A guerra da Arte



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A Guerra da Arte - Steven Pressfield
O QUE EU FAÇO
Eu me levanto, entro no chuveiro, tomo o café da manhã. Leio o jornal,
escovo os dentes. Se tiver telefonemas a dar, telefono. Pego uma caneca de
café. Calço minhas botas da sorte que uso para trabalhar e amarro os cadarços
da sorte que minha sobrinha Meredith me deu. Dirijo-me ao meu escritório,
ligo o computador. Meu moletom da sorte, de capuz, está dobrado sobre a
cadeira, com o talismã da sorte que comprei de uma cigana em Saintes
Maries de la Mer pelo equivalente a apenas oito dólares, e minha etiqueta da
sorte com o nome LARGO, que veio de um sonho que tive uma vez. Coloco
tudo. Sobre o meu thesaurus está o canhão da sorte do Castelo do Morro,
Cuba, que meu amigo Bob Ver-sandi me deu. Aponto-o na direção de minha
cadeira, para que possa disparar inspiração em mim. Faço minha oração, que
é a "Invocação da Musa", da Odisseia de Homero, tradução de T. E.
Lawrence, Lawrence da Arábia, que meu querido parceiro Paul Rink me deu
e que fica perto da prateleira com as abotoaduras que pertenceram ao meu pai
e com meu fruto do carvalho, também um amuleto da sorte, do campo de
batalha de Termópilas. São aproximadamente dez e meia agora. Sento-me e
mergulho no trabalho. Quando começo a cometer erros de digitação, sei que
estou ficando cansado. Passaram-se cerca de quatro horas. Cheguei ao ponto
em que as respostas do corpo e da mente vão se reduzindo. Encerro o dia de
trabalho. Faço uma cópia do que foi feito em um disquete e guardo-o no
porta-luvas do meu caminhão para o caso de haver um incêndio e eu ter que
sair correndo. Desligo o computador. São três, três e meia. Fecho o escritório.
Quantas páginas produzi? Não me importa. Serão boa? Nem sequer penso
nisso. Tudo que conta é que cumpri minhas horas de trabalho e o fiz com
toda a concentração. Tudo que importa é que, para este dia, para esta sessão
de trabalho, eu superei a Resistência.


O QUE EU SEI
Há um segredo que os verdadeiros escritores conhecem e que os
aspirantes a escritor não sabem e o segredo é o seguinte: o difícil não é
escrever. O difícil é sentar-se para escrever. O que nos impede de sentar para
escrever é a resistência.



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