A guerra da Arte


parte da força de trabalho



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A Guerra da Arte - Steven Pressfield

parte da força de trabalho.
1. 
Os riscos para nós são altos e reais. Nosso trabalho tem a ver
com sobrevivência, com alimentar nossas famílias, educar nossos
filhos. Tem a ver com comer.
1. 
Aceitamos renumeração pelo nosso trabalho. Não estamos
aqui por brincadeira. Trabalhamos por dinheiro.
1. 
Não nos identificamos demais com nossa função. Podemos
sentir orgulho em nosso trabalho, podemos ficar até mais tarde e ir
ao escritório no fim de semana, mas reconhecemos que não somos
a descrição de nosso emprego. O amador, ao contrário, identifica-
se excessivamente com seu passatempo, sua aspiração artística.
Ele se define por ela. É um músico, um pintor, um dramaturgo. A
Resistência adora isso. A Resistência sabe que o compositor
amador jamais escreverá sua sinfonia porque está empenhado
demais em seu sucesso e apavorado demais com a possibilidade de
fracasso. O amador leva essa identificação com o trabalho tão a
sério que ela o paralisa.
1. 
Nós dominamos a técnica de nosso trabalho.


1. 
Possuímos senso de humor a respeito de nosso trabalho.
1. 
Recebemos elogios ou críticas no mundo real.
Agora considere o amador: o aspirante a pintor, o pretendente a
dramaturgo. Como ele persegue sua vocação?
Primeiro, ele não comparece ao local de trabalho diariamente. Segundo,
ele não comparece haja o que houver. Terceiro, ele não permanece no local
de trabalho o dia inteiro. Não está comprometido a longo prazo; os riscos
para ele são ilusórios e falsos. Ele não recebe remuneração. E ele se identifica
excessivamente com sua arte. Não possui senso de humor em relação ao
fracasso. Você não o ouve queixar-se: “Esta maldita trilogia está me
matando!”. Ao invés disso, ele simplesmente não escreve sua trilogia.
O amador não domina a técnica de sua arte. Nem se expõe a julgamento
no mundo real. Se mostramos nosso poema para um amigo e esse amigo diz:
“É maravilhoso, adorei”, isso não representa um feedback do mundo real, é
apenas nosso amigo tentando ser gentil conosco. Nada é mais legitimador do
que a validação do mundo real, mesmo que seja por fracasso.
O primeiro trabalho profissional que eu tive como escritor, após dezessete
anos de tentativas, foi para um filme chamado King Kong 2. Eu e meu
parceiro na época, Ron Shusett (um roteirista e produtor brilhante, que
também fez Alien e O vingador do futuro), produzimos o roteiro para Dino
DeLaurentis. Nós o adoramos; tínhamos certeza de que tínhamos produzido
um sucesso. Mesmo depois de ver o filme pronto, tínhamos certeza que seria
um sucesso arrasador. Convidamos todos os nossos conhecidos para a estreia
do filme, até alugamos uma casa noturna ao lado do cinema para uma festa de
comemoração após a sessão. Cheguem cedo, avisamos nossos amigos, o
lugar vai ficar lotado. Ninguém apareceu. Havia apenas um sujeito na fila
além de nossos convidados e ele murmurava alguma coisa sobre dinheiro
trocado. No cinema, nossos amigos aturaram o filme num estado de muda
estupefação. Quando as luzes se acenderam. Eles fugiram como baratas na
noite.
No dia seguinte, veio a crítica na Viriety: “Ronald Shusett e Steven


Pressfield; esperamos que esses não sejam seus nomes verdadeiros, para o
bem de seus pais." Ao final da primeira semana, a renda bruta da bilheteria
fora insignificante. Ainda assim, eu me apegava à esperança. Talvez só esteja
sendo mal recebido nas áreas urbanas, talvez esteja se saindo melhor nos
subúrbios. Peguei o carro e fui até um multiplex na periferia da cidade. Um
Jovem atendia no balcão de pipoca.
- Como vai indo o King Kong 2? - perguntei.
Ele exibiu os dois polegares para baixo.
- Não perca seu tempo, cara. É uma droga.
Fiquei arrasado. Ali estava eu, 42 anos, divorciado. Sem filhos, tendo
abdicado de todas as aspirações humana, normais para ir atrás do sonho de
ser escritor; agora, quando finalmente consegui colocar meu nome em uma
grande produção hollywoodiana protagonizada por Linda Hamilton, o que
acontecia? Sou um fracassado, um impostor: minha vida é inútil, assim como
eu.
Meu amigo Tony Keppelman me tirou desse transe perguntando-me se eu
pretendia desistir. Não, claro que não!
- Então, fique feliz. Você está onde queria, não está? E daí se está
sofrendo uns reveses? É o preço que se paga por estar na arena e não nas
arquibancadas. Pare de reclamar e seja grato.
Foi quando percebi que havia me tornado um profissional. Ainda não
tivera um sucesso. Mas tivera um fracasso real.



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