A guerra da Arte


UM PROFISSIONAL É PACIENTE



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A Guerra da Arte - Steven Pressfield
UM PROFISSIONAL É PACIENTE
A Resistência engana o amador com o truque mais velho que se conhece:
usa seu próprio entusiasmo contra ele. A Resistência nos faz mergulhar num
projeto com uma programação irrealista e ambiciosa demais para ser
cumprida. Ela sabe que não conseguiremos sustentar esse nível de
intensidade. Colidiremos contra a parede. Desmoronaremos.
O profissional, ao contrário, compreende a demora na gratificação. Ele é a
formiga, não o gafanhoto; a tartaruga, não a lebre. Já ouviu a lenda de
Sylvester Stallone ficar três noites seguidas sem dormir para produzir o
roteiro de Rocky? Eu não sei, pode até ser verdade. Mas é o tipo mais
pernicioso de mito para apresentar ao escritor iniciante, porque o leva a
acreditar que ele pode conseguir um grande sucesso sem esforço e sem
persistência.
O profissional arma-se de paciência, não só para dar aos astros tempo
para se alinharem cm sua carreira, como para impedir que sua chama seja
consumida a cada trabalho individual. Ele sabe que qualquer trabalho, seja,
um romance ou a reforma da cozinha, leva o dobro do tempo e custa o dobro
do que ele calcula. Ele aceita esse fato. Ele o reconhece como realidade.
O profissional prepara-se no início de um projeto, lembrando a si mesmo
que ele é o Iditarod,* não a arrancada de sessenta metros. Ele poupa sua
energia. Ele prepara a mente para o trajeto longo. Ele se mantém com a
certeza de que, se ao menos conseguir manter aqueles huskies puxando o
trenó na neve, mais cedo ou mais tarde o trenó chegará a Nome.
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Corrida anual de trenós puxados por cães que liga a cidade de Anchorade a Nome no
Alasca. (N. do E.)


UM PROFISSIONAL BUSCA A ORDEM
Quando eu morava na traseira da minha caminhonete Chevrolet, tinha que
retirar minha máquina de escrever de baixo de montanhas de ferramentas de
pneus, roupa suja e livros de bolso mofados. Minha caminhonete era um
ninho, uma colmeia, uma espelunca sobre rodas na qual toda noite, para
dormir, era preciso escavar uma toca onde eu pudesse tirar uma soneca.
O profissional não pode viver assim. Ele realiza uma missão. Não tolera a
desordem. Ele elimina o caos de seu mundo a fim de bani-lo da mente. Ele
quer o carpete limpo com o aspirador de pó e a frente da casa varrida, de
modo que a Musa possa entrar e não sujar sua veste.



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