A filosofia social de adam smith



Baixar 257.64 Kb.
Pdf preview
Página1/20
Encontro13.12.2019
Tamanho257.64 Kb.
  1   2   3   4   5   6   7   8   9   ...   20


 



A FILOSOFIA SOCIAL DE ADAM SMITH



 

 

 



1.  -  O  pensamento  de  Adam  Smith  no  domínio  da  Economia  estrutura-se, 

basicamente, a partir da crítica às teses fisiocráticas segundo as quais a produtividade 

natural  da  terra  é  um  dom da natureza,  dom  que  só  pode  ser  aproveitado  pelos  que 

trabalham  na  agricultura,  o  que  significa  que  só  o  trabalho  agrícola  se  configura,  por 

isso mesmo, como trabalho produtivo (i.é, capaz de produzir um produto líquido). 

Era claramente diferente da realidade económica e social da França do tempo dos 

fisiocratas  aquela  que  caracterizava  a  Inglaterra  do  tempo  de  Adam  Smith.  E  este 

conseguiu aperceber-se de algumas diferenças fundamentais: por um lado, no que toca 

à  agricultura,  deu-se  conta  de  que  os  rendeiros  (capitalistas)  arrecadavam  um 

rendimento  que  não  era  um  salário;  por  outro  lado,  conseguiu  compreender  que  este 



lucro capitalista não se confinava à agricultura: o lucro surgia agora de forma clara na 

indústria, actividade em que o capital vinha encontrando o seu mais amplo campo de 

aplicação. 

O  “poder  produtivo  do  trabalho”  (a  produtividade)  deixava  de  estar  ligada  às 

características  estruturais  da  terra,  deixava  de  ser  exclusiva  da  agricultura.  Por  isso,  a 

explicação  do  excedente  (i.é,  do  produto líquido,  do  qual  sai  não  só  a  renda  mas 

também  o  lucro,  tanto o  lucro  agrícola  como  o  lucro  industrial)  não  pode  continuar  a 

assentar  nas  condições  específicas  de  que  beneficia  um  determinado  tipo  de  trabalho 

concreto (o trabalho agrícola).  

Adam Smith foi além das várias formas de trabalho concreto que se encontram 

na vida real, e elaborou uma nova categoria, a de trabalho abstracto, a qual - como ele 

próprio reconhece -, “embora possa tornar-se suficientemente inteligível, não é de modo 

algum tão natural e óbvia.”

1

 



Esta foi uma novidade teórica particularmente importante. 

Marx considera-a o “ponto de partida da economia moderna”: “Um  imenso progresso 

foi  realizado  quando  Adam  Smith  rejeitou  todas  as  formas  particulares  de  actividade 

                                                 

 



  Este  texto  foi  escrito  para  um  livro  de  homenagem  ao  senhor  Doutor  António  Castanheira 



Neves, ARS IVDICANDI – Estudos em Homenagem ao Prof. Doutor António Castanheira Neves (Orgs. 

Jorge  de  Figueiredo  Dias,  José  Joaquim  Gomes  Canotilho  e  José  de  Faria  Costa),  Vol.  III,  801-831, 

STVDIA  IURIDICA,  nº  92,  Ad Honorem  –  3,  Boletim da Faculdade de Direito,  Universidade  de 

Coimbra, Coimbra Editora, 2008. 

Foi,  entretanto,  publicado  no  Boletim de Ciências Económicas  (Faculdade  de  Direito  de 

Coimbra), Volume XLIX (2005), ainda como forma de homenagear o Doutor Castanheira Neves. Aqui 

lhe renovo a minha homenagem.   

1

 Cfr. Riqueza das Nações, I, 122.  




 

criadora  de  riqueza  (...),  para  considerar  apenas  o  trabalho  sem mais,  isto  é,  todas  as 



actividades  sem  qualquer  distinção.  A  esta  universalidade  da  actividade  criadora  de 

riqueza  corresponde  a  universalidade  do  objecto,  o  produto  sem

  mais,  e  também  o 

trabalho  em  geral,  embora  ele  seja  concebido  sob  a  forma  de  trabalho  passado  e 

objectivado”.

2

   



À  luz  dos  ensinamentos  de  Smith,  generaliza-se  o  entendimento  de  que  a 

produtividade depende não já das características de um determinado sector de actividade, 

mas das características do trabalho abstracto - o trabalho em geral, o trabalho tout court 

(Marx) ou trabalho enquanto tal (Napoleoni) -, do dispêndio de energia física e psíquica 

exigido  no  processo  de  produção  (qualquer  que  seja  o  objecto  sobre  que  este  incide), 

daquilo  que  é  comum  a  todas  as  formas  de  trabalho,  independentemente  da  sua  forma 

concreta ou do sector de actividade produtiva em que se exerce.  

Dava-se  deste  modo  um  passo  decisivo  no  sentido  de  conceber  e  explicar  o 





Compartilhe com seus amigos:
  1   2   3   4   5   6   7   8   9   ...   20


©historiapt.info 2019
enviar mensagem

    Página principal