mas essa não foi a parte mais surpreendente. Depois de lançar um olhar
fulminante ao facínora, Tiger se recompôs, voltou para a bola e lançou-a
numa tacada magistral.
Esse é um profissional. É uma obstinação em um nível que a maioria de
nós não consegue compreender, quanto mais imitar. Mas examinemos mais
atentamente o que Tiger fez, ou melhor, o que ele não fez.
Primeiro, ele não reagiu por reflexo. Não permitiu que um ato que
certamente teria provocado uma reação automática de raiva realmente
produzisse essa raiva. Ele controlou sua reação. Ele dominou sua emoção.
Segundo, ele não levou a questão para o lado pessoal. Ele poderia ter
entendido o ato desse fotógrafo amador entusiasmado como um ataque
deliberado a ele individualmente, com a intenção de perturbar sua
concentração. Poderia ter reagido com indignação ou raiva ou fazer-se de
vítima. Não o fez.
Terceiro, não tomou o incidente como um sinal de má vontade dos céus.
Poderia ter considerado esse revés como uma maldade dos deuses do golfe,
como um golpe de azar no beisebol ou um erro do juiz de linha no tênis.


Poderia ter gemido, ficar aborrecido ou render-se mentalmente a essa
injustiça, essa interferência, e usado-a como uma desculpa para fracassar.
Não o fez. o que ele de fato fez foi manter sua soberania sobre o momento.
Compreendeu que, independentemente de qualquer revés que um agente
externo tivesse lhe aplicado, ele próprio ainda tinha seu trabalho a fazer. a
tacada que ele precisava dar ali e agora. E ele sabia que essa tacada dependia
dele. Não havia nada em seu caminho, a não ser qualquer perturbação
emocional a que ele próprio resolvesse se agarrar. A mãe de Tiger. Kultida. é
budista. Talvez ele tivesse aprendido com ela a ter compaixão. a não se
deixar dominar pela raiva por causa da negligência de um fotógrafo amador
descuidado. De qualquer forma, Tiger Woods, o exemplo de profissional,
extravasou sua raiva rapidamente com um olhar, depois se recompôs e
retornou à tarefa que tinha diante de si.
O profissional não pode permitir que as ações de outros definam sua
realidade. Amanhã de manhã, a crítica terá passado, mas o escritor ainda
estará lá encarando a página em branco. Nada importa, a não ser continuar
trabalhando. Fora uma crise familiar ou a deflagração da 3ª Guerra Mundial,
o profissional comparece ao trabalho, pronto para servir aos deuses.
Lembre-se, a Resistência quer que renunciemos à nossa soberania,
cedendo-a a outros. Quer que sustentemos nosso valor próprio, nossa
identidade, nossa razão de ser, com a reação dos outros ao nosso trabalho. A
Resistência sabe que não podemos aceitar essa condição. Ninguém pode.
O profissional não dá atenção às críticas. Nem sequer as ouve. As críticas,
lembram a si mesmo, são as porta-vozes involuntárias da Resistência e, como
tal, podem ser realmente perniciosas e maliciosas. Podem articular em seus
artigos o mesmo veneno tóxico que a própria Resistência produz em nossas
cabeças. Esse é seu verdadeiro mal. Não que acreditemos nelas, mas que
acreditemos na Resistência que é fermentada em nossas mentes, para a qual
as críticas servem como porta-vozes inconscientes.
O profissional aprende a reconhecer a crítica motivada pela inveja e
tomá-la pelo que realmente é: o supremo elogio. O que o crítico mais odeia é
aquilo que de próprio teria feito se tivesse tido coragem.



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